Coleta Seletiva
A separação dos recicláveis domésticos
Todos os resíduos domésticos são, em tese, recicláveis. Na prática não tem viabilidade econômica, o que limita a sua efetivação. Fica limitado aos ambientalistas mais ativos que fazem a compostagem doméstica e outros meios para o reaproveitamento do lixo orgânico.
No geral, os restos de alimentos, com as suas embalagens ou utensílios sujos são reunidos num saco que é colocado para a retirada pela coleta pública comum. E que, depois, é levada a um "lixão" ou a um aterro sanitário.
Num aterro sanitário vai se tornar apenas uma cobertura física, sem outra utilidade a menos da formação de gás metano que pode ser utilizado para geração de energia. Num lixão a céu aberto dá margem à presença de catadores em busca de alimentos ou de materiais vendáveis. Um cenário de elevada degradação.
Com a reunião num único saco das embalagens limpas ou secas, juntamente com outros materiais recicláveis, levadas ou deixadas para a coleta seletiva, além do primeiro ciclo de transporte, há a necessidade de separação dos materiais para os diversos destinos que geram valor.
Tanto o primeiro ciclo de transporte, como a separação podem envolver os chamados catadores de resíduos.
São tarefas árduas, de pouca remuneração, mas que se tornam uma das poucas alternativas de renda para uma população deseducada que não encontra outras oportunidades.
Essa solução (o uso dos catadores) antes rejeitada passou a ser socialmente aceita e vem sendo amplamente desenvolvida. Nesta semana os catadores estão reunidos num grande evento nacional, com algumas seções internacionais.
Um processo amplo de conscientização e educação ambiental poderia conseguir que a separação já ocorresse dentro dos domicilios, mas enquanto isso não ocorre, a separação entre os resíduos alimentares e outros lixos orgânicos das embalagens secas e limpas, já seria um grande avanço.
A partir dai é preciso estabelecer unidades industriais de separação de materiais, linhas de desmontagem. Essas linhas podem ser operadas pelos ditos catadores, mas que seriam "separadores".
A atividade de separação é menos ponosa, mas ainda realizada em condições precárias. Ainda é uma atividade relacionada ao lixo e admitida como suja.
A sua melhor organização envolve dois riscos: o de maior automação com a redução do uso da mão-de-obra e sua formalização.
A atividade de coleta, embora seja um serviço, pode ser remunerada como venda de produtos. Como tal está se remunerando o produto e não diretamente o trabalho. No caso da separação, a remuneração seria diretamente do trabalho, o que implica numa relação trabalhista.
Isso implica numa elevação de custos, o que irá requerer a obtenção de maior valor dos produtos separados.
Esse maior valor é possível, uma vez que o valor para o comprador final é o equivalente à compra do insumo novo. A partir desse valor há que se deduzir os custos tributários e logísticos para chegar ao valor na ponta da separação.
Antes de afirmar que com a formalização do trabalho dos separadores inviabiliza a atividade é preciso avaliar as possibilidades de redução dos custos tributários e logísticos.
Os valores de cada material são diversos, em função do seu destino. Em função disso pode ser refinar mais ou menos os níveis de separação e limpeza.
(cont)
Escrito por Jorge Hori às 10h44
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