Copenhague

 

Esperanças e ilusões sobre Copenhague

A Conferência do Clima de Copenhague a se realizar no início de dezembro de 2009 deveria completar um novo acordo mundial, para dar sequência ao Protocolo de Kyoto, que vence em 2013.

O Protocolo de Kyoto estabeleceu obrigações assumidas pelos paises desenvolvidos de reduzir as suas emissões de gases de efeito estufa, com relação ao inventariado de 1990, isentando os paises em desenvolvimento ou menos desenvolvidos dessa obrigação, até o vencimento da primeira fase, que termina em 2013.

Paralelamente foi instituido o Mecanismo de Desenvolvimento Limpo - MDL, que deu substância aos créditos de carbono, permitindo que os paises desenvolvidos pudessem comprar créditos, para compensar o que não conseguissem reduzir em seus paises.

Os EUA firmaram o protocolo, mas não o ratificaram, ao perceberem que os mecanismos aprovados ampliavam a competividade dos produtos dos BRICs em detrimento dos produzidos no país. A negativa dos EUA não foi de caráter ambiental, porém estritamente comercial.

Para o novo acordo os paises desenvolvidos querem que os BRICs se comprometam, igualmente, com reduções, não os aceitando mais como "pobres coitadinhos" que precisam crescer poluindo e com o apoio financeiro dos ricos.

As negociações preliminares entraram em impasses, com os EUA e outros paises desenvolvidos mantendo as suas cartas fechadas enquanto os BRICs não abrissem a suas.

O Brasil que insistia na tese de que os em desenvolvimento não poderiam ter cerceado o seu crescimento e que toda redução deveria caber aos desenvolvidos que promoveram - durante anos - a formação do efeito estufa, resolveu mostrar as suas cartas, com uma nova metodologia.

Assumia o compromisso de reduzir a emissão dos gases em relação a um cenário tendencial, ou seja, no cenário do "se nada for feito". Em relação a essas emissões resultantes, comprometer-se-ia a reduzir em torno de 40%.

Abriu a possibilidade da China adotar metodologia similar. Ela se propõe a uma redução relativa sobre o crescimento do PIB. Avançou em relação à proposta brasileira que adotou estimativas do PIB. Incorporou a evolução do PIB também como variável.

Falta o posicionamento da Índia.

O que ficou para Copenhague é a aceitação ou não dessa metodologia pelos paises ricos. Porque eles assumem a obrigação de redução da emissão, em valores absolutos, tendo como parâmetros a emissão passada. Não é nem a presente.

Os BICs assumiriam compromissos em relação ao futuro, preservado o seu crescimento.

Dessa forma poderá não haver redução dos volumes de emissão em relação aos atuais, mas uma redução relativa.

Essa novidade de última hora poderá não estar suficientemente madura para o fechamento do acordo, até porque a Índia ainda não se pronunciou.

O que poderá resultar - o que foi costurado entre os EUA e a China - é uma "carta de princípios" onde a metodologia de redução relativa sobre o crescimento do PIB seja consagrada, aceita pelos paises desenvolvidos.

Dessa forma seriam estabelecidos três grupos de paises:

  • os que se comprometem a reduzir a emissão, com base num momento ou período passado;
  • os que se comprometem a reduzir a emissão em relação ao crescimento do PIB, considerando os cenários tendenciais;
  • os que ficarão ainda isentos de redução.
A segunda questão crítica é a manutenção ou não do Mecanismo de Desenvolvimento Limpo, ou seja, o comércio do crédito de carbono.
Poderá ser mantido para os paises menos desenvolvidos, como ocorre atualmente.
Com relação aos do segundo grupo, envolvendo os emergentes, o MDL deverá contemplar, no mínimo, o deságio da redução assumida pelo país.
Ou seja, se um projeto brasileiro dentro do MDL atual teria um crédito de carbono de 100, passaria a ter apenas 60, com a dedução dos 40 (ou pouco menos) que o pais esta se comprometendo a reduzir.

O terceiro ponto é a criação ou não do REED, mecanismo pelo qual os paises ricos pagariam pela preservação florestal, principalmente na Amazônia. O mais provável é a criação de um mecanismo voluntário, sem a comercialização da "manutenção da floresta em pé".

Apesar de não se chegar ao Acordo desejado, adiando-o por mais um ano, a perspectiva de um avanço, sem a acusação de culpados pelo fracasso, fará com que os principais líderes mundiais compareçam para ficar "bem na fita".

E Lula, estará entre os melhores.

Contrariando o que foi escrito anteriormente neste blog.
Índice da Semana

Semana de 23 a 27 de novembro de 2009

27 de novembro de 2009

26 de novembro de 2009

25 de novembro de 2009

24 de novembro de 2009

23 de novembro de 2009

 
 

Estacionamentos

 

Estacionamentos gratuitos em Shopping Centers

Com a derrubada de veto do Governador José Serra, foi promulgada pela própria Assembleia Legislativa de São Paulo, lei que determina gratuidade na ocupação de vagas em estacionamentos de Shopping Center, em função de compras no valor dez vezes superior ao do que seria devido pelo estacionamento.

O veto foi por conta da inconstitucionalidade. Porque não é atribuição dos Estados Membros regular atividade econômica privada.

Há antecedentes em outros Estados, com as respectivas Assembléias aprovando tal medida e sendo derrubado no Judiciário.

A medida é demagógica e cria uma ilusão, difundida pela mídia. Que se desvai logo adiante.

Não cabe o seu estabelecimento por lei estadual.

Mas corresponde a uma grande aspiração do consumidor.

Por que não estabelecer de forma voluntária?

Isso já existe de forma parcial, na forma de convênios, com selos de bonificação.

A regulação pública é inconveniente, quando não inconstitucional.

A autorregulação, no entanto, poderia ser uma alternativa mais adequada quando se trata de grandes públicos.

Quando se trata de grandes públicos tende-se a entender (errôneamente) que o serviço se torna público. Isso pode ocorrer, desde que uma lei maior estabeleça como tal. Não havendo tal caracterização, o serviço é privado e qualquer regulação econômica é atribuição exclusiva da União.

Essa confusão entre o serviço de interesse público com o serviço de grande público, faz com que se queira regular o valor dos ingressos em jogos de futebol ou, como no caso, o valor dos estacionamentos em shopping centers.

Valendo-se dessa confusão, os políticos vendem ilusões temporárias.


 

 
 

Gerenciamento de empreendimentos

GEGE

Ainda nos anos setenta, piores anos de chumbo, o governo militar promovia investimentos em infraestrutura e buscava a maior eficiência na sua implantação. Era um grande desafio de um país que se pretendia potência, dentro de um regime autoritário. Gerando grandes oportunidades de inovações e desenvolvimento profissional. A par de  presos, torturados e com as suas carreiras interrompidas.

Foi dentro desse ambiente ambíguo que um grupo de jovens engenheiros e alguns não engenheiros criou um grupo de estudo para discutir e desenvolver tecnologias do gerenciamento de empreendimentos.

Pequenos grupos formaram empresas especializadas em gerenciamento para atender a clientes que buscavam essas tecnologias - oriundas da NASA - e se tornaram grandes empresas da engenharia consultiva.

Essas tecnologias, caracterizadas como PERT-CPM, são ferramentas de planejamento detalhado de um empreendimento, com o detalhamento minucioso de cada atividade e identificar os gargalos e os caminhos críticos.

Na prática, como ocorre com a implantação de empreendimentos complexos como uma usina geradora de energia elétrica, há várias atividades que podem ser realizadas em paralelo. Essas podem ser aceleradas, mas tal aceleração pode ser inútil porque fica na dependência de uma outra atividade que requer um tempo maior. Dai a ferramenta buscar a identificação dos caminhos críticos.

São ferramentas desenvolvidas pela NASA para levar o homem à lua, planejado minuciosamente.

Hoje essas ferramentas são triviais e consagradas no software "project".

A partir do desdobramento das atividades, cada uma ou grupo dessas podem ser gerenciadas, buscando a qualidade, custo e prazo. Algumas são de especificações e de compras, outras com grande uso de tecnologia e ainda atividades com uso intensivo de mão-de-obra. Ao longo do tempo outros atributos foram sendo considerados, entres essas, a ambiental.

O gerenciamento de empreendimentos se desenvolveu como uma atividade profissional especializada, com suporte numa comunidade internacional, o PMI - Project Management Institute, com a produção de manuais, capacitação e certificação profissional.

Hoje, em regime democrático, a atividade floresce e se consolida.

A realização, amanhã, de um work-shop em Brasília, me remonta aos anos setenta, sempre com duas lembranças: a da tecnocracia e da repressão.

 

 
 

Cenários 2010

Os motores do crescimento em 2010

A tendência de evolução da economia brasileira em 2010 é de continuidade de crescimento, superando a retração (desnecessária) ocorrida a partir de setembro de 2008, com a quebra do Lehmann Brothers.

Os economistas e analistas econômicos foram tomados pelo pânico, por mal interpretarem o funcionamento real da economia, presos aos seus modelos econométricos.

O motor do crescimento da economia brasileira continuará sendo o consumo das famílias, dentro de uma dinâmica de multiplicação da renda.

A economia mundial será puxada pelo crescimento do consumo das novas classes médias nos BICs, já que a Rússia tem uma dinâmica diferente.

As classes mais altas nas economias desenvolvidas continuarão sendo uma importante demanda, porém instável. Esses consumidores já tem tudo o que precisam e seu consumo se baseia nos objetos de desejo e na substituição do que já tem. O que se reflete nessas mesmas classes nos paises em desenvolvimento.

O mercado através da inovação e do marketing procura sempre criar ou desenvolver novos objetos de desejo, mas nesse mercado, a postergação das compras é decisivo para a sustentação (ou não) dos volumes globais.

A inserção de novos contingentes a essa classe mais alta depende - em muito - do ritmo de crescimento e da valorização do patrimônio mobiliário.

Foi o segmento que autopromoveu o grande baque da crise financeira internacional e ainda não se recuperou inteiramente. Não será o motor do crescimento econômico, como o foi nos primeiros anos do século XXI.

A China e a Índia ganharam uma dinâmica própria de crescimento a partir da exportação, a primeira de produtos industriais e a segunda de serviços. O mercado interno chinês continua crescendo, demandando matérias primas brasileiras. A Índia é um demandante menor de produtos brasileiros.

O aumento do consumo interno brasileiro está fundada na estabilidade monetária e na ascensão da classe média baixa, deixando a miséria e a pobreza.

Tem origem nos programas assistenciais, mas passa a ganhar dinâmica própria pela movimentação do mercado. O dinheiro do bolsa-família e dos benefícios da LOAS se multiplica num mercado popular. Gera um aumento de velocidade da moeda que não ocorria antes por carência na origem.

Os modelos econométricos ainda não sabem medir satisfatoriamente essa variável, mas o resultado efetivo é positivo.

A tendência, no entanto, é que esse fator vá perdendo força a menos da emergência de novos geradores dinâmicos. A questão está em detectar ou desenvolver esses novos geradores de renda.

 

 
 

Brasil pós-Lula

O  néo populismo

Com o processo eleitoral dominado pela mídia televisiva, minimizando a importância da intermediação dos "formadores de opinião", é natural que prevaleça o populismo. Que adota vários formatos.

Lula reafirmou o populismo, de caráter carismático, baseado no franco e direto diálogo com a população, de todas as classes sociais e um estilo de (a)governo, baseado na arbitragem do jogo de forças.

Não é um governo de direita, esquerda ou centro, mas circunstancial e oportunista. Agrada ou desagrada, ao mesmo tempo, tanto os banqueiros e a comunidade financeira internacional, como os movimentos sociais.

Todos reclamam que o Governo concede demais aos outros, mas escondem o que o mesmo Governo os beneficia, a menos quando recebem pessoalmente o Presidente.

O problema do lulismo é ter quem governe com as mesmas características de equilibrio. Pode ocorrer com o próprio Lula entre 2015 a 2022, prolongando o lulismo que poderá completar (caso Dilma seja eleita), 20 anos consecutivos, praticamente o mesmo período da última ditadura militar no Brasil (1964-85). Se o governo Lula for bem sucedido nos seus dois mandatos adicionais, poderá eleger ainda o seu sucessor.

O grande nó do populismo lulista está nas relações de trabalho, incluindo o sistema previdenciário, retomando o populismo varguista.

O eleitorado celetista, juntamente com o dos servidores públicos tem grande importância na eleição do Congresso, ainda que tenha menor impacto nas eleições majoritárias, principalmente do Presidente da República.

Grande parte dos eleitores não está abrigada pela CLT, tampouco pelos Estatutos do Servidor Público, com outras modalidades de trabalho, sejam formais (como os autônomos registrados ou firmas individuais) ou informais.

Ter emprego com carteira assinada ou conseguir entrar no serviço público é uma das grandes aspirações desse contingente, mas as ampliações de benefícios aos celetistas e aos fucionários públicos, pouco os sensibiliza. São mais imediatistas e benefícios como o bolsa-familia ou as pensões da LOAS tem maior significância.

Os Governo não propõe ampliação dos benefícios. Resiste às ampliações promovidas pelo Congresso. Pode ser mais duro ou conceder mais. As maiores ampliações ocorreram em 1988 com a Constituição Federal, atribuição exclusiva do Congresso, ainda que com interferência do Executivo. Mas o Executivo não tem o poder de veto, como nas leis ordinárias.

Ao longo do governo FHC a resistência foi maior, com a busca do Executivo de conter os benefícios e buscar a minimização dos encargos previdenciários, uma bomba de efeito retardado.

O governo Lula é mais condescendente e vem aumentando os gastos com os servidores públicos e não contém o déficit previdenciário.

O populismo investidor de Juscelino Kubitshcek, sem a contenção do custeio, e baseado em financiamentos, levou à quebra do setor público, só contida com as privatizações. A recuperação ocorreu com um substancial aumento da carga tributária e contenção dos gastos públicos, principalmente dos investimentos para gerar o superávit primário.

O populismo da estabilidade monetária foi substituido pelo populismo das benesses sociais e um substancial aumento dos gastos com o custeio, mantendo o aumento da carga tributária.

A perspectiva futura é que com a continuidade dessa trajetória o setor público volte a "quebrar", comprometendo o crescimento econômico e gerando crises sociais.

O "modelo tucano" é o de contar os gastos públicos, sem redução da carga tributária - até aumentando em função da maior eficácia da fiscalização - e destinar mais recursos para investimentos.

A questão é se esse modelo será (ou não) mais aceito pelos eleitores, em condições normais. Ou seja, sem a ocorrência de uma crise.

O dilema do lulismo é que as concessões atuais podem comprometer as contas públicas futuras e ter que administrar uma crise.

As bombas armadas agora poderão estourar entre 2015 a 2022, implodindo os eventuais novos mandatos de Lula.

Lula é um oportunista circunstancial, mas não deixa de ter uma visão futura.

O PT ajuda ou atrapalha? 

 

Índice da semana

Semana de 16 a 20 de novembro de 2009

20 de novembro de 2009

19 de novembro de 2009

18 de novembro de 2009

17 de novembro de 2009

16 de novembro de 2009

 
 

Brasil 2022

Socialmente Justo?

O Brasil de 2010 estará socialmente mais justo do que em 2003?

Pelos indicadores, sim. Mas e como realidade?

Um Brasil socialmente mais justo em 2010 é resultado do Governo Lula ou um legado dos governos anteriores? Qual será o legado que Lula deixará, nessa dimensão? Quais serão as diferenças de propostas entre os candidatos para fazer um Brasil Socialmente mais justo, em 2022?

O que caracteriza uma nação mais justa? Do ponto de vista global, usa-se o coeficiente de Gini que mediria a desigualdade. Capta a diferença de rendimentos entre as familias mais pobres e as mais ricas, variando entre 0 e 1. Quanto mais alto, maior a desigualdade: uma única família deteria a totalidade da renda, nada ficando para os demais e zero quando todos tivessem a mesma renda. O índice Gini é o coeficiente multiplicado por 100.

O último levantamento - referente a 2008 - indica um índice de 54, o que caracteriza um alto índice de concentração e, portanto, socialmente injusto.

A distribuição de renda é apenas um dos itens de um país socialmente mais justo. É também fundamental a igualdade de oportunidades de acesso que não dependam - exclusiva ou predominantemente - da renda. Principalmente à educação básica e à saude.

No caso da educação, as oportunidades existem, com exceção ainda da população infantil moradora em comunidades rurais, com dificuldades de acesso às escolas. O problema está na qualidade do ensino o que resulta em baixa produtividade e manutenção de um grande número de analfabetos, ainda que funcionais. Os quais tem menores oportunidades de trabalho.

Na saúde pública, os serviços ainda são precários. Um primeiro problema é a distância de uma unidade de saúde dos locais de moradia da população mais pobre. Em segundo, a oferta é insuficiente, gerando grandes filas e demoras para o atendimento.

O que será necessário fazer para que o Brasil em 2022 seja - efetivamente - socialmente mais justo? Que diferenças estratégicas ou programáticas podem ter PT e base aliada e PSDB/DEM ou o PV em 2010?

A tendência será dizer que fará melhor ou que destinará mais recursos para educação e saúde. Ou ainda, que esses setores são prioritários.

A trajetória das ações sociais nos Governos Lula, pouco diferem da gestão anterior (FHC) a não ser em intensidade.

O principal fator de melhoria social foi a estabilidade monetária, com a melhoria generalizada de renda. Dentro desse quadro, o Governo Lula acelerou a recuperação de valor do salário mínimo, a ampliação do Bolsa-Família (Bolsa-Escola na gestão anterior) e universalização de atendimento do LOAS (Lei Orgãnica da Assistência Social) que garante uma renda mínima para aqueles fora do Sistema Previdenciário.

Todas essas medidas podem passar para a discussão do "quem faz ou fez melhor", mas nenhum deles deixará de dar continuidade, apenas prometendo fazer melhor.

Fazer melhor o que já vem sendo feito será suficiente para que o Brasil seja socialmente mais justo em 2022?

Que outras novas medidas ou estratégias precisarão ser adotadas?

Há alguns pontos controversos com o das cotas para os "desfavorecidos", as mudanças nos benefícios previdenciários e na legislação trabalhista.

Em relação às cotas o que cabe avaliar - excluindo as distorções pontuais - qual o resultado efetivo de melhoria de oportunidades dos então "desfavorecidos" sejam os negros, estudantes de rede pública, indígenas e outros.

Já em relação às mudanças previdenciárias é preciso considerar que a melhoria para a base terá sempre um impacto social favorável, ainda que custe mais para o erário público e, em consequência para os contribuintes. O problema é que os "marajás" da previdência sempre usam a base para melhorar as suas aposentadorias milionárias. São essas que pesam mais.

O PT, junto com a base aliada, propõe um sistema mais distributivo. A resistência está dentro do próprio Governo Lula, segundo uma visão de futuro. As medidas vão impactar o caixa do Tesouro nos próximos governos, que poderão ser do próprio Lula ou do PT. O PT cometeu esse erro, ao recusar a aprovar a Reforma Previdenciária de FHC e teve que conviver com o déficit previdenciário (com sacrifício dos investimentos) minorado pelo fator previdenciário.

Com a eliminação desse, vai de encontro com a tendência universal, cada vez mais preocupada com o evelhecimento da população. Dentro da sistemática atual, agravada pelas alterações em curso, no futuro, cada vez mais jovens trabalhadores terão que arcar com a aposentadoria e pensão dos mais idosos, ociosos.

Nesse ponto está o principal risco do lulo-peronismo, com o fortalecimento das lideranças sindicais demagógicas: "quebrar" o Estado, com as concessões de benefícios sem geração de renda.

O lulo-peronismo irá engolir o próprio Lula.

 

 
 

Brasil 2022

Brasil 2010, resultado de um plano?

O Brasil de 2010 deverá ser um pais economicamente mais forte que o de 2000 e que o de 1995.

Será o resultado de um plano estratégico ou de um Projeto Nacional, formulado em 1995 com o Plano Real?

Seria o resultado de circunstâncias, ou de acaso?

Diversamente de planos de metas, com a definição de indicadores para um momento futuro, o Plano Real seria um plano de trajetória. Busca-se, num momento então presente, corrigir trajetórias que resultam em condições favoráveis, no futuro, independente de medidores fixos. No caso, o objetivo seria uma economia livre de inflação. Com isso estaria forte para crescer continuamente e superar as crises.

Essa trajetória, vem sendo cumprida desde então e o país já enfrentou duas grandes crises internacionais: uma em 1999 e outra em 2008-09. Não naufragou, manteve a sua trajetória de crescimento - ainda que mais lenta - e saiu mais forte da crise.

Diante disso, qual seria o plano estratégico para 2022? Ou a dimensão econômica de um Projeto Nacional, para esse marco temporal?

O Projeto BRASIL 2022, empreendido pelo PNBE - Pensamento Nacional das Bases Empresariais - do qual participo, define essa dimensão do Brasil que Queremos, como "Economicamente Forte".

Dentro que foi a trajetória dos últimos 15 anos, poderiamos dizer que não é preciso plano algum. Basta continuar a trajetória e manter o país, livre de inflação. Assegurada essa condição básica, continuará se fortalecendo e será em 2022, um país economicamente forte.

2010 é um ano de eleições gerais e poderia haver um confronto de propostas de trajetórias. A situação poderia propor a continuidade de uma trajetória que está dando certo. A oposição poderia criticar, se opor, mas não pode, porque essa trajetória foi definida por ela, quando Governo.

As diferenças seriam em detalhes ou em instrumentos, também sem maiores diferenças. Mesmo a questão da privatização, na realidade, apresenta poucas diferenças.

A disputa se faz entre "quem fez ou faz melhor". Um disputa quase infantil: "eu comecei, você está me copiando", dizem os "tucanos". "Eu fiz muito melhor que você", diz o atual Governo (que não pode ser caracterizado como petista, mas quando muito como lulista).

"Você está gastando demais e vai comprometer as contas públicas. Com isso a inflação vai voltar e a economia vai enfraquecer", acusa a oposição. "Inveja sua, porque estamos indo bem, muito melhor que vocês, quando Governo".

Não haverá, nesse sentido, uma disputa programática estrutural em 2010, com relação à economia. Será entre quem faz melhor.

A decisão não será dos economistas, dos analistas ou dos supostos "formadores de opinião". Será do eleitor, do povo e, nesse caso, o Governo leva vantagem. A imagem de uma economia mais forte mostrada pelo Governo atual é mais forte que a do governo anterior, já esmaecida.

Mas, do ponto de vista pessoal, o Governo leva desvantagem. Serra tem a imagem de quem começou (ainda que não corresponda aos fatos). Dilma é uma paraquedista dentro da dimensão econômica. Aécio tem pouco passado - perante o eleitor nacional (pois ainda é um político regional) - mas tem a possibilidade do futuro. Não entraria na disputa entre "quem fez", mas "quem fará".

Qualquer que seja o eleito dificilmente terá condições de mudar a trajetória e, com isso, o Brasil de 2022 será mais forte que o de 2010. A menos que o mundo acabe antes. Mas se o mundo vai acabar, qualquer plano não faz sentido.

O único risco é da incompetência. Das "barbeiragens".

 
 

Apagão

Faltam explicações

Não vieram a público os dados técnicos prometidos pelo Governo, que pudessem explicar o que houve, efetivamente, na noite de terça-feira passada, quando ocorreu um imenso e longo blecaute.

O Governo procura "vender" a versão de que foi apenas um incidente, imprevisível e incontrolável. Por decorrer de fatores climáticos que o homem não pode determinar.

Os acidentes climáticos podem ser "obra de Deus" e não pode ser controlado pelo homem. Porém para a continuidade de um sistema elétrico, o mesmo é planejado e implantado com salvaguardas para evitar que os mesmos sejam afetados. Ou quando afetados, prontamente restabelecidos.

O Governo tenta impingir a versão de raios, como se os sistemas não contassem com para-raios.

A oferta de energia elétrica no Brasil depende de Itaipu, cuja produção é transportada a longa distância por linhas de transmissão de alta tensão. Para dar maior segurança à transmissão essas linhas seguem por caminhos diferentes, mas voltam a se unir em determinados pontos, onde ocorrem as conversões para tensões menores, até chegar às subestações de distribuição, para o suprimento doméstico.

Por que seguem caminhos distintos? Para que todas não fiquem sujeitas aos mesmos "incidentes atmosféricos", como os ventos, chuvas e raios. Não seria econômico blindar inteiramente, todas as linhas com sistemas de proteção. Existem, mas são parciais. O que significa que podem ocorrer.

E porque se juntam de novo?

Por necessidade técnica. Mas para evitar os problemas climáticos, são ampliadas as proteções.

Ou seja, se houve - efetivamente - um raio que afetou uma das linhas, a eventual sobrecarga das outras linhas denota uma falha operacional. O "efeito" dominó teria ocorrido por falha operacional.

Isso porque as represas estão cheias, não havendo necessidade concentração de suprimento de usinas com maior capacidade para economizar a água dos reservatórios com menor disponibilidade.

Alguns anos atrás, ajudei a quebrar alguns paradigmas ou mitos do setor elétrico: "eletricidade não tem estoque". É fato, mas no sistema hidroelétrico se estoca a água.

Num sistema baseado em hidroeletricidade e interligado, um dos principais papéis do coordenador do sistema, o Operador Nacional do Sistema é gerenciar esses estoques.

Por outro lado, no período noturno, quando ocorreu o blecaute, a demanda era menor.

A lógica dentro do sistema interligado seria que no quadro existente, o suprimento preferencial de São Paulo - com sequência para o Rio de Janeiro e Espirito Santo - fosse pelas suas usinas, complementado por Itaipu. Esse deveria estar com um suprimento abaixo do diurno.

As informações preliminares dão conta do inverso. Itaipu estaria sendo utilizado a plena carga, com o desligamento momentâneo das demais usinas.

Essa é uma informação relevante que não pode ser escondida. Por que o Governo reluta em mostrar?

Confirmado esse dado - o que será inescondível - fica a pergunta que já está no artigo de hoje, do prof. José Goldemberg, no Valor Econômico: por que Itaipu estava gerando a plena carga à noite enquanto as usinas da Cesp estavam fora do sistema?

Uma resposta plausível é que o ONS buscava utilizar plenamente o contrato de suprimento de Itaipu que é pela disponibilidade e não pelo consumo efetivo. Ou seja, é preciso pagar Itaipu, use ou não use a sua energia, dentro do que está contratado.

Foram decisões de planejamento e operação de natureza técnica e comercial. Sem conotações políticas e explicáveis, ainda que não plenamente justificáveis.

A partir dessa opção de planejamento teria havido um conjunto de "barbeiragens".

Se esse foi o fato real que deu origem ao blecaute, afastado o impacto político-eleitoral, isso pode nos deixar mais tranquilos. As "barbeiragens" dificilmente se repetirão.

Seriam mais simples as explicações e correções não fossem os fatores político-eleitorais envolvidos.

 

 

 
 

Copenhague

Fracasso confirmado

Foi um aborto.

Mataram a Conferência antes mesmo dela começar.

O fracasso foi confirmado, como alguns - inclusive este blog - previram.

Não porque se desejasse que fracassasse, mas porque as negociações estavam sendo mal conduzidas, focando nas questões erradas.

A Conferência do Clima não é uma questão ambiental. É, acima de tudo, uma questão econômica. Sem essa consideração não haverá avanços.

A questão principal é a competitividade relativa dos paises desenvolvidos perante os emergentes. Aqueles querem que os emergentes sejam tratados como "novos ricos". Com as mesmas obrigações dos "velhos ricos".

O Brasil sucumbiu às pressões a anunciou as suas metas, ainda que de forma ambígua. E não conseguiu que China e EUA mostrassem as suas cartas.

Para os ambientalistas brasileiros será uma frustração. E também para muitos empreendedores que contavam - como certa - a aprovação do REED.

O Brasil mostrou as suas cartas, mas dificilmente vai "ganhar o jogo".

Vai receber promessas vagas de dinheiro para ajudar na redução do desmatamento.

Mas vai ser cobrado para demonstrar que as suas metas são viáveis e não apenas "vagas intenções".

Com a antecipação do fracasso, o Brasil e Dilma poderão se sair bem.

Por ter antecipadas as metas, antes do anúncio norteamericano-asiático, não poderá ser acusado de culpado pelo fracasso.

E poderá cobrar metas e recursos dos demais.

Para o Brasil, o jogo virou.

Teria sido, mais uma vez a intuição de Lula, ou a sua estrela?

 

 
 

Apagão

 

Os azares de Dilma

Lula é um sujeito de muita sorte. E consegue navegar com facildade as ondas das circunstancias. Mesmo quando diz bobagens e é desmentido pelos fatos, consegue contornar.

Dilma, ao contrário, parece carregar azar.

Fez uma plástica para melhorar o visual e em seguida teve que fazer um grande tratamento para combater um câncer.

Tinha absoluta segurança sobre o desempenho do setor elétrico que escolheu como o seu ponto principal para confrontar o Governo anterior e foi pega por um apagão maior que o do governo FHC.

Com a divulgação dos dados técnicos que vão mostrar melhor o que efetivamente houve na noite de terça feira, a situação dela poderá ficar melhor ou pior.

O melhor cenário para ela será um eventual ataque de hackers. O pior será a demonstração da "barbeiragem" do ONS - Operador Nacional do Sistema.

De qualquer forma ela perdeu um grande trunfo. Quando disse que o governo atual dava de 400 a zero. Levou 1000 "nas fuças" e ficou em desvantagem. Terá que ter maior cuidado em se vangloriar das conquistas. A maior delas, se perdeu na escuridão.

As consquistas e avanços são reais, porém a ansiedade em querer colocar tudo como comparação com o Governo FHC a leva a desgastar a credibilidade. E falta de credibilidade será fatal numa eleição midiática.

Se Lula não é autêntico, é - como afirmou Fernando Meirelles - o melhor ator brasileiro. Passa plenamente a imagem do Lula que interpreta. É uma interpretação crível.

Já Dilma é uma má atriz. Precisará ainda de muito treino para se tornar uma boa atriz e fazer com que a Dilma, que os marketeiros inventaram seja crível.

Ela não passa credibilidade. As suas colocações de afeto, como tratar jornalistas de "minha filha" ou os jornalistas de "meu querido" soa falso.

A verdadeira Dilma é raivosa, impaciente e incontrolável nas suas emoções.  Principalmente quando se trata de FHC, do qual tem total ojeriza.

As eleições são decididas pelos eleitores de menor renda e cultura. Os antigos "formadores de opinião" perderam o poder de influência. A relação de empatia entre esses eleitores e o(a) candidato(a) ocorre pelos programas de televisão.

Por mais que os supostos "formadores de opinião" insistam na necessidade de programas, o fato real é que a escolha se faz em relação à empatia com a imagem do candidato.

E o candidato não é o que ele é, mas a imagem produzida pelo marketing político. O candidato é uma personagem criada pelo "script" mercadológico.

E precisa ser interpretado com competência, muita competência de representação.

Lula é um ator nato. Dilma, precisará fazer um curso intensivo no "Actor Studio" para interpretar "Vilma - a mulher do Lula".

~Indice da Semana

Semana de 9 a 13 de novembro de 2009

13 de novembro de 2009

12 de novembro de 2009

11 de novembro de 2009

10 de novembro de 2009

09 de novembro de 2009

 
 

Apagão

Politização, midiatização e desinformação do apagão

A mídia, na suposição de simplificar a informação e compreensão, cria ou difunde "expressões midiáticas" que podem misturar coisas diferentes, tratadas como se fossem iguais.

"Apagão" foi uma tradução midiática do "blackout", que é uma interrupção do suprimento de energia elétrica. Pode ser inesperada, decorrente de alguma falha ou acidente. Pode ser programada, como corte do suprimento para manutenção ou outros fatores. Em tempos de guerra, o blackout era utilizado para evitar a identificação de cidades como alvo de bombardeios. A tradução técnica, anteriormente utilizada à midiatização é blecaute.

Blecaute ou apagão é diferente de racionamento. Racionamento é uma redução de voluntária ou compulsória no consumo, para evitar interrupções no suprimento de serviços, ou seja, de blecautes.

O que houve em 2001 não foi blecaute nem "apagão", mas racionamento diante do risco de um excesso de consumo em relação à oferta, uma vez que as represesas que abastecem as turbinas para geração de energia estavam muito baixas. O racionamento foi preventivo e nem teria sido necessário, pois depois choveu bastante. Mas nenhum governo poderia deixar de ter feito o racionamento. Porque não investiu suficientemente antes. No caso, dentro do próprio governo FHC.

Eventuais comparações entre blacautes tem que ser feita com a de 1999, ocorrida dentro do governo FHC. Esse foi de menor intensidade, decorreu de eventual acidente climático (ainda contestado) teve menor propagação e o sistema ainda estava vulnerárvel, por falta de investimentos.

O fornecimento da energia de Itaipu era feito por dois circuitos e depois do blecaute de 99 foi implantado um terceiro, para dar maior segurança e confiabilidade.

Com a politização dos "apagões" petistas e tucanos se degladiam para dizer qual desses (99 ou 09) foi o pior. E entra na discussão o racionamento de 2001, também caracterizado como "apagão", o que não foi.

Do ponto de vista técnico, sem dúvida a de 2009 foi pior, levando a um desligamento de Itaipu, o que não havia ocorrido em 99. A propagação também foi maior.

Do ponto de vista político isso pouco interessa. Na prática o jogo ficou empatado, com um gol contra do Governo Lula.

Não vai poder usar os "apagões" como passivo político de FHC e dos tucanos, com um ativo que agora perdeu.

A questão principal é como evitar uma nova ocorrência, principalmente tendo em vista a Copa 2014 e as Olimpiadas 2016.

Se for confiar em Deus (ou São Pedro) podemos ficar tranquilos. Ele só se enfurece a cada dez anos. O próximo apagão só será em 2019.

Nem o governo, tampouco a oposição ainda vieram para dizer o que deverá ser feito. O governo diz apenas que é preciso melhorar. A oposição ainda está apenas na crítica.

 
 

Apagão

Vitrine ou vidraça?

Com a escolha do Brasil para sediar jogos da Copa 2014, participei de uma "caravana rolidei" que visitou 16 das cidades candidatas para conhecer o que essas cidades ofereciam e, também, os seus problemas e desafios. O que resultou, entre outros produtos, numa publicação com o título "Vitrine ou Vidraça - Desafios do Brasil para a Copa 2014".

O que se procurou mostrar nesse processo é que a Copa 2014 (e posteriormente as Olimpiadas 2016, no Rio de Janeiro) passaria a dar uma grande visibilidade ao Brasil no exterior. E que isso poderia ampliar o fluxo turístico, assim como o de investimentos.

Efetivamente o Brasil passou, depois da escolha do Rio para as Olimpiadas de 2016 a ter mais espaço e destaque na mídia internacional. Mais com as suas vidraças do que com as suas vitrines.

No mês passado foram os violentos confrontos entre quarilhas e com a polícia, no Rio de Janeiro. Agora com o enorme e imenso apagão.

A versão do Governo pode até estar certa, quanto à origem, mas foi a pior das alternativas, do ponto de vista do marketing de um país que quer sediar a Copa e as Olimpiadas.

Se um apagão que afetou 18 estados brasileiros, entre esses os principais e mais a Capital Federal, e durou mais de quatro horas, foi causado por raios e ventos, "raios que te partam", então só há uma conclusão: o sistema é vulnerável. O sistema é frágil.

Haveriam duas sequências imediatas: é preciso fazer investimentos e interligar o sistema.

A questão é que depois do apagão de 99 foram feitos investimentos no sistema de transmissão e interligados os sistemas. O Brasil tem um sistema interligado de energia elétrica, que nem os EUA tem.

Houve um grande volume de investimentos, com a privatização dos sistemas de transmissão. As novas linhas foram objeto de concessões. A CTEEP a maior rede de transmissão estadual foi privatizada. Mas a ligação de Itaipu ao Sistema, permaneceu estatal, sob controle de Furnas. Foi nessa que iniciou-se o processo.

Acidentes climáticos podem afetar o sistema apesar desse estar "blindado", com pararraios e estruturas mais fortes para suportar temporais e até tornados.

E, uma das razões para o sistema interligado é limitar o efeito dominó. Quando ocorre uma sobrecarga os circuitos são automaticamente desligados, mas a intervenção humana promove o imediato restabelecimento com o uso das fontes alternativas.

Apesar de todas as salvaguardas, a interrupção de uma das linhas, por fatores climáticos, pode ocorrer, sobrecarregando as demais, que vão sendo automaticamente desligadas, até chegar a pontos onde já não existe a sobrecarga. Ai são promovidas as redistribuições de carga, dentro do sistema interligado. O que envolve a ação humana.

A incompetência humana, no caso, foi a demora no restabelecimento. Essa é a grande vidraça que foi mostrada ao Mundo, no dia de ontem e continuará ainda no dia de hoje.

Identificar a "origem inicial" do apagão é o menos importante. O importante é saber por que se espalhou tão amplamente e por que demorou tanto para restabelecer.

O Governo está querendo vender a versão de que a culpa é do sistema interligado, quando o objetivo desse é exatamente o oposto. Com o sistema interligado busca-se conter o efeito dominó e não propagá-lo.

 

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