Economia, Empresas, Administraçã

 
 

Cenários 2010

Os motores do crescimento em 2010

A tendência de evolução da economia brasileira em 2010 é de continuidade de crescimento, superando a retração (desnecessária) ocorrida a partir de setembro de 2008, com a quebra do Lehmann Brothers.

Os economistas e analistas econômicos foram tomados pelo pânico, por mal interpretarem o funcionamento real da economia, presos aos seus modelos econométricos.

O motor do crescimento da economia brasileira continuará sendo o consumo das famílias, dentro de uma dinâmica de multiplicação da renda.

A economia mundial será puxada pelo crescimento do consumo das novas classes médias nos BICs, já que a Rússia tem uma dinâmica diferente.

As classes mais altas nas economias desenvolvidas continuarão sendo uma importante demanda, porém instável. Esses consumidores já tem tudo o que precisam e seu consumo se baseia nos objetos de desejo e na substituição do que já tem. O que se reflete nessas mesmas classes nos paises em desenvolvimento.

O mercado através da inovação e do marketing procura sempre criar ou desenvolver novos objetos de desejo, mas nesse mercado, a postergação das compras é decisivo para a sustentação (ou não) dos volumes globais.

A inserção de novos contingentes a essa classe mais alta depende - em muito - do ritmo de crescimento e da valorização do patrimônio mobiliário.

Foi o segmento que autopromoveu o grande baque da crise financeira internacional e ainda não se recuperou inteiramente. Não será o motor do crescimento econômico, como o foi nos primeiros anos do século XXI.

A China e a Índia ganharam uma dinâmica própria de crescimento a partir da exportação, a primeira de produtos industriais e a segunda de serviços. O mercado interno chinês continua crescendo, demandando matérias primas brasileiras. A Índia é um demandante menor de produtos brasileiros.

O aumento do consumo interno brasileiro está fundada na estabilidade monetária e na ascensão da classe média baixa, deixando a miséria e a pobreza.

Tem origem nos programas assistenciais, mas passa a ganhar dinâmica própria pela movimentação do mercado. O dinheiro do bolsa-família e dos benefícios da LOAS se multiplica num mercado popular. Gera um aumento de velocidade da moeda que não ocorria antes por carência na origem.

Os modelos econométricos ainda não sabem medir satisfatoriamente essa variável, mas o resultado efetivo é positivo.

A tendência, no entanto, é que esse fator vá perdendo força a menos da emergência de novos geradores dinâmicos. A questão está em detectar ou desenvolver esses novos geradores de renda.

 

 
 

Apagão

Faltam explicações

Não vieram a público os dados técnicos prometidos pelo Governo, que pudessem explicar o que houve, efetivamente, na noite de terça-feira passada, quando ocorreu um imenso e longo blecaute.

O Governo procura "vender" a versão de que foi apenas um incidente, imprevisível e incontrolável. Por decorrer de fatores climáticos que o homem não pode determinar.

Os acidentes climáticos podem ser "obra de Deus" e não pode ser controlado pelo homem. Porém para a continuidade de um sistema elétrico, o mesmo é planejado e implantado com salvaguardas para evitar que os mesmos sejam afetados. Ou quando afetados, prontamente restabelecidos.

O Governo tenta impingir a versão de raios, como se os sistemas não contassem com para-raios.

A oferta de energia elétrica no Brasil depende de Itaipu, cuja produção é transportada a longa distância por linhas de transmissão de alta tensão. Para dar maior segurança à transmissão essas linhas seguem por caminhos diferentes, mas voltam a se unir em determinados pontos, onde ocorrem as conversões para tensões menores, até chegar às subestações de distribuição, para o suprimento doméstico.

Por que seguem caminhos distintos? Para que todas não fiquem sujeitas aos mesmos "incidentes atmosféricos", como os ventos, chuvas e raios. Não seria econômico blindar inteiramente, todas as linhas com sistemas de proteção. Existem, mas são parciais. O que significa que podem ocorrer.

E porque se juntam de novo?

Por necessidade técnica. Mas para evitar os problemas climáticos, são ampliadas as proteções.

Ou seja, se houve - efetivamente - um raio que afetou uma das linhas, a eventual sobrecarga das outras linhas denota uma falha operacional. O "efeito" dominó teria ocorrido por falha operacional.

Isso porque as represas estão cheias, não havendo necessidade concentração de suprimento de usinas com maior capacidade para economizar a água dos reservatórios com menor disponibilidade.

Alguns anos atrás, ajudei a quebrar alguns paradigmas ou mitos do setor elétrico: "eletricidade não tem estoque". É fato, mas no sistema hidroelétrico se estoca a água.

Num sistema baseado em hidroeletricidade e interligado, um dos principais papéis do coordenador do sistema, o Operador Nacional do Sistema é gerenciar esses estoques.

Por outro lado, no período noturno, quando ocorreu o blecaute, a demanda era menor.

A lógica dentro do sistema interligado seria que no quadro existente, o suprimento preferencial de São Paulo - com sequência para o Rio de Janeiro e Espirito Santo - fosse pelas suas usinas, complementado por Itaipu. Esse deveria estar com um suprimento abaixo do diurno.

As informações preliminares dão conta do inverso. Itaipu estaria sendo utilizado a plena carga, com o desligamento momentâneo das demais usinas.

Essa é uma informação relevante que não pode ser escondida. Por que o Governo reluta em mostrar?

Confirmado esse dado - o que será inescondível - fica a pergunta que já está no artigo de hoje, do prof. José Goldemberg, no Valor Econômico: por que Itaipu estava gerando a plena carga à noite enquanto as usinas da Cesp estavam fora do sistema?

Uma resposta plausível é que o ONS buscava utilizar plenamente o contrato de suprimento de Itaipu que é pela disponibilidade e não pelo consumo efetivo. Ou seja, é preciso pagar Itaipu, use ou não use a sua energia, dentro do que está contratado.

Foram decisões de planejamento e operação de natureza técnica e comercial. Sem conotações políticas e explicáveis, ainda que não plenamente justificáveis.

A partir dessa opção de planejamento teria havido um conjunto de "barbeiragens".

Se esse foi o fato real que deu origem ao blecaute, afastado o impacto político-eleitoral, isso pode nos deixar mais tranquilos. As "barbeiragens" dificilmente se repetirão.

Seriam mais simples as explicações e correções não fossem os fatores político-eleitorais envolvidos.

 

 

 
 

Apagão

Despreparo ou incompetência?

As autoridades virão logo com inúmeras explicações desencontradas, mas vão todas achar um grande culpado: Deus.

A culpa pelo imenso "apagão" que afetou grande parte do país, será de tempestades, de mudanças climáticas, de fenômenos não humanos.

Mas a pergunta que os leigos logo farão é: estamos tão sujeitos a esses apagões, por conta de tempestades?

Imaginem se isso viesse a ocorrer durante a Copa 2014 ou as Olimpiadas 2016?

O problema foi no sistema de transmissão de energia de Itaipu, a principal fonte de energia para o país.

Esse sistema opera em duplicidade, para que na eventualidade do desligamento de uma das linhas a outra garanta o suprimento. Um apagão só ocorre quando as duas linhas são desligadas.

Em outros casos houve uma conjugação desfavorável. Uma das linhas estava em manutenção e fatores climáticos desligaram a outra. Pode ter se repetido o mesmo problema.

Atualmente as previsões metereológicas são mais precisas e podem se programar manutenções em períodos com menores probabilidades de turbulências climáticas.

A outra hipótese é a sobrecarga na segunda linha. O que leva a desligamentos sucessivos e automáticos.

O sistema tem também as suas salvaguardas. E o religamento se faz por partes e usando também outras fontes diversas da principal.

Para esse gerenciamento existe um Operador Nacional do Sistema. Que, talvez estivesse dormindo.

Por a culpa no "aparelhamento sindical ou político da administração" será a primeira da oposição.

Uma hipótese adicional é que o apagão tenha sido obra de "hacker". O que não pode ser descartado. Mas se foi é também despreparo porque essa hipótese já foi levantada em relação a um apagão menor, ocorrido no Espirito Santo.

A amplitude do "apagão" e a demora no restabelecimento são indicadores claros de má gestão do sistema elétrico. De um despreparo inadmissível diante dos antecedentes.

Estaria havendo, então, uma degradação dessa gestão.

Em outras circunstâncias, com uma ocorrência dessas, o Ministro de Minas e Energia deveria ser sumariamente demitido. Por incompetência no tempo de restabelecimento.

Em vez de soluções, o que houve foi uma briga entre Itaipu e Furnas para achar o culpado. Obrigando a intervenção direta do presidente Lula.

Embora seja uma mera suposição, se Dilma fosse a Ministra de Minas e Energia ou se tivesse efetivamente na Chefia da Casa Civil, esse apagão não ocorreria ou se ocorresse, teria sido restabelecido em menor tempo na maior parte do Brasil. Principalmente em Brasília.

A boa prática da engenharia recomenda que primeiro se solucione e depois se busquem os culpados. No modelo gerencial atual, a primeira preocupação é buscar os culpados.

O fato real é que o Brasil não está preparado para a Copa 2014. Nesse caso não seria por falta de investimentos, mas por falhas de gestão. E o Brasil não está preparado do ponto de vista da Segurança Institucional.

Numa eventual suposição de guerra, o inimigo já sabe como parar o país.

A indagação é o quanto esse apagão poderá influir em 2010.

Lula insiste numa eleição plebiscitária comparando o seu governo com o de FHC. E esse, no setor elétrico, tem a imagem do quase apagão, de 2001. Muito explorado pelo PT, como demonstração de incompetência.

Grande parte do eleitorado não se lembra. Mas o apagão de ontem ainda estará mais vivo na memória dos eleitores em 2010.

Se em outubro de 2010 a comparação fora entre os apagões de FHC ou de Lula, quem será considerado pior?

 
 

Vale

Para quem os dois brigam?

O suposto conflito entre Lula e Agnelli (o Presidente da Cia. Vale do Rio Doce) é um grande teatro  "pra inglês ver". A questão é saber quem são esses "ingleses".

Não é preciso fazer muito esforço. Lula faz o jogo para o eleitorado de 2010. Agnelli não conhece esse público e cai, juntamente com o seu público, nas armadilhas do espertalhão.

Lula é um animal político de primeira qualidade, que usa o marketing político magistramente para os seus fins, nem sempre evidentes. Mas a perspectiva é, sem dúvida, as eleições de 2010 e o seu público não é mídia, ou os empresários, mas o "povão". Aquele que detém a maioria dos votos e decide as eleições.

Agnelli é um excelente executivo empresarial, mas que cometeu equívocos estratégicos e é pautado por Lula. Trouxe a Vale para o tamanho e valor devido, como uma multinacional brasileira, aproveitando as oportunidades de mercado, mas com falhas estratégicas, em relação ao posicionamento da empresa no mercado mundial.

O que Lula quer?

Fundamentalmente, mostrar que a privatização da Vale não foi um bom negócio para o pais. E que a Vale privada não atende aos "interesses do povo brasileiro". Gera mais emprego fora do que dentro do país. Investe fora e não no país.

Por que?

Porque a Vale é o caso mais bem sucedido da privatização realizada dentro do Governo FHC e o tema privatização x estatização vai ser um dos temas principais da Campanha de 2010.´

A expectativa é que os "tucanos" defendam a privatização da Vale, mostrando que deu certo e foi um excelente negócio para o país.

É absolutamente evidente a lógica de Lula. "Todo mundo" percebe, mas não consegue escapar da armadilha que ele cria, com as suas tiradas, algumas imbecis, mas que os outros respondem.

De quebra, Lula poderá aparelhar a Vale e tirar da sua diretoria os remanescentes da "turma do FHC", principalmente "aquela mulher do Paulo Renato".

O jogo é primário mas eficaz. Com a ajuda da mídia que entra pesado no jogo. Apesar de, muitas vezes, ser contra Lula, faz o jogo dele.

No processo de privatização da siderurgia e da Vale o Governo FHC cometeu um grande erro estratégico. Vendeu as empresas quando deveria ter feito uma parceria, ficando com 49% das ações, com aumento de capital do(s) sócio(s) privado(s).

Na ocasião, eu ainda não contava com o blog para registrar essa posição, que foi ouvida por poucos e desconsiderada. A lógica era cobrir os buracos do Tesouro Nacional. Nem isso fez.

A siderurgia mundial tem capacidade ociosa e foi um dos setores que mais sofreu com a recente crise financeira internacional.

Isso é uma questão estatística que deve ser melhor considerada, do ponto de vista qualitativo.

As capacidades produtivas tem idade e produtividade. As mais antigas, em geral, são as menos produtivas e tem custos totais maiores, incluindo os custos logísticos.

Numa crise, as que tem maior custo saem do mercado e não voltam. As mais competitivas voltam, com preços maiores e se recuperam economica e financeiramente.

O Brasil tem condições de ter uma siderurgia altamente competitiva, em termos mundiais. Não pode (nem deve) se amedrontar diante de um suposto excesso de capacidade e com eventuais "dumping" de sobrevivência.

O grande e maior risco é a expansão da siderurgia chineses que não tem esse medo. O único que pode confrontá-lo é o Brasil.

Lula está certo - na sua excepcional capacidade de perceber para onde o rio corre (o que poderia parecer evidente, mas não é) - e aproveita a "bobagem" feita por Agnelli, demitindo empregados no início da crise, para torpedear o que foi "a mais bem sucedida privatização feita pelos tucanos".

E esses, mais uma vez reagem mal e deixam Lula fazer prevalecer a sua versão: "a privatização da Vale foi (e é) ruim para o país. Por isso o Estado precisar retomar o comando da Vale".

Ou essa versão não vale?

 
 

Redução da jornada de trabalho

Cenários subsequentes

Supondo que a PEC de redução da jornada de trabalho e aumento do adicional por hora extra seja aprovado, qual será a reação do mercado?

Cada empresa reagirá de maneira própria, mas alguns comportamentos serão comuns.

As grandes empresas privadas, com grande número de empregados, adotarão medidas para aumentar a produtividade e controlar as horas extras. As grandes indústrias que ainda adotam as 44 horas irão exigir mais e com isso vão "explorar" mais os trabalhadores para produzir o mesmo em menos tempo. Aquele que não atender aos índices de produtividade serão substituídos. Não haverá aumento de postos de trabalho, tampouco de empregados e haverá redução das horas extras. Os empregados trabalharão menos horas, mais e receberão menos, no final do mês. Sentirão no bolso os resultados negativos da mudança e traídos pelas suas lideranças.

As grandes empresas capitalizadas acelerarão os investimentos em automação e buscarão, de forma mais intensa, a redução dos custos com a mão-de-obra.

Nas empresas médias a reação dependerá do seu mercado comprador. Se tiver uma carteira com boa evolução de vendas acabará tendo que admitir mais trabalhadores para dar conta dos pedidos. Se as suas condições de mercado não forem boas, provavelmente sairá desse. Isso ocorrerá, principalmente, para as empresas de médio porte que enfrentam a concorrência dos importados.

Terão aumento de custos, perda de competitividade, sem capacidade de alternativas.

Um setor crítico é o da construção civil, dominado por empresas de médio porte, sem grande capacidade de investimento em automação, e sem melhor planejamento: acabarão tendo que arcar com o aumento de custos e muitas sairão do mercado. Substituidas por empresas maiores. A tendência será a maior concentração empresarial.

O problema do volume de empregados esta nas empresas de pequeno porte, onde o comportamento reativo típico é apelar para a informalidade ou o PJ, ou seja, para a contratação de pessoas jurídicas.

Substitui a contratação de empregados por serviços prestados por pessoas jurídicas. Nesse segmento a tendência é de redução dos empregos formais.

O impacto negativo maior estará no serviço público e nas empresas estatais.

Não haverá grande impacto direto na redução da jornada de trabalho, porque na maioria dos casos, o regime já é de 40 horas (8 horas por dia, durante cinco dias úteis). Em alguns casos, até menos: 30 horas semanais.

A questão está na "indústria da hora extra", amplamente utilizada para aumentar a remuneração mensal dos servidores públicos e empregados de estatais. Com a conivência das chefias.

O impacto final poderá ser o aumento da carga tributária, para poder arcar com o aumento do custeio das máquinas administrativas.

O resultado efetivo da mudança não será o que esperam os trabalhadores e os próprios parlamentares.

Prevalecerão os chamados "efeitos perversos" e os trabalhadores sentir-se-ão traídos.

Na França, os socialistas que impuseram a redução da jornada de trabalho perderam as eleições.

No Brasil, qual será o impacto eleitoral?

 
 

Redução da jornada de trabalho

Aprovação da PEC

Está em vias de aprovação final a PEC que reduz a jornada de trabalho máxima de 44 horas, previstas na Constituição Federal para 40 horas e aumenta o adicional das horas extras de 50% para 75%.

Esse mudança passou a ser a princípal reivindicação dos trabalhadores sindicalizados, liderados pelo deputado federal e presidente da Força Sindical, Paulinho da Força.

É uma batalha que já tem quase 10 anos, que vem ganhando força, com base em conta simples (ainda que equivocadas) segundo a qual com a aprovação das medidas propostas haveria um aumento de empregos, reduzindo o desemprego.

Essa versão se tornou hegemônica e, seduziu a maioria dos parlamentares, com uma tímida e genérica reação empresarial que argumenta com os riscos inflacionários.

Na prática não vai ocorrer nem uma coisa, nem outra. O resultado mais provável é o aumento da informalidade.

O problema é que as Centrais Sindicais e os sindicatos organizados não representam a totalidade dos trabalhadores. Representam apenas os trabalhadores celetistas e apenas uma parte desses: os que estão contratados pelas grandes empresas.

A legislação é definida para esse segmento que, na realidade, tem capacidade de reação e ajuste.

A lógica das Centrais Sindicais não é técnica, mas ideológica. Baseia-se ainda na "luta de classes". O argumento é aritmético, mas eles vendem a crença, junto aos trabalhadores e à sociedade de que os patrões "exploram" os trabalhadores exigindo que trabalhem 44 horas ou mais por semana, com um pagamento adicional de 50% das horas extras.

Com as novas regras, os patrões seriam obrigados a contratar mais trabalhadores em vez de continuar explorando-os e os trabalhadores teriam uma jornada menor, podendo usufruir mais tempo com a família ou com o lazer. Sem prejuizo de remuneração.

Para os patrões, essas regras aumentariam os seus custos, pois supõe-se que eles continuariam usando o trabalhador 48 horas, tendo que pagar 4 horas adicionais, com um acréscimo de 75% e mais 4 horas com acréscimo de 25%, pois sobre essas já estariam pagando mais 50%.

Se essa fosse a reação real os trabalhadores celetistas afetados ficariam mais felizes. Entre trabalhar apenas 40 horas, com o mesmo salário, dando lugar a um companheiro que estaria desempregado, ou trabalhar 48 horas, ganhando quase 20% a mais.

O próprio trabalhador não está à busca de menos horas de trabalho. Ele - em geral - prefere trabalhar mais e ganhar mais.

O cenário mais provável como consequência dessas novas regras é de aumento do desemprego. Por exigência dos patrões de maior produtividade, eliminando as horas extras.

 
 

Copa 2014, Olimpíadas 2016

Interesse inusitado

O Brasil que já estava no alvo de investidores estrangeiros, em função da Copa 2014, passou a ser visto com interesse ainda maior depois da escolha do Rio de Janeiro, como sede das Olimpíadas de 2016.

O Presidente do SINAENCO o Sindicato da Arquitetura e Engenharia Consultiva, nem bem chegou de Londres onde apresentou as oportunidades de investimentos com a Copa 2014 para empresários ingleses, já volta à Europa para um evento empresarial em Barcelona e retorna para um encontro com uma missão de empresários italianos na FIESP.

A Copa 2014 vai ensejar, primeiramente, a realização de investimentos para reforma, modernização, ampliação ou construção de estádios, orçados - na média - em R$ 400 milhões por estádio. Haverá alguns mais onerosos, com o de Brasília que poderá chegar a um bilhão de reais e outros com investimentos menores, como a Arena da Baixada, com orçamento estimado em R$ 130 milhões, sem considerar os "penduricalhos" exigidos pela FIFA.

O orçamento total para os estádios deverá ficar em torno de cinco bilhões de reais, fora os investimentos para o entorno desses. A maior parte desses investimentos será destinada à construção civil, porém há todo um suprimento de materiais para o "mobiliário" dos estádios. A própria construção implicará em novidades, em função das concepções de estádios sustentáveis e da cobertura. Há uma disputa tecnológica em relação à cobertura. E uma das discussões, ainda pouco desenvolvidas é sobre a utilização de material já produzido no Brasil, ou importados.

Os sistemas de suprimento de energia e iluminação deverão absorver parte dos investimentos, igualmente com inovações tecnológicas. Mas os tradicionais geradores, em regime de back-up, para a garantia da continuidade do suprimento deverão estar presente. Também se coloca a questão dos produtos nacionais x importados.

Os sistemas de som e imagem estarão voltados não apenas para a informação ao público, mas também - e, principalmente - para a segurança. Telões, monitores, captadores de imagens, decodificadores, processadores e outros hardwares darão suporte a todo um conjunto de softwares de monitoramento do público. A movimentação desse e seu direcionamento é outro grande objeto dos sistemas. Uma das maiores preocupações da segurança é o tempo de evacuação total do público, seja nas condições normais de término do jogo ou de eventuais tumultos.

Ainda dentro dos estádios, além dos bancos individuais, para os quais também há disputa tecnológica, em função do conforto, durabilidade e reação a eventuais incêndios, há todo um mobiliário para as cabines, para os loungues, vestiários, sala de imprensa, zona mista, etc.

Fora, mas junto dos estádios deverão ser supridas as villages, para os patrocinadores e seus convidados, assim como para as autoridades e convidados da FIFA. É uma oportunidade para os organizadores e supridores de feiras e exposições. Envolvem construções e utilizações temporárias, porém algumas delas poderão ter maior permanência.

Os estacionamentos são uma necessidade e exigência. O seu atendimento segundo construções permanentes, no entanto, enfrenta uma questão de uso posterior à Copa e fora dos dias ou horários de jogos.

As situações são distintas em relação a cada caso.

A implantação de estádios nas diversas capitais do país, segundo o modelo "Maracanã" ou "gigantões", em geral com aumentativos, fez com que os estádios fossem implantados em áreas periféricas, com espaços vazios em torno. Ao longo do tempo essas áreas foram sendo ocupadas, assim como as áreas mais distantes, além do estádio, seguindo um processo de expansão urbana.

Esses passaram a ficar em áreas intermediárias da cidade. A viabilidade econômica dos estacionamentos está no seu uso como pontos de transferência inter-modal.

O Morumbi é um caso excepcional com um entorno ocupado por residências de alto padrão, com baixa densidade de uso dos terrenos e pouca atividade comercial ou de serviços no entorno (exceto o Hospital Albert Einstein). Dessa forma, fora o funcionamento como estacionamento de transferência a sua demanda fora dos horários de jogos, será pequena, não compensando os investimentos. A menos da cobrança de preços elevados quando dos jogos. Um padrão mínimo seria de R$ 50,00 com vagas nas áreas mais distantes do acesso e da saída, podendo chegar a R$ 150,00 com serviço VIP, e com maior facilidade de chegada e saída.

As alternativas de estacionamentos menos oneroso ficariam fora de um bolsão de cerca de 1,5 km de distãncia do estádio. Além disso haveria uma rede de estacionamentos em nós logísticos, com serviços de vans, para o estádio.

O Mineirão é outro caso incomum, incrustrado numa área, predominantemente residencial, porém com grandes espaçoso em torno, por estar agregado ao campus da Universidade Federal que é a proprietária da área. Não precisa construir edifícios garagens, mas também tem demanda fraca, fora dos jogos.

O Castelão, em Fortaleza, está cercado por uma ocupação residencial de baixa renda. O que ocorre também com o Mangueirão, em Belém do Pará, não selecionado como sede. O Verdão, em Cuiabá, está numa área de transição entre uma ocupação verticalizada de classe média e de  pequenas casas de classe mais popular. Não tem demanda fora dos períodos de jogos. Considerando, ademais, nesse último caso, que a demanda - mesmo em dias de jogos - é pequena.

Fonte Nova, em Salvador, Castelão, em Natal, Vivaldão, em Manaus, Beira Rio, em Porto Alegre, Arena da Baixada, em Curitiba e o próprio Maracanã, no Rio de Janeiro, foram cercados pela expansão urbana, localizados dentro dos respectivos "centros expandidos" das cidades. Em meio a ocupações comerciais de lojas, escritórios, consultórios e outros serviços, podem ter uma demanda mais permanente, fora dos períodos de jogos, para os seus estacionamentos.

No Recife, os estádios atuais estão dentro da cidade, mas a proposta é a construção de um estádio novo, em área de expansão urbana.

Brasília é outro caso "sui-generis", com ampla disponibilidade de área de estacionamento junto ao estádio e grande carência na Esplanada dos Ministérios e em pólos comerciais e de serviços mais antigos. Os novos tendem a se basear em grandes shopping centers, com estacionamentos próprios.

O maior uso das áreas junto ao estádio dependeria de um serviço de vans ou similiares para o transporte até a Esplanda dos Ministérios.

 

O atendimento aos turistas para a sua pousada, alimentação e movimentação dentro das cidades e entre essas geram grandes oportunidades de investimentos e negócios.

Disso trataremos adiante.

 

 
 

Pre´sal

 

Deus não é só brasileiro

Um artigo do New York Times (27/09/09), sob o título "Petróleo em toda parte: ano de explosão de descobertas" mostra que Deus não colocou apenas petróleo no pré-sal brasileiro para Lula descobrir, como ele pretende que os outros acreditem.

 

"A indústria do petróleo teve em uma onda de sorte neste ano, graças a uma série de grandes descobertas que reacenderam o entusiasmo em todo o setor petroleiro, apesar da queda dos preços e dos problemas econômicos.

Essas descobertas, que abrangem cinco continentes, são resultado de investimentos consideráveis que começaram no início desta década, quando os preços do petróleo subiram, e de novas tecnologias que permitem aos exploradores perfurarem em profundidades ainda maiores e quebrarem rochas ainda mais duras."

O Brasil ilustra a matéria, com uma foto, mas não há destaque para o pré-sal da Bacia de Santos. O maior destaque é dada a uma descoberta no Curdistão, ao norte do Iraque. Por uma petrólifera de menor porte.

"Mais de 200 descobertas foram divulgadas até agora neste ano em dezenas de países, incluindo a região curda no norte do Iraque, Austrália, Israel, Irã, Brasil, Noruega, Gana e Rússia. Elas foram feitas por gigantes internacionais como a Exxon Mobil, mas também por companhias menores, como a Tullow Oil.

Só neste mês, a BP disse que encontrou um campo gigante em águas profundas que pode vir a ser a maior descoberta petrolífera de todas no Golfo do México, enquanto a Anadarko anunciou uma grande descoberta em uma região "estimulante e altamente promissora" em Serra Leoa.

É normal para as companhias descobrirem bilhões de barris de petróleo a cada ano, mas o ritmo deste ano foi excepcionalmente rápido. Novas descobertas de petróleo totalizaram cerca de 10 bilhões de barris na primeira metade do ano, de acordo com o IHS Cambridge Energy Research Associates. Se as descobertas continuarem no mesmo ritmo até o fim do ano, é provável que atinjam o nível mais alto desde 2000. "

Embora reconheça a importância das novas descobertas essas são consideradas incomparáveis com as descobertas dos anos setenta.

"Apesar de serem consideráveis, as novas descobertas não se comparam às reservas gigantescas descobertas nos anos 70, como na Baía Prudhoe no Alasca, o Ekofisk, no Mar do Norte, ou Cantarell, no México. Elas também ficam menores se comparadas à última enorme descoberta, o campo Kashagan, no Mar Cáspio, encontrado em 2000 e onde se estima existirem mais de 20 bilhões de barris de petróleo.

"Não vimos nenhum outro Kashagan, mas ainda assim essas descobertas são muito significativas", disse Alan Murray, gerente dos serviços de exploração da Wood Mackenzie, uma firma de consultoria em Edimburgo, na Escócia.

Desde o começo dos anos 80, as descobertas não conseguiram se equiparar ao ritmo do consumo mundial de petróleo, que no ano passado atingiu 31 bilhões de barris. Em vez disso, as companhias conseguiram expandir a produção encontrando novas formas de extrair mais petróleo das reservas existentes, ou produzindo petróleo através de fontes não convencionais, como as areias de alcatrão do Canadá ou o petróleo pesado da Venezuela.

Uma das maiores descobertas neste ano foi feita por um pequeno produtor, a Heritage Oil, no campo Miral West One, na região do Curdistão, norte do Iraque. Ela descobriu quase dois bilhões de barris de petróleo e planeja perfurar um segundo poço antes do final do ano. Enquanto o governo central do Iraque teve dificuldades em atrair investidores para desenvolver seus imensos campos, as autoridades locais do Curdistão tiveram sucesso em conseguir produtores estrangeiros.

Enquanto isso, no Golfo do México, a descoberta da BP prova que a área continua sendo uma das mais promissoras regiões de petróleo do mundo nos Estados Unidos. A BP estima que o campo Tiber tenha entre quatro a seis bilhões de barris de petróleo e gás, o que seria suficiente, em tese, para atender à demanda interna por mais de um ano. "

O que a matéria do NYT indica é que os preços do petróleo continuarão instáveis, ainda que em torno de US$ 60 o barril.

O petróleo do pré-sal da Bacia de Santos ajudará em muito acelerar o crescimento econômico brasileiro, mas o seu tamanho absoluto e relativo é ainda pequeno dentro do quadro mundial de petróleo. Com o pré-sal as nossas reservas podem chegar a cerca de 15 bilhões de barris, ainda muito longe dos 90 bilhões da Venezuela.

 Terá grande importância, contribuindo para a atração de investimentos. Porém terá como sequela a chamada "doença holandesa", com uma depressão da taxa de câmbio e perda de competitividade das exportações brasileiras.

O Brasil é e continuará sendo um importante exportador de commodities e para continuar sendo competitivo precisa reduzir os custos logísticos.

O planejamento estratégico do Brasil com o pré-sal (para os anos vinte) deverá priorizar a infraestrutura logística, principalmente nos modos ferroviário e dutoviário. E ainda no sistema portuário.

O que mais será afetado será a indústria que, terá menos competitividade para exportar e enfrentará maior concorrência dos importados.

A médio e longo prazos, a indústria brasileira terá que se planejar com um câmbio ao redor de R$ 1,50 o dólar norteamericano, com viés para baixo.

Para isso é fundamental considerar a redução da carga tributária, com a compensação da redução de tributos que incidem de forma genérica sobre a produção, com as receitas do pré-sal.

Sem esse planejamento o petróleo do pré-sal, em vez de ser uma grande bênção, poderá ser uma maldição.

 
 

Minha casa, minha (di)vida

Sucesso na classe média

O Salão Imobiliário de São Paulo é um sucesso, com indicação de que o programa "Minha Casa, Minha Vida" também o é. Mas junto a uma população de renda acima de 6 salários minimos, portanto já fora dos subsídios governamentais.

Como produção de mercado, praticamente não há imóvel de valor menor que R$ 100 mil e mesmo do limite de R$ 130 mil, que é o estabelecido no Programa Minha Casa, Minha Vida.

Em alguns casos há até propaganda enganosa, como o lançamento "Viva Alegria" da Brookfield (antiga Brascan) em Cajamar, onde se coloca "O Governo paga para você até R$ 23.000,00*". A chamada, naquelas letras miudas diz "subsídios cedido pelo Governo, conforme o Programa Minha Casa, Minha Vida".

Ocorre que o menor preço do imóvel oferecido nesse lançamento é de R$ 90 mil, muito acima do limite estabelecido para a faixa de 0 a 3 salários mínimos, onde o valor é o referido de R$ 23 mil. Poderia alcançar a faixa de 4 salários mínimos, onde o subsídio é de R$ 16 mil, desde que o interessado entre com uma entrada da ordem de 10% do valor.

Por outro lado, a demanda do programa não vai reduzir, diretamente, o déficit habitacional. Esse déficit é caracterizado pela precariedade das condições fisicas do imóvel (usual em favelas e loteamentos irregulares), assim como pelas condições sociais (excesso de pessoas dentro de um mesmo imóvel) ou econômicas (encargos com aluguel acima de um terço da renda).

A principal demanda é das pessoas que estão morando de aluguel, ainda que com encargos inferiores a 1/3 mas buscam a casa própria, uma vez que com as novas condições de financiamento poderiam - com uma entrada - pagar prestações menores que o valor dos aluguéis.

A demanda secundária é de pessoas já proprietárias, em busca de uma melhoria das condições de moradia ("up grade") dai a maioria das ofertas serem de apartamentos em "condominios clubes", sempre com piscinas, play-ground, etc. Mas também cada vez mais longe.

Ou seja, a maior parte da demanda não é nova, mas de substituição. O imóvel novo comprado, abre um imóvel usado, em geral, alugado.

Isso poderá reduzir os preços dos aluguéis e, com isso, atender a uma população de menor renda?

Esse seria o cenário otimista do programa habitacional. A mensuração dos resultados do programa não seria pelo número adicional de imóveis construidos, o que resultaria na efetiva redução do déficit habitacional, mas pela quantidade de financiamentos concedidos.

O Programa criaria uma "corrente virtuosa".

O cenário pessimista considera duas suposições desfavoráveis. A primeira de que a demanda pela substituição do aluguel pela casa própria é limitada, remanescendo apenas a demanda pela graduação de moradia. A segunda, em eventual contradição com a primeira, de que com a queda dos valores de alugueis, deixaria de haver a produção de imóveis mais simples para aluguel. Com uma redução, no conjunto, da produção imobiliária.

Nesse caso, a produção imobiliária passaria a ser cada vez mais concentrada pelas grandes incorporadoras, com a redução dos pequenos construtores que ainda são os maiores produtores.

Com o programa "Minha Casa, Minha Vida" está se desenvolvendo uma grande mudança estrutural do mercado imobiliário, que poderá ter continuidade e se consolidar, ou ser uma montagem em cima de fundações rasas que poderão não sustentar o que está sendo construido. Ou em outros termos, ser uma bolha que irá estourar mais adiante, gerando o subprime brasileiro.

 

 
 

Pré-sal

Quem mais está se preparando para o pré-sal?

A Petrobras é a que mais está se preparando para a "era do pré-sal", mas ela mesmo não integralmente. Há ainda uma série de dúvidas sobre o que será a Petrobras 2020, com uma produção de petróleo, mais que o dobro do atual, apenas com um dos poços do pré-sal.

Como será a sua estrutura organizacional? Como estará estabelecida a sua logística terrestre e portuária?

Estados e Municipios estão animados com as receitas futuras, mas não sabem como irão gastar tais recursos (que ainda são eventualidades).

O Governo Federal, ansioso para aprovar o marco regulatório promete destinar recursos para educação, saúde, assim como benesses para os Estados e Municipios.

Ainda não vi ou ouvi ninguém propor aproveitar o potencial de receita para reduzir a carga tributária. O que será essencial para compensar a perda de competitividade dos produtos brasileiros perante os concorrentes externos, diante da inevitável queda da relação cambial.

O planejamento futuro do Brasil terá que ser feito com o dólar norteamericano oscilando em torno de R$ 1,50 (segundo os valores correntes atuais).

A perda da cultura de planejamento faz com que os planos formulados ainda estejam voltados para superar os déficitis e não as projeções das necessidades futuras.

No caso da Baixada Santista, em particular Santos, duas novas demandas demográficas deverão ser consideradas, que poderão ser benesses ou maldições.

De uma parte, com o envelhecimento geral da população, Santos deverá receber volumes crescentes de idosos paulistas que, ao se aposentarem, vão preferir morar em Santos. A cidade estará preparada para esse perfil da população?

De outra parte, as obras irão atrair migrantes, grande parte de baixa qualificação, que depois de concluida a fase da obra, são demitidos e não voltam aos locais de origem. Ficam na região e vão ampliar as favelas.

Não basta planejar a cidade formal. É preciso cuidar do planejamento da "cidade informal". Um processo inevitável.

 
 

Era do petróleo

O fim está próximo?

Há uma certa descrença sobre a exploração do petróleo do pré-sal, baseada na suposição de que a era do petróleo está no fim e esse óleo, ainda a principal fonte energética do mundo será substituida por outras fontes, menos poluentes e, ao longo do tempo, mais baratas.

Tem sido citado que a idade da pedra não acabou por falta de pedras. A era pode ter terminada, mas a pedra não. Que continua sendo um importante insumo para a construção civil e outros usos que marcaram a sua era. E substituida por outros.

O petróleo continuará sendo, por muitos anos ainda, o principal combustível e insumo para os produtos petroquímicos.

Os seus concorrentes terão ainda uma grande distância a percorrer, até se tornarem um insumo globalizado.

As inovação em estágio de pesquisas levarão muito tempo para chegarem ao mercado e se expandirem.

Dois casos vem sendo citados como indicadores do fim da era do petróleo: o etanol de terceira geração e o carro elétrico.

O dito etanol de terceira geração, do ponto de vista tecnológico está mais distante do que os milhares de quilometros do pré-sal.

Os vegetais contém uma parcela de material celulótico, em maior ou menor proporção. Desse material é possível - em tese - extrair etanol. Hoje se extrai o etanol da cana de açúcar, aproveitando o seu caldo. Mas há etanol ainda no bagaço que foi triturado e também na palha que foi deixado no campo. Um pé de cana, segundo especialistas, poderia produzir o triplo de etanol do que é extraido hoje.

As pesquisas buscam a extração do etanol de diversos produtos, incluindo de rejeitos. Da mesma forma que o pré-sal gera a impressão de que irá salvar o mundo. Então seria uma ilusão contra outra. Qual delas será mais factível? Em quanto tempo?

A outra panacéia é o carro elétrico. Que já está no mercado e poderá alcançar uma participação importante no mercado mundial.

Só no Brasil, a frota registrada pelo DENATRAN é de 56 milhões de veículos, dos quais 32 milhões de automóveis. A estimativa da frota mundial é de 850 milhões de veículos, dos quais um terço estaria nos EUA. Cujo crescimento está estagnado. Em contrapartida a frota chinesa cresce rapidamente. Premoninantemente movidos por derivados de petróleo: gasolina ou diesel.

Estimativas otimistas dizem que até 2050, 25% da frota poderá ser movida a etanol. E o setor de carros híbridos, alardeia que nos próximos cinco anos, poderão ser vendidos até um milhão de carros.

Mais longes do que as perspectivas do pré-sal.

 

 
 

PIB

O que influi na evolução do PIB?

O PIB - Produto Interno Bruto - é o principal indicador que mede (ou deveria medir) a evolução da economia. E, como tal, tomado como referência para as projeções do futuro da economia.

As interpretações sobre a evolução passada, no entanto, não são unânimes e, no mais das vezes, desconsideram os fatores reais que determinam a sua evolução.

O PIB é um indicador macro-econômico que considera tudo o que foi produzido no país, num determinado período, confrontado com a demanda global nesse mesmo período. Uma parte da produção é destinada ao mercado externo e, em contrapartida uma parte de demanda é atendida por importações.

Por ser um medidor agregado, gera a impressão de que se trata de movimento ou de ação de um país. Então se diz que o Brasil cresceu, ou decreceu. Que a indústria evoluiu x %, ou que o investimento caiu y%.

Ou que o PIB determina a evolução de um determinado setor, por correlações.

Na verdade o PIB reflete o conjunto de decisões dos agentes econômicos, individualmente. O seu ato de comprar ou deixar de comprar afeta o resultado do PIB. Individualmente representa pouco, mas o chamado Consumo das Famílias, que é medido no PIB, nada mais é que a somatória de todos os atos de compras de todos os que estão no Brasil, no período considerado. Incluindo a compra feita por turistas de passagem pelo Brasil.

Do lado da produção, o PIB reflete as decisões e ações dos agentes produtores, ou sejam, os empresários que produzem os bens e serviços que são consumidos pela população. Incluindo o consumo intermediário, realizado pelas próprias empresas, dentro da cadeia produtiva.

O que influi nessas decisões dos produtores que fazem com que, no conjunto, o PIB global ou setorial cresça ou decresça?

Em situações normais, a crença dos economistas é que o principal fator influenciador do comportamento dos agentes econômicos é a política monetária. Os raciocínios tendem a ser simplistas, acreditando que se a taxa de juros cai, a produção é estimulada e cresce. Ao contrário, se a taxa de juros sobre, há uma contenção na produção.

Em épocas de crise, essa equação não funciona de forma tão simples e automática.

Porque decorrendo de ações humanas (não esquecendo que o empresário, o consumidor, são pessoas com as suas lógicas, as suas emoções, com os seus arroubos e seus medos) o fator psicológico pesa, principalmente em momentos de crise. As lógicas não são as mesmas dos tempos comuns.

Há os que dizem exitir um "espírito animal do empreendedor" que move a economia e que é fortemente afetado em momentos de crise.

 

Na dinâmica da economia moderna, a sua evolução é "puxada" pela demanda. Diversamente de tempos anteriores onde o conjunto da economia era "empurrada" pela produção. Na prática havia uma demanda reprimida pela insuficiência de produção (o que tornava os produtos disponíveis mais caros) e os aumentos de produção promoviam o crescimento da demanda.

Com o desenvolvimento tecnológico, os ganhos de produtividade, os aumentos de produção e a globalização, a produção não se antecipa ao consumo, à demanda. Mas nessa equação há um fator interativo importante que são os investimentos.

Os investimentos, nas contas nacionais, são caracterizados como demanda. Significa que os agentes econômicos compram bens e serviços para criar ativos que irão produzir outros bens e serviços no futuro, seja para o consumo familiar ou para novos investimentos. Por isso mesmo, a denominação oficial dos investimentos é "Formação Bruta de Capital Fixo".

Assim, o agente produtor, seja o industrial, o agrícola, minerador ou de serviços é de um lado produtor, atendendo às demandas imediatas do mercado e, de outro lado, um comprador, seja para produzir os seus bens ou para os seus investimentos em ativos fixos.

O que o leva a produzir e a investir?

A sua decisão de produzir é baseada na demanda efetiva e nas suas expectativas de evolução a curto prazo. Produz para atender aos pedidos e nem sempre tem fôlego financeiro para formar grandes estoques.

A sua decisão de investir é baseada exclusivamente em expectativas (a menos de poucas exceções, para atender a contratos de atendimentos futuros já firmados).

Ou seja, as suas decisões tem sempre uma forte componente psciológica, que se baseia em crenças e expectativas, a partir da sua interpretação das realidades e dos números.

Nesse sentido é fortemente influenciado pelos chamados "formadores de opinião". Mas trabalha com uma realidade de pessoas que mal sabem quem são esses formadores de opinião.

O que aconteceu com o PIB brasileiro em 2008.

Até o início de setembro, as expectativas dos produtores brasileiros eram muito otimistas, apesar do mercado norte-americano estar enfraquecido com a crise do mercado imobiliário, em função dos créditos podres do subprime. Os bancos norteamericanos estavam contabilizando as suas perdas, escondendo parte dessas.

O consumo familiar mantinha, de forma sustentável, um elevado crescimento e se acreditava que decorria da política social do governo (bolsa família, melhoria do salário mínimo) e da ampliação do crédito. Principalmente para os bens de consumo durável. Não obstante a taxa de juros continuar muito elevada.

(Os economistas acreditam e insistem em fazer os demais acreditarem que toda a economia é comandada pela taxa de juros).

Quando a crise do subprime levou à quebra do Lehmann Brothers, em setembro de 2008, o mercado mundial entrou em pânico, com o medo do contágio, vaticinando uma crise mundial, pior que a de 1929.

Esse medo de contágio, provou o contágio dos agentes produtivos brasileiros, apesar do Presidente Lula ter manifestado a sua opinião (ou impressão) de que o "tsunami" chegaria ao Brasil de forma acentuada: uma "marolinha".

Alguns dirigentes empresariais como o da Vale do Rio Doce tinham razões para frear a sua produção, pois estavam em disputa com os chineses, por conta do preços e esses tinham feitos enormes estoques para negociar. Efetivamente suspenderam inteiramente as compras.

Outros, mais voltados para o mercado interno, mal influenciados pelos "formadores de opinião" cortaram a produção, suspenderam os investimentos e tiveram que enfrentar no início de 2009, a falta de produtos para venda. Não chegou a haver um desabastecimento, mas os que pararam perderam posições de mercado, principalmente para concorrentes importados.

Com o receio da retração, produtores nacionais cortaram a produção, com efeitos imediatos. Já os importados, estavam - em muitos casos - a caminho e não podiam ser devolvidos. Chegados ao Brasil, ao contrário das expectativas do produtores nacionais, venderam e abasteceram o mercado.

O resultado global foi uma brusca queda na produção global e nos investimentos. O PIB que vinha crescendo a taxas superiores a 6% na comparação entre os trimestres, caiu no último para 1,3%. Na comparação do quarto trimestre com o terceiro, considerando os ajustes sazonais, a taxa foi negativa em 3,6%.

As quedas mais acentuadas foram na indústria.

A lenta recuperação

Nos dois primeiros trimestres verifica-se uma recuperação na produção.

O que continua fraco são os investimentos

As perspectivas

Considerando que o fator principal das decisões e ações dos agentes econômicos produtores é a expectativa, o PIB ainda em 2009 deverá crescer, voltando no quarto trimestre a um crescimento da ordem de 6% sobre o quarto trimestre de 2008, o que não será nada de excepcional considerando a queda nesse período.

A questão é avaliar se em 2010 haverá condições de sustentar um crescimento trimestral acima de 6%, levando o crescimento anual a mesma taxa média.

E, como se configurarão os cenários de 2011 a 2014?

O ambiente geral, que afeta as expectiativas, será de otimismo. Mesmo que o resto do mundo demore para uma retomada pós-crise. Para o Brasil, o maior risco será a China. Dado o crescente comprometimento das exportações brasileiras para a China e pelas estratégias dela para vender os seus produtos no Mundo.

Essas expectativas favoráveis se baseiam em perspectivas estruturais como a exploração do petróleo do pré-sal.

Dentro de uma tendência de crescimento, da ordem de 6% ao ano, cabe avaliar que situações podem afetar para mais ou para menos essa tendência estrutural.

 
 

Globalização

Multinacionalização da empresa brasileira

Quando emergiu a onda da globalização, no final dos anos oitenta, o Brasil carecia de empresas multinacionais de origem brasileira.

A Petrobras era uma das poucas empresas com produção no exterior. Assim mesmo, contida e concentrada na América Latina. A Vale, ainda estatal, participava de uma siderúrgica no EUA. Metal Leve tentou abrir estabelecimentos no exterior, mas acabou sendo absorvida por uma empresa alemã. A Embraco se multinacionalizou antes de passar a ser contrlada pela Whirpool, então sua sócia minoritária. A Weg era outra, com estabelecimentos no exterior, mas no conjunto não passava dos dedos das duas mãos.

Algumas exportadoras tinham escritórios no exterior, mas não atividades industriais.

Esse era o grande ponto fraco do Brasil para se inserir - efetivamente - na globalização que, dessa forma, foi mais entendida como abertura do mercado brasileiro para importações, do que uma relação de dupla mão, com o mercado mundial.

A abertura fez com que algumas das grandes empresas brasileiras se lançassem para o exterior, como a Gerdau e a Votorantim.

Mas faltavam empresários mais ousados, com uma visão de atuação como multinacional. O grupo de João Paulo Leheman abriu o caminho com a Ambev, tornando-a uma transnacional. Que, diferentemente, da multinacional não tem origem em apenas um país, mas é uma associação de acionistas ou grupos de diversos países, atuando no mundo.

Agora o Jr da JBS deu um grande salto, concretizando duas compras: uma no Brasil, o Bertin, e outra no EUA.

Com isso transformou-se na maior empresa mundial de processamento de carnes e consolida a vocação brasileira como processadora de carnes. A BRF (ex-Perdigão) com a fusão (ou aquisição) da Sadia segue o mesmo caminho. E o Brasil será o principal polo empresarial das empresas do setor.

Trata-se de uma nova era, ainda insuficientemente percebida pela sociedade brasileira, ainda muito voltada para dentro.

 
 

Jogo

Regulamentação do jogo

Ia passar mais um dia, sem blog.

Mas o Guy pede-me para refletir e escrever sobre a regulamentação do jogo.

Eu, pessoalmente, não jogo e não gosto de jogo. Mas devo reconhecer que há um elemento cultural muito forte que leva as pessoas ao jogo.

Não vou discutir aqui a questão psicológica que leva as pessoas ao jogo. Mas vou me dedicar um pouco mais às avaliações do jogo, como atividade econômica.

A partir de amanhã.

 
 

Inovação

Transferência de tecnologia

Nas negociações sobre os aviões da FAB, assim como na licitação do trem-bala fala-se muito a transferência de tecnologia como um dos fatores determinantes da escolha. O que é um elemento virtual que pode nada valer.

Porque o detentor da tecnologia pode se dispor a repassar, mas não terá a quem. Ou poderá ter a quem, que nada saberá fazer com a mesma, porque não terá os recursos para efetivá-la em produto ou processo.

A transferência de tecnologia específica de produtos complexos e sofisticados como o trem de alta velocidade ou os aviões militares só faz sentido se o Brasil tiver uma estratégia ou política industrial para a sua produção no pais, com uma ou mais empresas dispostas a essa produção.

Não existe transferência tecnológica de um pais a outro (que são ficções institucionais) mas de uma empresa a outra, com distintas territorialidades.

As eventuais resistências de empresas em abrir suas tecnologias não está no receptor brasileiro, que poderá ser teórico, mas no aproveitamento de concorrentes, situados em outros territórios.

No caso dos aviões militares já houve um antecedente mal sucedido entre a Embraer e uma empresa italiana.

No caso dos aviões o principal interesse seria o da montagem final no Brasil, com um determinado índice de nacionalização, e a formação de uma base industrial para produção e exportação subsequente.

Um interesse secundário seria a transferência de tecnologia para efeito de manutenção que seria feita no Brasil.

Fora disso, a transferência de tecnologia poderá ser apenas um efeito retórico.

O mesmo vale para o trem-bala. Há algumas transferências obrigatórias como as necessárias para a operação. Ou seja, a operadora do trem, que será necessáriamente, no país terá que absorver as tecnologias.

Já a tecnologia dos produtos que serão utilizados no sistema dependerá sempre da existência de empresas sediadas no pais (o que venham a se instalar) para a sua produção. Sem o que ficará em promessas sem efeitos.

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