Brasil pós-Lula
O néo populismo
Com o processo eleitoral dominado pela mídia televisiva, minimizando a importância da intermediação dos "formadores de opinião", é natural que prevaleça o populismo. Que adota vários formatos.
Lula reafirmou o populismo, de caráter carismático, baseado no franco e direto diálogo com a população, de todas as classes sociais e um estilo de (a)governo, baseado na arbitragem do jogo de forças.
Não é um governo de direita, esquerda ou centro, mas circunstancial e oportunista. Agrada ou desagrada, ao mesmo tempo, tanto os banqueiros e a comunidade financeira internacional, como os movimentos sociais.
Todos reclamam que o Governo concede demais aos outros, mas escondem o que o mesmo Governo os beneficia, a menos quando recebem pessoalmente o Presidente.
O problema do lulismo é ter quem governe com as mesmas características de equilibrio. Pode ocorrer com o próprio Lula entre 2015 a 2022, prolongando o lulismo que poderá completar (caso Dilma seja eleita), 20 anos consecutivos, praticamente o mesmo período da última ditadura militar no Brasil (1964-85). Se o governo Lula for bem sucedido nos seus dois mandatos adicionais, poderá eleger ainda o seu sucessor.
O grande nó do populismo lulista está nas relações de trabalho, incluindo o sistema previdenciário, retomando o populismo varguista.
O eleitorado celetista, juntamente com o dos servidores públicos tem grande importância na eleição do Congresso, ainda que tenha menor impacto nas eleições majoritárias, principalmente do Presidente da República.
Grande parte dos eleitores não está abrigada pela CLT, tampouco pelos Estatutos do Servidor Público, com outras modalidades de trabalho, sejam formais (como os autônomos registrados ou firmas individuais) ou informais.
Ter emprego com carteira assinada ou conseguir entrar no serviço público é uma das grandes aspirações desse contingente, mas as ampliações de benefícios aos celetistas e aos fucionários públicos, pouco os sensibiliza. São mais imediatistas e benefícios como o bolsa-familia ou as pensões da LOAS tem maior significância.
Os Governo não propõe ampliação dos benefícios. Resiste às ampliações promovidas pelo Congresso. Pode ser mais duro ou conceder mais. As maiores ampliações ocorreram em 1988 com a Constituição Federal, atribuição exclusiva do Congresso, ainda que com interferência do Executivo. Mas o Executivo não tem o poder de veto, como nas leis ordinárias.
Ao longo do governo FHC a resistência foi maior, com a busca do Executivo de conter os benefícios e buscar a minimização dos encargos previdenciários, uma bomba de efeito retardado.
O governo Lula é mais condescendente e vem aumentando os gastos com os servidores públicos e não contém o déficit previdenciário.
O populismo investidor de Juscelino Kubitshcek, sem a contenção do custeio, e baseado em financiamentos, levou à quebra do setor público, só contida com as privatizações. A recuperação ocorreu com um substancial aumento da carga tributária e contenção dos gastos públicos, principalmente dos investimentos para gerar o superávit primário.
O populismo da estabilidade monetária foi substituido pelo populismo das benesses sociais e um substancial aumento dos gastos com o custeio, mantendo o aumento da carga tributária.
A perspectiva futura é que com a continuidade dessa trajetória o setor público volte a "quebrar", comprometendo o crescimento econômico e gerando crises sociais.
O "modelo tucano" é o de contar os gastos públicos, sem redução da carga tributária - até aumentando em função da maior eficácia da fiscalização - e destinar mais recursos para investimentos.
A questão é se esse modelo será (ou não) mais aceito pelos eleitores, em condições normais. Ou seja, sem a ocorrência de uma crise.
O dilema do lulismo é que as concessões atuais podem comprometer as contas públicas futuras e ter que administrar uma crise.
As bombas armadas agora poderão estourar entre 2015 a 2022, implodindo os eventuais novos mandatos de Lula.
Lula é um oportunista circunstancial, mas não deixa de ter uma visão futura.
O PT ajuda ou atrapalha?
Escrito por Jorge Hori às 06h22
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