PIB
O que influi na evolução do PIB?
O PIB - Produto Interno Bruto - é o principal indicador que mede (ou deveria medir) a evolução da economia. E, como tal, tomado como referência para as projeções do futuro da economia.
As interpretações sobre a evolução passada, no entanto, não são unânimes e, no mais das vezes, desconsideram os fatores reais que determinam a sua evolução.
O PIB é um indicador macro-econômico que considera tudo o que foi produzido no país, num determinado período, confrontado com a demanda global nesse mesmo período. Uma parte da produção é destinada ao mercado externo e, em contrapartida uma parte de demanda é atendida por importações.
Por ser um medidor agregado, gera a impressão de que se trata de movimento ou de ação de um país. Então se diz que o Brasil cresceu, ou decreceu. Que a indústria evoluiu x %, ou que o investimento caiu y%.
Ou que o PIB determina a evolução de um determinado setor, por correlações.
Na verdade o PIB reflete o conjunto de decisões dos agentes econômicos, individualmente. O seu ato de comprar ou deixar de comprar afeta o resultado do PIB. Individualmente representa pouco, mas o chamado Consumo das Famílias, que é medido no PIB, nada mais é que a somatória de todos os atos de compras de todos os que estão no Brasil, no período considerado. Incluindo a compra feita por turistas de passagem pelo Brasil.
Do lado da produção, o PIB reflete as decisões e ações dos agentes produtores, ou sejam, os empresários que produzem os bens e serviços que são consumidos pela população. Incluindo o consumo intermediário, realizado pelas próprias empresas, dentro da cadeia produtiva.
O que influi nessas decisões dos produtores que fazem com que, no conjunto, o PIB global ou setorial cresça ou decresça?
Em situações normais, a crença dos economistas é que o principal fator influenciador do comportamento dos agentes econômicos é a política monetária. Os raciocínios tendem a ser simplistas, acreditando que se a taxa de juros cai, a produção é estimulada e cresce. Ao contrário, se a taxa de juros sobre, há uma contenção na produção.
Em épocas de crise, essa equação não funciona de forma tão simples e automática.
Porque decorrendo de ações humanas (não esquecendo que o empresário, o consumidor, são pessoas com as suas lógicas, as suas emoções, com os seus arroubos e seus medos) o fator psicológico pesa, principalmente em momentos de crise. As lógicas não são as mesmas dos tempos comuns.
Há os que dizem exitir um "espírito animal do empreendedor" que move a economia e que é fortemente afetado em momentos de crise.
Na dinâmica da economia moderna, a sua evolução é "puxada" pela demanda. Diversamente de tempos anteriores onde o conjunto da economia era "empurrada" pela produção. Na prática havia uma demanda reprimida pela insuficiência de produção (o que tornava os produtos disponíveis mais caros) e os aumentos de produção promoviam o crescimento da demanda.
Com o desenvolvimento tecnológico, os ganhos de produtividade, os aumentos de produção e a globalização, a produção não se antecipa ao consumo, à demanda. Mas nessa equação há um fator interativo importante que são os investimentos.
Os investimentos, nas contas nacionais, são caracterizados como demanda. Significa que os agentes econômicos compram bens e serviços para criar ativos que irão produzir outros bens e serviços no futuro, seja para o consumo familiar ou para novos investimentos. Por isso mesmo, a denominação oficial dos investimentos é "Formação Bruta de Capital Fixo".
Assim, o agente produtor, seja o industrial, o agrícola, minerador ou de serviços é de um lado produtor, atendendo às demandas imediatas do mercado e, de outro lado, um comprador, seja para produzir os seus bens ou para os seus investimentos em ativos fixos.
O que o leva a produzir e a investir?
A sua decisão de produzir é baseada na demanda efetiva e nas suas expectativas de evolução a curto prazo. Produz para atender aos pedidos e nem sempre tem fôlego financeiro para formar grandes estoques.
A sua decisão de investir é baseada exclusivamente em expectativas (a menos de poucas exceções, para atender a contratos de atendimentos futuros já firmados).
Ou seja, as suas decisões tem sempre uma forte componente psciológica, que se baseia em crenças e expectativas, a partir da sua interpretação das realidades e dos números.
Nesse sentido é fortemente influenciado pelos chamados "formadores de opinião". Mas trabalha com uma realidade de pessoas que mal sabem quem são esses formadores de opinião.
O que aconteceu com o PIB brasileiro em 2008.
Até o início de setembro, as expectativas dos produtores brasileiros eram muito otimistas, apesar do mercado norte-americano estar enfraquecido com a crise do mercado imobiliário, em função dos créditos podres do subprime. Os bancos norteamericanos estavam contabilizando as suas perdas, escondendo parte dessas.
O consumo familiar mantinha, de forma sustentável, um elevado crescimento e se acreditava que decorria da política social do governo (bolsa família, melhoria do salário mínimo) e da ampliação do crédito. Principalmente para os bens de consumo durável. Não obstante a taxa de juros continuar muito elevada.
(Os economistas acreditam e insistem em fazer os demais acreditarem que toda a economia é comandada pela taxa de juros).
Quando a crise do subprime levou à quebra do Lehmann Brothers, em setembro de 2008, o mercado mundial entrou em pânico, com o medo do contágio, vaticinando uma crise mundial, pior que a de 1929.
Esse medo de contágio, provou o contágio dos agentes produtivos brasileiros, apesar do Presidente Lula ter manifestado a sua opinião (ou impressão) de que o "tsunami" chegaria ao Brasil de forma acentuada: uma "marolinha".
Alguns dirigentes empresariais como o da Vale do Rio Doce tinham razões para frear a sua produção, pois estavam em disputa com os chineses, por conta do preços e esses tinham feitos enormes estoques para negociar. Efetivamente suspenderam inteiramente as compras.
Outros, mais voltados para o mercado interno, mal influenciados pelos "formadores de opinião" cortaram a produção, suspenderam os investimentos e tiveram que enfrentar no início de 2009, a falta de produtos para venda. Não chegou a haver um desabastecimento, mas os que pararam perderam posições de mercado, principalmente para concorrentes importados.
Com o receio da retração, produtores nacionais cortaram a produção, com efeitos imediatos. Já os importados, estavam - em muitos casos - a caminho e não podiam ser devolvidos. Chegados ao Brasil, ao contrário das expectativas do produtores nacionais, venderam e abasteceram o mercado.
O resultado global foi uma brusca queda na produção global e nos investimentos. O PIB que vinha crescendo a taxas superiores a 6% na comparação entre os trimestres, caiu no último para 1,3%. Na comparação do quarto trimestre com o terceiro, considerando os ajustes sazonais, a taxa foi negativa em 3,6%.
As quedas mais acentuadas foram na indústria.
A lenta recuperação
Nos dois primeiros trimestres verifica-se uma recuperação na produção.
O que continua fraco são os investimentos
As perspectivas
Considerando que o fator principal das decisões e ações dos agentes econômicos produtores é a expectativa, o PIB ainda em 2009 deverá crescer, voltando no quarto trimestre a um crescimento da ordem de 6% sobre o quarto trimestre de 2008, o que não será nada de excepcional considerando a queda nesse período.
A questão é avaliar se em 2010 haverá condições de sustentar um crescimento trimestral acima de 6%, levando o crescimento anual a mesma taxa média.
E, como se configurarão os cenários de 2011 a 2014?
O ambiente geral, que afeta as expectiativas, será de otimismo. Mesmo que o resto do mundo demore para uma retomada pós-crise. Para o Brasil, o maior risco será a China. Dado o crescente comprometimento das exportações brasileiras para a China e pelas estratégias dela para vender os seus produtos no Mundo.
Essas expectativas favoráveis se baseiam em perspectivas estruturais como a exploração do petróleo do pré-sal.
Dentro de uma tendência de crescimento, da ordem de 6% ao ano, cabe avaliar que situações podem afetar para mais ou para menos essa tendência estrutural.