Desenvolvimento Sustentável

 
 

Copenhague

 

Esperanças e ilusões sobre Copenhague

A Conferência do Clima de Copenhague a se realizar no início de dezembro de 2009 deveria completar um novo acordo mundial, para dar sequência ao Protocolo de Kyoto, que vence em 2013.

O Protocolo de Kyoto estabeleceu obrigações assumidas pelos paises desenvolvidos de reduzir as suas emissões de gases de efeito estufa, com relação ao inventariado de 1990, isentando os paises em desenvolvimento ou menos desenvolvidos dessa obrigação, até o vencimento da primeira fase, que termina em 2013.

Paralelamente foi instituido o Mecanismo de Desenvolvimento Limpo - MDL, que deu substância aos créditos de carbono, permitindo que os paises desenvolvidos pudessem comprar créditos, para compensar o que não conseguissem reduzir em seus paises.

Os EUA firmaram o protocolo, mas não o ratificaram, ao perceberem que os mecanismos aprovados ampliavam a competividade dos produtos dos BRICs em detrimento dos produzidos no país. A negativa dos EUA não foi de caráter ambiental, porém estritamente comercial.

Para o novo acordo os paises desenvolvidos querem que os BRICs se comprometam, igualmente, com reduções, não os aceitando mais como "pobres coitadinhos" que precisam crescer poluindo e com o apoio financeiro dos ricos.

As negociações preliminares entraram em impasses, com os EUA e outros paises desenvolvidos mantendo as suas cartas fechadas enquanto os BRICs não abrissem a suas.

O Brasil que insistia na tese de que os em desenvolvimento não poderiam ter cerceado o seu crescimento e que toda redução deveria caber aos desenvolvidos que promoveram - durante anos - a formação do efeito estufa, resolveu mostrar as suas cartas, com uma nova metodologia.

Assumia o compromisso de reduzir a emissão dos gases em relação a um cenário tendencial, ou seja, no cenário do "se nada for feito". Em relação a essas emissões resultantes, comprometer-se-ia a reduzir em torno de 40%.

Abriu a possibilidade da China adotar metodologia similar. Ela se propõe a uma redução relativa sobre o crescimento do PIB. Avançou em relação à proposta brasileira que adotou estimativas do PIB. Incorporou a evolução do PIB também como variável.

Falta o posicionamento da Índia.

O que ficou para Copenhague é a aceitação ou não dessa metodologia pelos paises ricos. Porque eles assumem a obrigação de redução da emissão, em valores absolutos, tendo como parâmetros a emissão passada. Não é nem a presente.

Os BICs assumiriam compromissos em relação ao futuro, preservado o seu crescimento.

Dessa forma poderá não haver redução dos volumes de emissão em relação aos atuais, mas uma redução relativa.

Essa novidade de última hora poderá não estar suficientemente madura para o fechamento do acordo, até porque a Índia ainda não se pronunciou.

O que poderá resultar - o que foi costurado entre os EUA e a China - é uma "carta de princípios" onde a metodologia de redução relativa sobre o crescimento do PIB seja consagrada, aceita pelos paises desenvolvidos.

Dessa forma seriam estabelecidos três grupos de paises:

  • os que se comprometem a reduzir a emissão, com base num momento ou período passado;
  • os que se comprometem a reduzir a emissão em relação ao crescimento do PIB, considerando os cenários tendenciais;
  • os que ficarão ainda isentos de redução.
A segunda questão crítica é a manutenção ou não do Mecanismo de Desenvolvimento Limpo, ou seja, o comércio do crédito de carbono.
Poderá ser mantido para os paises menos desenvolvidos, como ocorre atualmente.
Com relação aos do segundo grupo, envolvendo os emergentes, o MDL deverá contemplar, no mínimo, o deságio da redução assumida pelo país.
Ou seja, se um projeto brasileiro dentro do MDL atual teria um crédito de carbono de 100, passaria a ter apenas 60, com a dedução dos 40 (ou pouco menos) que o pais esta se comprometendo a reduzir.

O terceiro ponto é a criação ou não do REED, mecanismo pelo qual os paises ricos pagariam pela preservação florestal, principalmente na Amazônia. O mais provável é a criação de um mecanismo voluntário, sem a comercialização da "manutenção da floresta em pé".

Apesar de não se chegar ao Acordo desejado, adiando-o por mais um ano, a perspectiva de um avanço, sem a acusação de culpados pelo fracasso, fará com que os principais líderes mundiais compareçam para ficar "bem na fita".

E Lula, estará entre os melhores.

Contrariando o que foi escrito anteriormente neste blog.
 
 

Copenhague

Fracasso confirmado

Foi um aborto.

Mataram a Conferência antes mesmo dela começar.

O fracasso foi confirmado, como alguns - inclusive este blog - previram.

Não porque se desejasse que fracassasse, mas porque as negociações estavam sendo mal conduzidas, focando nas questões erradas.

A Conferência do Clima não é uma questão ambiental. É, acima de tudo, uma questão econômica. Sem essa consideração não haverá avanços.

A questão principal é a competitividade relativa dos paises desenvolvidos perante os emergentes. Aqueles querem que os emergentes sejam tratados como "novos ricos". Com as mesmas obrigações dos "velhos ricos".

O Brasil sucumbiu às pressões a anunciou as suas metas, ainda que de forma ambígua. E não conseguiu que China e EUA mostrassem as suas cartas.

Para os ambientalistas brasileiros será uma frustração. E também para muitos empreendedores que contavam - como certa - a aprovação do REED.

O Brasil mostrou as suas cartas, mas dificilmente vai "ganhar o jogo".

Vai receber promessas vagas de dinheiro para ajudar na redução do desmatamento.

Mas vai ser cobrado para demonstrar que as suas metas são viáveis e não apenas "vagas intenções".

Com a antecipação do fracasso, o Brasil e Dilma poderão se sair bem.

Por ter antecipadas as metas, antes do anúncio norteamericano-asiático, não poderá ser acusado de culpado pelo fracasso.

E poderá cobrar metas e recursos dos demais.

Para o Brasil, o jogo virou.

Teria sido, mais uma vez a intuição de Lula, ou a sua estrela?

 

 
 

Copenhague

Uma aposta de alto risco (ou de risco certo)

Lula, na sua onipotência, embalado pela imensa popularidade interna, parece ter certeza que irá salvar a Conferência do Clima em Copenhague, a ser realizada em dezembro p.f.

Mantém a estratégia de responsabilizar os paises ricos pelo aquecimento global e vai fazer coro junto aos paises menos desenvolvidos para exigir fortes reduções das emissões dos paises ricos, sem oferecer - de pronto - qualquer contrapartida. Essa terá que ser paga pelos paises ricos para compensar o que fizeram no passado. É um conceito de "dívida" ambiental.

E mais: se o mundo quer que o Brasil preserve a floresta amazônica, deve pagar por essa preservação. Para que a floresta em pé, valha mais que derrubada.

Por estar convencido da validade da sua concepção e estratégias, não vai definir previamente qualquer meta e mandar Dilma Rousseff como chefe da Delegação Brasileira. Com isso pretende fazer com que o mundo, que o admira, conheça a sua sucessora.

Num ambiente repleto de ambientalistas, se a mulher que representa o Brasil fosse Marina Silva, Lula poderia ganhar mais respeito. Ao mandar uma adversária de Marina Silva, já quebra expectativas, e corre risco. Dilma será pressionada a responder - pela mídia ambientalista - sobre Marina, provavelmente, mais que sobre os temas ambientais.

A Conferência redundará em fracasso - já previsto por muitos - e será tomado pela "busca dos culpados". O Brasil é candidato a ser um dos principais culpados.

Como a cobertura da Conferência será - predominantemente - pela mídia ambientalista, a repercussão negativa da posição brasileira poderá afetar o quadro interno para 2010.

Dilma poderá sair da Copenhague, para o público interno, como alguém não preparada para o cargo de Presidente da República. Poderá sair com a imagem arranhada, pelas versões negativas, da mídia ambientalista.

Se tudo isso parece óbvio, só Lula não percebe, ou ele, na sua infinita perspicácia política, consegue enxergar o que os outros não veem.

Não se pode esquecer que a popularidade de Lula não é apenas interna, mas goza de uma imensa popularidade externa. Alcançada pelo seu carisma pessoal. Conseguirá transferir a sua imagem a Dilma?

Qual é a carta que ela levará escondida na manga do seu terninho?

 

 

 
 

Copenhague

Comprometimento do desenvolvimento

Uma das razões para o Brasil não querer assumir compromissos firmes de redução da emissão dos gases de efeito estufa (GEEs) seria o comprometimento do seu crescimento econômico.

A maior fonte de emissões, no caso brasileiro - diversamente de outros paises, incluindo a China - não é a indústria, tampouco a logística, mas o desmatamento das florestas.

O Brasil ainda tem muitas áreas para aumentar a sua produção agropecuária, sem necessidade de desmatar.

Reduzir o desmatamento não compromete o seu crescimento econômico. Uma grande parte do desmatamento está na pobreza e na incultura. A preocupação brasileira está em conseguir valorizar mais a floresta preservada do que desmatada.

Isso poderia fazer sentido para os grandes empresários do agronegócio, mas não aos pequenos que, sendo a maioria, acabam tendo uma atuação efetiva maior. Esses não tem muitas condições de desenvolver projetos para se beneficiar do REED ou outros mecanismos compenstórios. Poderão acabar presas de um enorme mecanismo de intermediação internacional, com a maioria dos recursos acabando na mão desses consultores e intermediários.

Para a redução das emissões do setor de transportes o Brasil tem alternativas, principalmente o biodiesel.

E tem, no reaproveitamento dos resíduos, um grande potencial.

Pode assumir metas de redução, sem comprometer o crescimento industrial.

Ao assumir metas, exigindo que os demais também assumam, em escalas maiores - no caso dos paises mais desenvolvidos - irá melhorar a sua competitividade.

Tem-se uma visão unilateral, mesquinha e equivocada, em relação aos compromissos. De que esses comprometem a competitividade dos produtos brasileiros. O acordo é mundial, todos tem que reduzir. Comparativamente o Brasil ganha competitividade relativa. Porque os outros perdem.

O Brasil só tem a ganhar comprometendo-se a reduzir a sua emissão de gases de efeito estufa e exigindo a contrapartida dos demais.

A impressão que dá é que a posição de Lula está influenciada pela lei do "ter vantagem em tudo".  

 
 

Copenhague

O fracasso anunciado da Conferência do Clima

Para frustração dos ambientalistas que ainda depositam esperanças de um acordo em Copenhague, agora em dezembro, esse não ocorrerá. Ou ocorrerá de forma parcial e insatisfatória.

Supostamente não há interesse dos paises ricos em reduzir a sua emissão de gases de efeito estufa. O que não corresponde à realidade. É uma visão distorcida de torcida.

O que paises ricos não aceitam é ter que arcar com a redução, enquanto os paises emergentes não se comprometem a iguais esforços e ainda querem se beneficiar das eventuais reduções, como ocorreu com o Protocolo de Kyoto. Quando os norte-americanos perceberam esse quadro, recusaram-se a ratificá-lo. Não por questões ambientais, mas por questões econômicas e concorrenciais.

Os ambientalistas veem uma disputa entre paises ricos contra pobres, o que também não corresponde à realidade. O confronto real é entre os paises ricos tradicionais com os novos ricos, entre eles o Brasil. Os paises efetivamente pobres são usados como massa de manobra.

O confronto, como já analisado aqui, é entre os paises emergentes - do qual Lula é portavoz, que dizem que os paises ricos já desmataram, emitiram os gases de efeitos estufa, poluiram e agora querem impedir que esses se desenvolvam, emitindo mais gases - e os paises mais ricos que contestam. Dizem que os emergentes já estão "grandinhos" e devem colaborar igualmente. Até porque se transformaram nos maiores poluidores fora os EUA.

Ou os paises emergentes concordam em estabelecer metas de redução dos GEEs ou não haverá acordo geral e cada qual deve buscar- segundo a sua consciência e possibilidades - reduzir as suas emissões. Cobradas pela comunidade ambientalista internacional.

Sem o acordo geral, o Protocolo de Kyoto irá caducar e com esse os créditos de carbono.

O Brasil é um dos principais protagonistas desse processo. Se mantiver a posição até agora adotada, não contribuirá para o acordo geral.

A falta de acordo, por eventual intransigência brasileira terá efeitos internos para 2010.

Marina Silva defende o compromisso do Brasil de redução das suas emissões, independentemente das contrapartidas dos paises ricos, o que deve ser negociado a parte. Passará a constituir uma oposição programática ao Governo Lula e à Dilma.

Poderá obter o apoio da classe média, o que afetará a candidatura Serra, mas colocará Dilma "numa saia justa". Aliás não me lembro de ter visto foto de Dilma de saia.

 
 

Coleta Seletiva

Ainda a neurolinguística

Para se ampliar a consciência ambiental da sociedade busca-se promover a educação ambiental. Cuja eficácia é baixa e temos aqui colocado a hipótese ou suspeita de que um dos responsáveis por esse resultado negativo seja dos termos e linguagem dessa educação.

Um dos maiores problemas de educação, em geral, é a tentativa de incutir nos educandos os mesmos conceitos, lógicas e linguagens do educador. A educação tradicional ainda se baseia na lógica da catequese.

A tendência moderna é a ênfase na aprendizagem. O que é preciso é conseguir que o educando aprenda: incorpore conhecimentos e passe a utilizá-los no seu cotidiano. Esse aprendizado se desenvolve pela integração do conhecimento ao seu ambiente e pelo seu uso.

Pretender que as pessoas, principalmente as de menor renda e nível cultural (que infelizmente ainda é a maior parte da população), se insiram num progama de coleta seletiva de resíduos sólidos por meio da educação ambiental é uma utopia. Ou segundo o dito popular "dar murro em ponta de faca".

Porque a linguagem e a prática está muito distante do seu cotidiano. Coleta do lixo é alguma coisa mais familiar, principalmente quando falha ou inexiste.

Ao longo do tempo, os moradores urbanos incorporaram a concepção de que a coleta do lixo é uma obrigação do Poder Público e que a eles cabe tão somente reunir o seu lixo doméstico em sacos plásticos e deixar na via pública nos dias previstos para a coleta.

E educação, num primeiro momento, busca evitar que as pessoas descartem o seu lixo na via pública, em terrenos baldios ou em cursos d'água, sejam córregos rios ou mesmo no mar.

O objetivo é de natureza ambiental e sanitário.

Num segundo momento busca-se valorizar o lixo, dai a colocação de substituição das denominações de lixo por resíduos sólidos e do descarte pela coleta. A primeira é correta ainda que excessivamente sofisticada. A segunda é um equívoco, embora dois lados de um mesmo processo. A nova proposição é substituir descarte por depósito. O que ainda contempla incongruências. Descarte na via pública - ainda que ensacado para a coleta - faz sentido. Depósito não. No caso, só serve quando se vai depositar em algum lugar ou recipiente específico.

O lixo está ligado a uma imagem de sujeira e de coisa sem valor que precisa ser descartado, ser jogado fora. Com a reciclagem e coleta seletiva quer se dar a idéia de que tem valor se for reaproveitado. Para isso, uma primeira noção relevante é separar o sujo do não sujo.

Do resíduo sujo é difícil eliminar a conotação de lixo. Do não sujo que também é caracterizado como resíduo seco é mais compreensivel para as pessoas que possa ser reutilizado ou reciclado.

A diferenciação entre orgânico e não orgânico é muito sofisticado e complexo.

Para as pessoas o que sobra é lixo. Pode se avançar para chamar de resíduo. Então promover a separação entre o sujo e o limpo.

Não se pode desconsiderar que no Brasil, na cozinha a predominância é de pessoas de menor renda e escolaridade. Seja da própria família como das empregadas domésticas.

Quem manuseia o lixo é, predominantemente, essa doméstica e qualquer linguagem que não lhe seja compreensível não terá impacto efetivo.

Pode ser desejável substituir o termo lixo por resíduo, mas é preciso que essa substituição seja entendida por quem o manuseia. Não pode ser um desejo teórico que fique apenas nas cartilhas.

 
 

Coleta Seletiva

A separação dos recicláveis domésticos

Todos os resíduos domésticos são, em tese, recicláveis. Na prática não tem viabilidade econômica, o que limita a sua efetivação. Fica limitado aos ambientalistas mais ativos que fazem a compostagem doméstica e outros meios para o reaproveitamento do lixo orgânico.

No geral, os restos de alimentos, com as suas embalagens ou utensílios sujos são reunidos num saco que é colocado para a retirada pela coleta pública comum. E que, depois, é levada a um "lixão" ou a um aterro sanitário.

Num aterro sanitário vai se tornar apenas uma cobertura física, sem outra utilidade a menos da formação de gás metano que pode ser utilizado para geração de energia. Num lixão a céu aberto dá margem à presença de catadores em busca de alimentos ou de materiais vendáveis. Um cenário de elevada degradação.

Com a reunião num único saco das embalagens limpas ou secas, juntamente com outros materiais recicláveis, levadas ou deixadas para a coleta seletiva, além do primeiro ciclo de transporte, há a necessidade de separação dos materiais para os diversos destinos que geram valor.

Tanto o primeiro ciclo de transporte, como a separação podem envolver os chamados catadores de resíduos.

São tarefas árduas, de pouca remuneração, mas que se tornam uma das poucas alternativas de renda para uma população deseducada que não encontra outras oportunidades.

Essa solução (o uso dos catadores) antes rejeitada passou a ser socialmente aceita e vem sendo amplamente desenvolvida. Nesta semana os catadores estão reunidos num grande evento nacional, com algumas seções internacionais.

Um processo amplo de conscientização e educação ambiental poderia conseguir que a separação já ocorresse dentro dos domicilios, mas enquanto isso não ocorre, a separação entre os resíduos alimentares e outros lixos orgânicos das embalagens secas e limpas, já seria um grande avanço.

A partir dai é preciso estabelecer unidades industriais de separação de materiais, linhas de desmontagem. Essas linhas podem ser operadas pelos ditos catadores, mas que seriam "separadores".

A atividade de separação é menos ponosa, mas ainda realizada em condições precárias. Ainda é uma atividade relacionada ao lixo e admitida como suja.

A sua melhor organização envolve dois riscos: o de maior automação com a redução do uso da mão-de-obra e sua formalização.

A atividade de coleta, embora seja um serviço, pode ser remunerada como venda de produtos. Como tal está se remunerando o produto e não diretamente o trabalho. No caso da separação, a remuneração seria diretamente do trabalho, o que implica numa relação trabalhista.

Isso implica numa elevação de custos, o que irá requerer a obtenção de maior valor dos produtos separados.

Esse maior valor é possível, uma vez que o valor para o comprador final é o equivalente à compra do insumo novo. A partir desse valor há que se deduzir os custos tributários e logísticos para chegar ao valor na ponta da separação.

Antes de afirmar que com a formalização do trabalho dos separadores inviabiliza a atividade é preciso avaliar as possibilidades de redução dos custos tributários e logísticos.

Os valores de cada material são diversos, em função do seu destino. Em função disso pode ser refinar mais ou menos os níveis de separação e limpeza.

(cont)

 
 

Coleta Seletiva

A geração domiciliar de lixo

O lixo (agora caracterizado tecnocraticamente como "résíduo sólido") é gerado nas moradias (casas, domicílios, residências, habitação) como consequência das atividades humanas, habituais dentro delas.

A principal e pouco substituível é a higiene pessoal. Secundariamente a alimentação, que é substituivel, inteira ou parcialmente. Pode-se chegar ao limite de comer tudo fora e não levar nenhum alimento para casa. O que é raro.

Quando a atividade alimentar é feita dentro de casa, incluindo o preparo de refeições passa a ser o principal gerador de resíduos, ou seja, de lixo.

A terceira atividade geradora de lixo é a lavagem e limpeza, seja da casa, das roupas ou utensílios. Embora o principal insumo seja a água, gera resíduos sólidos das embalagens dos produtos de limpeza, assim como da própria sujeira.

Uma quarta atividade, nem sempre presente, é a cultural ou intelectual, incluindo a comunicação, geradora de resíduos de papel. A leitura diária ou aperiódica de jornais e revistas gera resíduos. Inclui também, as atividades escolares ou educacionais. Moradias com crianças em idade escolar sempre geram "resíduos educacionais ou culturais".

O consumo de bens não duráveis ou semi-duráveis - não considerados as das atividades anteriores - geram resíduos das embalagens ou quando inservíveis.

Uma sexta atividade que requer separação e cuidados especiais são os remédios e os materiais utilizados no tratamento de saúde, particularmente para as casas que tem pessoas doentes. Deve ser separado e comunicado à coleta especializada.

A partir da percepção dos processos de geração de resíduos, pode-se buscar a formulação de estratégias e instrumentos para a sua sepração e descarte seletivo.

Aqui retomamos a questão linguística para efeito de informação e conscientização.

O que importa para as pessoas é o descarte seletivo. Elas não fazem a coleta seletiva. Ou seja, o termo coleta não tem um impacto comunicativo. Pouco diz às pessoas, a menos daquelas mais conscientizadas ou mais interessadas com a questão ambiental.

O processo da educação ambiental pretende que todos sejam ambientalistas. Todos tenham consciência ambiental.

Mas do ponto de vista pragmático o que interessa é que as pessoas façam o descarte seletivo do seu lixo. E para isso precisam fazer a separação do seu lixo. Dentro de casa. Fora de casa é outra questão, que comentaremos em outro momento.

Então: qual é a separação do lixo desejável - mas prática - para a sua maior reciclagem?

A primeira é dos recicláveis dos não recicláveis (pelo menos usualmente). Isso é difícil para a maioria das pessoas.

Então (novamente), a primeira separação é entre restos de alimentos, de higiene (papel higiênico / sanitário usado) e de limpeza dos demais.

Entre os restos de alimentos podem - pelo menos numa etapa inicial - ser reunidas embalagens sujas, ou sejam, as embalagens com restos de comida. Numa etapa subsequente pode-se pedir para as pessoas limparem ou lavarem as embalagens ou utensílios descartáveis usadas na alimentação para guardar separadamente.

Para uma conscientização ambiental uma estratégia mais eficaz é ir gradualmente, uma vez que o processo mental e físico é de separação. Pode-se começar com grande blocos para depois ir separando dentro dos blocos.

Os restos de comida (com exceção do óleo de fritura usado), de higiene e limpeza devem ser juntados como "lixo comum" em sacos apropriados e deixados nos dias aprazados para a coleta comum.

O restante do lixo (mais uma vez com exceção do óleo de fritura usado) - que em tese seria reciclável deve - num primeiro momento - ser reunido num saco e levado para um posto de recepção de recicláveis, chame-se de PEV, posto de entrega voluntária, de Estação de Reciclagem ou outro. Onde houver coleta seletiva deve ser deixado para essa.

Amanhã, continuaremos com o tema, para comentar sobre a separação doméstica do lixo reciclável. E mais adiante sobre o descarte seletivo fora de casa.

Bem, com relação ao óleo de cozinha ou fritura usado, que tem peculiaridades indicamos - para quem mora na região metropolitana de São Paulo - o programa Bióleo, que pode ser contactado através do endereço eletrônico: bioleo@institutopnbe.org.br ou no meu: hori@macbbs.com.br

 
 

Coleta Seletiva

Por que funciona mal?

Há um grande empenho para viabilizar ou ampliar a coleta seletiva do lixo nas cidades, mas com baixa eficácia.

Nas cidades onde está implantada a cobertura territorial é baixa, outras estão abandonando, fora as que nem iniciaram.

O objetivo da coleta seletiva seria a reciclagem ou reuso de resíduos dando lhes novas utilidades.

Do ponto de vista econômico, a viabilidade seria dada pela obtenção de uma receita pela venda dos produtos vendáveis para reciclagem superiores ao custo dos serviços de coleta.

Alguns materiais como a latinha de alumínio conseguem obter margens remuneradoras. Outros não.

Não basta a coleta. Uma atividade custosa e penosa é a separação.

Nessa atividade está um dos pontos cruciais do relativo fracasso da chamada coleta seletiva.

Que começa com a inadequação da denominação. "Coleta Seletiva" é uma denominação e visão de quem coleta. É um viés que parte do Poder Público para separar entre a coleta comum e a dita seletiva. Com isso não alcança na intensidade necessárias as pessoas geradoras dos resíduos, ou melhor, do "lixo".

Na tentativa de criar termos "politicamente corretos" piora a comunicação com o primeiro grande ator do processo: as pessoas. Pode-se dizer que parte do fracasso da coleta seletiva está na neurolinguistica.

Para viabilizar a "coleta seletiva" é preciso - em primeiro lugar - "conscientizar" os geradores a separarem os resíduos. A separação proposta - internacionalmente - tem um viés tecnocrático, entre papel, vidro, metal e outros, o que é uma linguagem inadequada diante da realidade do espectro de consumo moderno.

Para ampliar a separação dos resíduos gerados pelo consumo pessoal é preciso mudar a comunicação e as ferramentas.

O consumo pessoal compreende o conteúdo e o continente.

Para início de conversa: o conteudo se consome ou se usa. O continente não. O primeiro grande resíduo que sobra do consumo é o continente. Conhecido como embalagem.

Então, partindo da realidade do consumo pessoal, a primeira separação para o tratamento seletivo dos resíduos deve ser entre o conteudo e a embalagem.

O que deve ser facilitado e orientado é o descarte da embalagem.

As embalagens do consumo pessoal podem ser divididas, inicialmente, entre puros e compostos. Alguns são claramente identificáveis, dentro das categorias usuais, como caixas de papel, garrafas pet (plástico), ou de vidro, latas de metal, etc.

Mas o que é o saco de chips ou salgadinhos industrializados?

Quantos sabem que o saco é uma lâmina de alumínio e deve ser descartado como metal e não como papel?

O que é uma caixa de leite ou de sucos "tetra-pack"? É papel, é metal ou é plástico?

Na realidade todos os três. Então onde descartar? Se tiver dificuldade em decidir joga fora em qualquer lixo ou mesmo lugar. Dá muito trabalho em pensar qual é a lata certa.

No caso do tetrapack a mistura já está na embalagem. No caso da caixa de cigarro, essa composição é separada. De fora há (ou havia) uma lâmina de plástico, uma caixa de papelão e dentro uma lâmina de alumínio.

Portanto, o consumidor semiconscientizado (porque o inteiramente, nem fumar fuma) ao terminar o consumo deve: tirar a lâmina de aluminio e colocar no recipiente de metal, separar a proteção externa e colocar no de plástico e, finalmente, colocar a caixa no recipiente de papel. Sem desconsiderar o descarte adequado da bituca.

Com tanto trabalho o melhor mesmo é deixar de fumar, para ser "ambientalmente correto".

Não basta conscientizar, é preciso facilitar. Pode ser por a culpa no "comodismo" das pessoas, mas, na prática, é preciso que as coisas sejam mais amigáveis.

Será que colocar "embalagem metálica" não teria mais apelo do que "metal"?

Uma segunda e importante distinção entre os resdíduos de embalagens do consumo pessoal domiciliar é entre os secos e os "molhados".

Os secos ou limpos são os não "contaminados" por outros produtos, principalmente alimentos.

As embalagens que contém líquidos podem conter resíduos dos mesmos. Já não são secos. Outros podem conter restos de alimentos.

Do ponto de vista domiciliar, as separações mais importantes seriam entre as embalagens secas e as "molhadas". Os materiais "sujos" com alimentos deveriam - de momento - serem descartados como lixo comum.

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Bioenergia

Etanol de 2a geração

Uma das contestações aos vultosos investimentos que o Brasil está destinando à exploração do petróleo do pré-sal é que dever-se-ia investir mais nas novas fontes de energia que irão substituir o petróleo.

O Brasil com o pré-sal estaria tentando recuperar o século XX e não perceber as oportunidades do século XXI.

O Brasil tem uma vantagem comparativa com o desenvolvimento do etanol de primeira geração, mas correria o risco de perdade essa vantagem em função dos investimentos em pesquisa e desenvolvimento dos EUA.

Mais uma vez o uso da figura institucional (Brasil, EUA, etc) consagrada pelos economistas, como se esses fossem uma unidade com capacidade decisoria e de ação, pode levar a equívocos de interpretações.

O Brasil obteve a vantagem comparativa (e competitiva) com o etanol, porque os paises desenvolvidos não acreditaram nessa fonte (então alternativa). Para enfrentar os problemas e desafios, a comunidade acadêmica contribuiu para a superação. Um problema inicial foi o vinhoto, que se conseguiu transformar de um veneno em fertilizante. Melhoria de produtividade em toda a cadeia foi propiciado pelas pesquisas.

Mas, diferentemente de outros casos, não foi a pesquisa que empurrou a produção, mas essa que puxou a pesquisa.

Nos EUA, instituições acadêmicas de pesquisas, assim como empresas estão buscando a extração do etanol de material celulótico, o chamado etanol de segunda ou de terceira geração.

Como sempre, os resultados são cercados de lendas e panacéias, como se fossem a "salvação do mundo".

A matéria publicada ontem no Valor Econômico, mostra uma parte da realidade. As pequisas para o etanol de segunda geração tem como um dos insumos principais o bagaço da cana.

As pesquisas estão sendo realizadas no exterior, mas serão aplicadas no Brasil.

A tecnologia não é do país, mas da empresa. Da empresa multinacional que - cada vez mais - não tem nacionalidade.

O "Brasil" é fortemente inovadora na indústria automobilística, mas poderá se dizer que não é do país, porque é detida e aplicada pelas multinacionais no Brasil e não são disseminadas.

O "Brasil" não inovou nos transgênicos, mas é um grande usuário dessa tecnologia. Isso envolve pagamentos de royalties para a Monsanto. Será que essa deixaria de fornecer ao Brasil?

A vantagem comparativa do Brasil nos biocombustíveis está no produto. A tecnologia aplicável ao produto poderá não ser brasileira, mas dentro da globalização dificilmente deixará de ser usada, se representar possibilidade de ganhos para as empresas.

As instituições brasileiras de pesquisas devem trabalhar no desenvolvimento dos etanóis de novas gerações, mas não é por uma questão de competitividade. Mas de lucros.

 
 

Bióleo

 

Adiantado ou atrasado?

O Governo Federal decidiu implantar o B5, ou seja, a mistura obrigatória de 5% de biodiesel no diesel mineral, no início de 2010. Alardeando uma antecipação de três anos, porque nos planos iniciais esse percentual só deveria ocorrer em 2013.

Uma antecipação como essa deveria - realmente - ser amplamente comemorada, porém na prática está atrasada. Em 2010 o Brasil deveria estar praticando B7 ou até B10 e chegar em 2014 a B20, pelo menos nas grandes áreas metropolitanas.

O Brasil que quer se mostrar ao mundo em 2014, quando da realização da Copa do Mundo, deverá ser um pais "bioenergético".

O Programa Nacional de Produção de Biodiesel busca associar uma solução ambiental (substituição - ainda que parcial - do diesel mineral, cerca de 70% mais poluidor que o biodiesel) com o social, pela inclusão da agricultura familiar. Vem falhando nesse segundo aspecto, apesar dos esforços do Governo, agora diretamente através da Petrobras Biocombustíveis.

Essa inclusão social - via agricultura familiar - somente irá ocorrer à longo prazo, com base nas novas oleaginosas. Mesmo assim, com riscos de ser "atropelada" pelo agronegócio, pela produção extensiva do pinhão-manso, da palma e de outras matérias-primas.

Para chegar ao B20 metropolitano, até 2014, o objetivo de inclusão social poderá ocorrer com a contribuição de outro meio: a logística reversa social urbana.

Esse mecanismo compreende a captação do óleo de fritura usado, gerado nos domicílios urbanos.

Os grande números estimados (cerca de 1,5 bilhões de litros de óleo de cozinha usados, atualmente) poderiam abastecer 4% da demanda de diesel, ou seja, o B4. Não eliminaria a necessidade de outros insumos agrícolas, oriundos da soja ou de outras oleaginosas.

As regiões metropolitanas são uma das maiores consumidoras de óleo diesel, por conta da frota de ônibus urbanos e das origens e destinos das cargas. São também as maiores geradoras de óleo de cozinha usados.

A redução da circulação do insumo para a produção do biodiesel terá ainda o condão de minimizar a emissão dos gases de efeito estufa.

A utilização do óleo de cozinha usado como insumo para biodiesel ainda tem o inconveniente de obrigar um turismo desse material que reunido nas áreas urbanas tem que ser transportado a longas distâncias até uma usina de biodiesel, para depois retornar às distribuidoras, que ficam próximas dos grandes centros de consumo.

Pelo regime atual, não interessa às usinas de biodiesel se instalarem próximas às distribuidoras, porque os preços dos leilões é FOB e o seu principal insumo é o óleo de soja, produzido no interior.

Se o insumo for o óleo de cozinha usado, poderão ser instaladas usinas metropolitanas, com escalas menores, porém com grandes ganhos nos custos logísticos.

As dificuldades para a implantação desse modelo não estão na tecnologia ou nos investimentos, mas na captação do óleo gerado pelos domicilios.

A geração do óleo nos bares e restaurantes é viável, como atividade econômica, e está sendo feita por empresas que vem oferecendo em troca, material de limpeza.

Já a captação domiciliar é dispersa e de baixa produtividade. Não é viável empresarialmente, mas sim para entidades sociais e catadores.

Para os catadores pode-se organizar um sistema que gere mais renda com um trabalho mais digno.

O preço do diesel é administrado pelo Governo o que lhe dá uma certa estabilidade. Isso deverá prevalecer ainda por muitos anos. Para os catadores-coletores isso significa também uma certa estabilidade na sua renda. Nâo estarão tão sujeitos a variações de preços, como tem ocorrido com outros resíduos.

Precisam captar pelo menos 1 tonelada de óleo de cozinha usado por mês para poderem contar com uma renda equivalente a um salário mínimo. Em termos residenciais, precisa ter uma clientela de mil residências, uma população em torno de 4 mil pessoas.

Dividido por vinte dias úteis, significa uma captação em 50 casas por dia. Nos bairros populares corresponderia a uma quadra. Precisaria trabalhar pelo menos vinte quadras por mês.

Na prática não significa trabalhar só uma quadra por dia. Ele tem que circular por 4 ou mais quadras para captar a sua quota diária. Mas bem organizada a sua logística ele pode ter a produtividade necessária.

A partir dai a sua possibilidade de aumentar a renda está na obtenção, por doação, do óleo gerado pelos bares e restaurantes.

Esse é o mecanismo básico da logística reversa social.

Para os bares e restaurantes o óleo usado tem um pequeno valor econômico: é o de material de limpeza que recebe, de empresas coletoras.

Pode substituir esse pequeno valor econômico por um valor social maior, doando-o para os catadores-coletores ou para entidades sócio-assistenciais.

Esse será um incentivo fundamental para estimular a ampliação da captação e coleta domiciliar.

Sem isso, o B20 urbano continuará sendo um sonho.

 
 

Créditos de carbono

Conferência ambiental ou econômica?

Agora em dezembro, vai se realizar a 15a Conferência dos Paises da Convenção Quadro das Nações Unidas sobre Mudança do Clima (COP-15), onde deverão ser discutidos os compromissos de redução da emissão de gases de efeito estufa, a continuidade ou não do Protocolo de Quioto e os mecanismos de redução do desmatamento (REDD - Redução de Emissões por Desmatamento e Degradação Florestal).

O que, aparentemente, é uma reunião de caráter ambiental, é uma confêrencia de caráter nítidamente econômico.

Copenhagem é uma cidade que ainda está fresca na memória dos brasileiros, porque foi lá que o Brasil foi escolhido como sede das Olimpíadas de 2016. E os seus dirigentes, incluindo o Presidente da República, sairam de lá eufóricos, afirmando que agora o Brasil será reconhecido como um "país emergido", ator importante no cenário mundial.

A cobrança do preço poderá vir mais cedo do que o esperado e na mesma cidade que consagrou o Brasil. Os demais paises não vão mais aceitar que o Brasil fique fora dos compromissos de redução da emissão de gases de efeito estufa, como conseguiu em Quioto.

O mesmo ocorrerá com a China, que tentou e conseguiu mostrar ao mundo que já é um pais emergido, com a realização das Olimpíadas de 2008.

As Olimpíadas dão uma visibilidade internacional ao país e ao procurar mostrar as suas vitrines e esconder as vidraças, não podem mais ter duas caras.

Na mesma cidade em que o Brasil fez questão de se mostrar como país "emergido" quer em dezembro, mostrar que é ainda emergente e precisa ter benefícios que não são mais dados aos desenvolvidos.

Afinal, o Brasil é ainda um país emergente ou já é emergido?

Poderemos ter a confiramação em dezembro, em Copenhagen.

O cenário mais provável é que o Protocolo de Quioto não seja renovado mantendo as condições atuais. Principalmente para poder integrar os EUA. Uma das principais restrições é a o MDL, que - nas regras atuais - com o ingresso dos EUA provocaria uma inflação de valores.

Isso interessa ao Brasil e outros paises que tem créditos de carbono, mas não interessa aos EUA e aqueles que teriam que comprar esses créditos.

A questão não é ambiental. É, fundamentalmente, de natureza econômica e comercial. O que não é compreendido pelos ambientalistas. E causa grandes frustrações.

O mesmo vale para a discussão do REDD, mecanismo para incentivar a redução das emissões por desmatamento e degradação florestal.

Os que detém florestas, sejam os Governos Estaduais e Municipais, os proprietários e os "povos da floresta" querem que aquelas sejam reconhecidas como ativos econômicos e não apenas ambientais. E que o mundo que quer a sua preservação pague pela sua manutenção.

Há uma concordância teórica, mas com duas vertentes: uma defende a adoção de mecanismos de mercado, semelhante ao MDL (Mecanismo de Desenvolvimento Limpo), ou seja, os poluidores pagariam pela preservação florestal, em contrapartida ao seu direito de poluir. Compram créditos para compensar os seus débitos.

A outra vertente só aceita doações voluntárias, ainda que vinculadas a compromissos de redução do desmatamento, como a do Governo da Noruega.

Essa discussão, em Copenhagen, também será dominada pelos interesses econômicos.

E os "povos da floresta" vão continuar vendo ... árvores.

 
 

Programa Bióleo

"Boa idéia, todo mundo copia"

Um ano após formulado um primeiro plano para a implantação de uma rede de coleta de óleo de cozinha usado, para ser usado como insumo para a produção de biodiesel, ainda temos que ajustar partes, sem contudo mudarmos os conceitos básicos.

O Progrma Bióleo, nasceu dentro do Instituto PNBE de Desenvolvimento Social, como uma PIM (Poucas Idéias Mobilizadoras) no âmbito do projeto BRASIL 2022 - Do Brasil que Temos para o Brasil que Queremos. Que se baseia em cinco pilares, entre os quais "Brasil Ambientalmente Sustentável".

Para darmos uma contribuição efetiva ao Brasil que Queremos, muito além de idéias, formulamos e estamos ajudando a implantar esse programa que teve a intensa participação da Soraia Patrícia, na fase inicial, colaborando decisivamente para a formulação da sua concepção. Afastou-se para cumprir uma missão maior: ser mãe.

A gerência do programa foi assumida pela Teodora Tavares, cuja competência, vitalidade e animação juvenil a todos e todas encanta.

O programa nasceu da percepção da existência de um "gap" entre a necessidade de insumos para a produção de biodiesel e a geração de óleo de cozinha usado, em volumes similiares.

O programa do biodisel precisava de 800 mil toneladas de insumos, atendida quase que totalmente pelo óleo de soja novo, para uma mistura obrigatória de 2% ao diesel mineral. A geração de óleo residual foi estimada, inicialmenrte, em torno de 2 milhões de toneladas ou cerca de 2 bilhões de litros.

Mesmo corrigido o exagero, 2 bilhões de litros de óleo de cozinha usado descartado indevidamente, contamina 40 trilhões de litros de água. Além de entupir a tubulação de esgotos.

Uma primeira estimativa indicava que menos de 10% dessa geração de óleo usado era reciclado, voltado para a produção de sabões.

O programa Bióleo desde o início se voltou para a destinação do óleo usado para a produção de biodiesel, razão pela qual foi complementado pelo lema "duplamente sustentável". Primeiro porque evita que o esse óleo vá contaminar as águas e segundo porque ao substituir o diesel mineral, reduz a emissão de gases de efeito estufa.

Mas a sua principal concepção foi a de agregar a dimensão social, focando a implantação da rede nas entidades sociais.

Foi desenvolvido, nesse sentido, o conceito de "logística reversa social". As entidades sociais, sejam associações de bairros ou comunitárias, ONGs educacionais ou assistenciais, passam a ser o pólo de recepção e reunião do óleo gerado nas residências do bairro, além de buscar a captação do óleo de bares, restaurantes, padarias, pastelarias o outros geradores do óleo.

A idéia básica é agregar valor a um produto que, descartado indevidamente, além de nada valer, gera custos adicionais à sociedade e a grupos familiares em particular. Nesse último caso pela necessidade de arcar com custos de desentupimento de esgotos.

Com a logística reversa o óleo residual ganha valor que pode ser usado para financiar os programas ambientais, educacionais e sociais da entidade receptora desse óleo.

O papel do Instituto PNBE é o de articular todas as partes da cadeia logística, para que ocorra essa geração de valores.

O objetivo maior era o de desenvolver projetos que pudessem ser replicados, o que está ocorrendo, ainda que fora do âmbito do Progama Bióleo.

Já se disse que "boa idéia, todo mundo copia".

Mesmo sem a preoocupação maior com o registro da autoria, o que está sendo promovido, fica aqui o registro.

 
 

Reciclagem automotiva

Centros de Reciclagem de partes automotivas

Um dos principais problemas ambientais está no descarte de material fora de uso. Por isso um dos conceitos básicos da responsabilidade ambiental está no ciclo de vida completo do produto, envolvendo o pós consumo.

No caso do automóvel e demais veículos automotores que nada mais são do que uma composição de inúmeras peças segundo um desenho que lhes gera valor, o desgaste de um das partes pode levar ao seu desuso. Sem que outras partes ainda estejam em condições de reuso.

Do ponto de vista ambiental o mais conveniente é a durabilidade, evitando uma reposição rápida que consuma bens naturais para novas produções. Corresponderia ao primeiro dos "erres": REDUZIR. Mas a obsolescência pode causar outros problemas como o consumo excessivo de combustíveis e a emissão de poluentes, além de gerar problemas no trânsito. Reduzir o uso é uma das soluções.

Em segundo lugar, está o REUSAR. No caso o reuso não é do veiculo, como um todo, mas das partes sãs que podem ser transplantadas em outros veículos, que tem essas mesmas partes avariadas. Ou seja, a retirada dessas partes para serem reutilizadas.

Do ponto de vista econômico, interessa ao receptor que essa peça usada tenha mesma qualidade, ainda que com menor vida útil remanescente e por preço menor que a original. O que poderia não ser de interesse do fabricante que, objetivaria - sempre - aumentar a sua produção e seus lucros.

Mas do ponto de vista ambiental, a substitituição de uma peça ou parte avariada por uma outra, usada, porém em boas condições, pode ser - sempre - melhor que a troca por uma original.

O que é preciso garantir é a qualidade do produto usado e sua origem.

Esse processo pode levar a um efeito perverso. Com a garantia de desempenho de peças usadas, estendendo a sobrevida de veículos obsoletos, tornando-os acessíveis a pessoas de menor renda, aumenta a frota em circulação de veículos de maior idade, gerando problemas adicionais no trânsito e no ambiente.

Para o atendimento das condições de qualidade e origem, a retirada de peças de veículos fora de uso e seu reuso devem atender a procedimentos formais.

O que existe hoje no Brasil são procedimentos informais, com os desmanches que podem combinar atividades legais, com ilegais. Como a receptação de carros roubados.

E as partes inservíveis são abandonadas em "cemitérios de veículos", algumas vezes no fundo de rios.

A formalização dessas atividades poderia ser feita segundo a concepção de um "shopping center", onde um empreendedor comprando uma área de 50 mil ou mais m2 construiria instalações para o estoque de veículos fora de uso, a sua desmontagem e separação das peças reutilizáveis, o tratamento delas para o reuso, a certificação de qualidade e vida útil remanescente, cercadas de todo um conjunto de lojas para a revenda das peças usadas, além dos serviços pertinentes.

Com a formalização haveria maior garantia em relação à origem das peças, evitando a receptação de peças roubadas. Não seria eliminada de todo, mas seguramente haveria uma redução.

É uma idéia simples, que pode ser um bom negócio, viável economicamente, mas que enfrenta inúmeras resistências.

 

 

 
 

Reciclagem

 

Logística reversa social

Há uma tendência crescente de se exigir dos produtores a responsabilidade pelo recolhimento do seu produto, depois de usado e dar lhe um destino final adequado, evitando que o mesmo vá poluir o ambiente, seja hídrico, terrestre ou aéreo.

As empresas produtoras reagem a essas exigências por envolver um custo adiconal pouco identificável, porque não sabem como realizar o recolhimento dos seus produtos já usados. Faltam concepções e tecnologias adequadas.

Ficam sujeitas aos radicalismos dos ambientalistas que acabam gerando sérias distorções.

Uma delas seria o caso do Paraná que exige o recolhimento por parte das empresas nacionais, mas não das importadoras, porque as nacionais seriam conhecidas e as estrangeiras não. Trata-se de uma visão equivocada que favorece às empresas estrangeiras em detrimento das nacionais. Reduz a competitividade das nacionais, favorecendo o emprego no exterior, contra os empregos em território nacional. Trata-se de uma antipolítica industrial.

 

Para o recolhimento dos produtos usados é preciso desenvolver uma logística reversa, mas essa é pouco viável quando realizada empresarialmente.

A alternativa mais simples seria da coleta diferenciada de todos os recicláveis com a separação dos diversos materiais em usinas de reciclagem. É uma alternativa tentada em muitas cidades, mas sem continuidade, por uma série de razões, mas a principal o baixo preço obtido pelos materiais separados.

Porque há uma cadeia de intermediação que se apropria de grande parte dos valores, comprimindo os valores pagos na ponta.

Para que a reciclagem, efetivamente, funcione é preciso melhorar a remuneração na ponta da coleta.

Uma segunda condição é organizar a logística reversa em todos os elos, incluindo um varejo reverso.

O produtor deve ser o responsável pela compra do seu produto usado, segundo uma perspectiva de padronização e, na contrapartida dos seus fornecedores deverá ter os seus compradores desses produtos usados. Eles passarão a regular o mercado.

O varejo reverso será de empresas compradoras dos produtos usados para venda aos produtores com a entrega aos recicladores. Atualmente esse varejo é formado por uma rede de catadores e sucateiros operando com baixa produtividade.

Um dos casos bem sucedidos de varejo reverso é o das lojas dos supermercados Pão de Açúcar, com as suas estações de recepção, junto aos estacionamentos dos veículos.

A conscientização é necessária mas não é suficiente. É preciso que os procedimentos sejam facilitados, principalmente nos aspectos de logística.

A conjugação entre a conscientização e educação com a logística pode ser desenvolvida pelas entidades comunitárias, que lutam sempre com dificuldades financeiras.

Elas tem capacidade de mobilizar a comunidade e dependem de doações e patrocínios. A doação de produtos usados recicláveis, que nada valem quando não estão integradas a uma rede logística pode ser transformada em fonte de renda, quando integradas.

A organização de uma rede logística para essa transformação pode ser a chave para uma substancial ampliação da reciclagem.

 

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