Índice da semana

Semana de 18 a 24 de outubro de 2009

23 de outubro de 2009

22 de outubro de 2009

21 de outubro de 2009

20 de outubro de 2009

19 de outubro de 2009

18 de outubro de 2009

 

 
 

Vale

Para quem os dois brigam?

O suposto conflito entre Lula e Agnelli (o Presidente da Cia. Vale do Rio Doce) é um grande teatro  "pra inglês ver". A questão é saber quem são esses "ingleses".

Não é preciso fazer muito esforço. Lula faz o jogo para o eleitorado de 2010. Agnelli não conhece esse público e cai, juntamente com o seu público, nas armadilhas do espertalhão.

Lula é um animal político de primeira qualidade, que usa o marketing político magistramente para os seus fins, nem sempre evidentes. Mas a perspectiva é, sem dúvida, as eleições de 2010 e o seu público não é mídia, ou os empresários, mas o "povão". Aquele que detém a maioria dos votos e decide as eleições.

Agnelli é um excelente executivo empresarial, mas que cometeu equívocos estratégicos e é pautado por Lula. Trouxe a Vale para o tamanho e valor devido, como uma multinacional brasileira, aproveitando as oportunidades de mercado, mas com falhas estratégicas, em relação ao posicionamento da empresa no mercado mundial.

O que Lula quer?

Fundamentalmente, mostrar que a privatização da Vale não foi um bom negócio para o pais. E que a Vale privada não atende aos "interesses do povo brasileiro". Gera mais emprego fora do que dentro do país. Investe fora e não no país.

Por que?

Porque a Vale é o caso mais bem sucedido da privatização realizada dentro do Governo FHC e o tema privatização x estatização vai ser um dos temas principais da Campanha de 2010.´

A expectativa é que os "tucanos" defendam a privatização da Vale, mostrando que deu certo e foi um excelente negócio para o país.

É absolutamente evidente a lógica de Lula. "Todo mundo" percebe, mas não consegue escapar da armadilha que ele cria, com as suas tiradas, algumas imbecis, mas que os outros respondem.

De quebra, Lula poderá aparelhar a Vale e tirar da sua diretoria os remanescentes da "turma do FHC", principalmente "aquela mulher do Paulo Renato".

O jogo é primário mas eficaz. Com a ajuda da mídia que entra pesado no jogo. Apesar de, muitas vezes, ser contra Lula, faz o jogo dele.

No processo de privatização da siderurgia e da Vale o Governo FHC cometeu um grande erro estratégico. Vendeu as empresas quando deveria ter feito uma parceria, ficando com 49% das ações, com aumento de capital do(s) sócio(s) privado(s).

Na ocasião, eu ainda não contava com o blog para registrar essa posição, que foi ouvida por poucos e desconsiderada. A lógica era cobrir os buracos do Tesouro Nacional. Nem isso fez.

A siderurgia mundial tem capacidade ociosa e foi um dos setores que mais sofreu com a recente crise financeira internacional.

Isso é uma questão estatística que deve ser melhor considerada, do ponto de vista qualitativo.

As capacidades produtivas tem idade e produtividade. As mais antigas, em geral, são as menos produtivas e tem custos totais maiores, incluindo os custos logísticos.

Numa crise, as que tem maior custo saem do mercado e não voltam. As mais competitivas voltam, com preços maiores e se recuperam economica e financeiramente.

O Brasil tem condições de ter uma siderurgia altamente competitiva, em termos mundiais. Não pode (nem deve) se amedrontar diante de um suposto excesso de capacidade e com eventuais "dumping" de sobrevivência.

O grande e maior risco é a expansão da siderurgia chineses que não tem esse medo. O único que pode confrontá-lo é o Brasil.

Lula está certo - na sua excepcional capacidade de perceber para onde o rio corre (o que poderia parecer evidente, mas não é) - e aproveita a "bobagem" feita por Agnelli, demitindo empregados no início da crise, para torpedear o que foi "a mais bem sucedida privatização feita pelos tucanos".

E esses, mais uma vez reagem mal e deixam Lula fazer prevalecer a sua versão: "a privatização da Vale foi (e é) ruim para o país. Por isso o Estado precisar retomar o comando da Vale".

Ou essa versão não vale?

 
 

Redução da jornada de trabalho

Cenários subsequentes

Supondo que a PEC de redução da jornada de trabalho e aumento do adicional por hora extra seja aprovado, qual será a reação do mercado?

Cada empresa reagirá de maneira própria, mas alguns comportamentos serão comuns.

As grandes empresas privadas, com grande número de empregados, adotarão medidas para aumentar a produtividade e controlar as horas extras. As grandes indústrias que ainda adotam as 44 horas irão exigir mais e com isso vão "explorar" mais os trabalhadores para produzir o mesmo em menos tempo. Aquele que não atender aos índices de produtividade serão substituídos. Não haverá aumento de postos de trabalho, tampouco de empregados e haverá redução das horas extras. Os empregados trabalharão menos horas, mais e receberão menos, no final do mês. Sentirão no bolso os resultados negativos da mudança e traídos pelas suas lideranças.

As grandes empresas capitalizadas acelerarão os investimentos em automação e buscarão, de forma mais intensa, a redução dos custos com a mão-de-obra.

Nas empresas médias a reação dependerá do seu mercado comprador. Se tiver uma carteira com boa evolução de vendas acabará tendo que admitir mais trabalhadores para dar conta dos pedidos. Se as suas condições de mercado não forem boas, provavelmente sairá desse. Isso ocorrerá, principalmente, para as empresas de médio porte que enfrentam a concorrência dos importados.

Terão aumento de custos, perda de competitividade, sem capacidade de alternativas.

Um setor crítico é o da construção civil, dominado por empresas de médio porte, sem grande capacidade de investimento em automação, e sem melhor planejamento: acabarão tendo que arcar com o aumento de custos e muitas sairão do mercado. Substituidas por empresas maiores. A tendência será a maior concentração empresarial.

O problema do volume de empregados esta nas empresas de pequeno porte, onde o comportamento reativo típico é apelar para a informalidade ou o PJ, ou seja, para a contratação de pessoas jurídicas.

Substitui a contratação de empregados por serviços prestados por pessoas jurídicas. Nesse segmento a tendência é de redução dos empregos formais.

O impacto negativo maior estará no serviço público e nas empresas estatais.

Não haverá grande impacto direto na redução da jornada de trabalho, porque na maioria dos casos, o regime já é de 40 horas (8 horas por dia, durante cinco dias úteis). Em alguns casos, até menos: 30 horas semanais.

A questão está na "indústria da hora extra", amplamente utilizada para aumentar a remuneração mensal dos servidores públicos e empregados de estatais. Com a conivência das chefias.

O impacto final poderá ser o aumento da carga tributária, para poder arcar com o aumento do custeio das máquinas administrativas.

O resultado efetivo da mudança não será o que esperam os trabalhadores e os próprios parlamentares.

Prevalecerão os chamados "efeitos perversos" e os trabalhadores sentir-se-ão traídos.

Na França, os socialistas que impuseram a redução da jornada de trabalho perderam as eleições.

No Brasil, qual será o impacto eleitoral?

 
 

Redução da jornada de trabalho

Aprovação da PEC

Está em vias de aprovação final a PEC que reduz a jornada de trabalho máxima de 44 horas, previstas na Constituição Federal para 40 horas e aumenta o adicional das horas extras de 50% para 75%.

Esse mudança passou a ser a princípal reivindicação dos trabalhadores sindicalizados, liderados pelo deputado federal e presidente da Força Sindical, Paulinho da Força.

É uma batalha que já tem quase 10 anos, que vem ganhando força, com base em conta simples (ainda que equivocadas) segundo a qual com a aprovação das medidas propostas haveria um aumento de empregos, reduzindo o desemprego.

Essa versão se tornou hegemônica e, seduziu a maioria dos parlamentares, com uma tímida e genérica reação empresarial que argumenta com os riscos inflacionários.

Na prática não vai ocorrer nem uma coisa, nem outra. O resultado mais provável é o aumento da informalidade.

O problema é que as Centrais Sindicais e os sindicatos organizados não representam a totalidade dos trabalhadores. Representam apenas os trabalhadores celetistas e apenas uma parte desses: os que estão contratados pelas grandes empresas.

A legislação é definida para esse segmento que, na realidade, tem capacidade de reação e ajuste.

A lógica das Centrais Sindicais não é técnica, mas ideológica. Baseia-se ainda na "luta de classes". O argumento é aritmético, mas eles vendem a crença, junto aos trabalhadores e à sociedade de que os patrões "exploram" os trabalhadores exigindo que trabalhem 44 horas ou mais por semana, com um pagamento adicional de 50% das horas extras.

Com as novas regras, os patrões seriam obrigados a contratar mais trabalhadores em vez de continuar explorando-os e os trabalhadores teriam uma jornada menor, podendo usufruir mais tempo com a família ou com o lazer. Sem prejuizo de remuneração.

Para os patrões, essas regras aumentariam os seus custos, pois supõe-se que eles continuariam usando o trabalhador 48 horas, tendo que pagar 4 horas adicionais, com um acréscimo de 75% e mais 4 horas com acréscimo de 25%, pois sobre essas já estariam pagando mais 50%.

Se essa fosse a reação real os trabalhadores celetistas afetados ficariam mais felizes. Entre trabalhar apenas 40 horas, com o mesmo salário, dando lugar a um companheiro que estaria desempregado, ou trabalhar 48 horas, ganhando quase 20% a mais.

O próprio trabalhador não está à busca de menos horas de trabalho. Ele - em geral - prefere trabalhar mais e ganhar mais.

O cenário mais provável como consequência dessas novas regras é de aumento do desemprego. Por exigência dos patrões de maior produtividade, eliminando as horas extras.

 
 

Copa 2014, Olimpíadas 2016

Quanto vai ficar?

Com a escolha do Brasil como sede dos jogos da Copa 2014 e do Rio de Janeiro como sede das Olimpíadas de 2016, o país, mediante a entidade representativa (CBF e COB), com o aval do Governo Federal e de Governos Estaduais e Municipais, assumiram compromissos, que vão muito além da organização dos eventos.

Os compromissos envolvem investimentos diretos em equipamentos esportivos, incluindo a infraestrutura para a mída e convidados. Devem ser promovidas ofertas suficientes de hospedagem para os turistas e os serviços para a sua movimentação, com a adequada infraestrutura.

Além dos investimentos os Governos devem isentar todas as operações diretamente envolvidas com o evento, como os impostos de importação ou de circulação das mercadorias dos produtos trazidos para os jogos. E há ainda outros compromissos menores.

Há uma natural curiosidade sobre o quanto o país irá gastar com esses mega eventos esportivos internacionais. Para a Copa 2014 o Governo Federal firmou um convênio com a ABDIB para levantar as necessidades e definir um plano de aplicações, que até hoje não veio à tona, alimentando especulações.

A mídia busca informações esparsas e vai somando até chegar a números fabulosos como as publicadas ontem no Estadão (O Estado de São Paulo, 18-10-09, pg B1) alcançando R$ 130 bilhões, que resultam de R$ 100 bilhões para a Copa 2014 e R$ 30 bilhões adicionais com os Jogos Olímpicos.

São número apenas para chamar atenção e vender notícia. Servem mais para despertar indignação do que aprovação. O viés da notícia é nesse sentido.

O quanto vai se gastar tem importância em função da capacidade de levantar os recursos para a realização dos investimentos previstos ou indicados. Se o Brasil tem capacidade de levantar tal volume de recursos é um bom sinal. E se é mais do que foi investido pelo Governo (Federal) em sete anos, melhor ainda. Significa uma forte capacidade de recuperação dos investimentos públicos.

A questão maior não está ai, mas de onde virão os recursos e no que serão gastos.

Para receber a Copa 2014 os investimentos essenciais são nos estádios que, por abrigarem, uma atividade econômica poderiam ser investidos pelo setor privado. O futebol é um dos poucos esportes no Brasil, capaz de atrair um público permanente para assistir aos jogos semanais, com o pagamento de ingressos. Tanto que em três das doze cidades escolhidas, o estádio sede dos jogos pertence a um clube.

Na prática, no entanto, nenhum dos clubes privados tem interesse em investir a totalidade necessária para atender às exigências da FIFA. Porque uma parte desses investimentos é para atendimento exclusivamente para os jogos da Copa, com instalações que podem ser temporárias. Sem retorno para o investidor porque toda eventual receita será da FIFA.

Por outro lado, na maioria das cidades a atividade futebolística não rende o suficiente para amortizar os investimentos. Em alguns casos, nem mesmo para os custos operacionais. São inviáveis do ponto de vista econômico privado.

Diante da inviabilidade privada, os Governos Estaduais e Municipais que assumiam compromissos para ganhar o direito de sediar jogos terão que investir com recursos orçamentários, contando - eventualmente - com financiamentos do BNDES e ainda a esperança de reforço de aportes federais, a "fundo perdido". Para isso tentarão canalizar as emendas parlamentares, individuais, ou de blocos para os investimentos nos estádios. Apesar de não terem sido contemplados na Lei de Diretrizes Orçamentárias para 2010.

O que pode sobrar para essas cidade é um "elefante branco", com pouco uso.

Para atender à FIFA, as cidades-sedes deverão prover uma quantidade de quartos-leitos suficientes para receber a previsão de turistas. O investimento deverá ser privado, o que envolve a viabilidade econômica dos empreendimentos. O que poderá ocorrer nas cidades com turismo de lazer, mas mais difíceis em cidades baseadas no turismo de negócios. Existe ainda o risco de "elefantes brancos".

O problema maior está na infraestrutura pública, de responsponsabilidade do Poder Público o que poderá ser empreendido com recursos orçamentários ou com parcerias público privadas, de forma plena (concessões) ou parciais (parcerias público-privadas).

O mais crítico está na infraestrutura aeroportuária, onde o Governo Federal reluta em adotar mecanismos de privatização, ainda que parciais.

Os demais investimentos em infraestrutura pública não são essenciais para a realização da Copa 2014. Essa é utilizada como pretexto para a sua realização. Até porque são necessários para atender às demandas reprimidas.

Os investimentos essenciais para garantir a realização da Copa 2014 no Brasil, atendendo às exigências da FIFA, não precisa ultrapassar R$ 20 bilhões, dos quais entre R$ 5 a 6 bilhões para os estádios e seus entornos, outros R$ 5 a 6 bilhões para a infraestrutura aeroortuária, R$ 2 a 3 bilhões para a infraestrutura hoteleira e o restante para a melhoria do atendimento de saúde, de alto nivel, acessibilidade e mobilidade urbana.

Os investimentos em energia elétrica e sistema de telecomunicações não são específicos para a Copa 2014, nem são divísiveis para atendê-la. A menos do reforço de algumas redes de distribuição que atendam à região dos estádios.

Tudo o mais que se queira investir, principalmente na mobilidade urbana pode ser necessário. Mas não deve ser para atender à Copa 2014, mas para melhorar as condições gerais de funcionamento das cidades e melhorar as condições de vida da sua população.

O que não se justifica são investimentos públicos voltados exclusivamente para atender a um evento de 30 dias e que depois fiquem sem uso.

 
 

Olimipiadas 2016

 

A superação da grande degradação

É preciso se aprofundar nos fundamentos para entender a degradação da economia carioca que se reflete no urbano da cidade do Rio de Janeiro e nos seus problemas sociais, de segurança e de como as Olimpíadas de 2016 podem reverter esse processo.

Os acontecimentos de ontem, com a disputa entre quadrilhas pelos pontos de tráfico, com interferência desatrosa (pelos resultados humanos) da Policia, resultando no abate de um helicoptero militar e vários mortos, são indícios de que a economia do tráfico de drogas é uma atividade de grande importância econômica para a cidade.

Não é uma atividade marginal - dentro dos conceitos econômicos - ainda que desenvolvia por marginais - no sentido criminal e social.

O tráfico de drogas seria uma atividade altamente rentável e distribuidora de renda, dentro das comunidades pobres do Rio de Janeiro. Ainda irrigaria toda uma cadeia de corrupção, cuja renda vira consumo legal e formal e mesmo investimentos, muitos deles conspícuos.

Provavelmente tem uma grande importância no PIB real do Rio de Janeiro, o que tem dois significados: de um lado ocupou espaços econômicos pela falta de outras alternativas e de outro a sua erradicação geraria uma perda de renda e desemprego (ainda que não formal). O problema não está apenas no traficante, mas em todo o exército de pessoas que vivem ou sobrevivem da renda dessa atividade econômica ilegal.

Para superação do grave problema do tráfico de drogas não basta a ação policial. É fundamental o seu tratamento dentro de um planejamento econômico.

Como toda atividade econômica, a sua sustentação está no comprador, no consumidor da droga que transfere a renda obtida em outras atividades para alimentar a cadeia produtiva da droga. O chamado tráfico, nada mais é que a logística para fazer com que o insumo chegue ao consumidor final, na forma de frasco de cocaina, de crack, de pílulas de ecstasy e outros produtos. A atividade gera os consumidores internos. Nesse caso é uma circulação da própria renda da cadeia produtiva da droga.

Para a eliminação dessa atividade econômica, ou a sua contentação para que torne uma atividade marginal - também no sentido econômico - é preciso atuar sobre a ponta do consumo: seja o consumo final, como a distribuição a esse consumo final.

Não há ainda muita clareza sobre quem são esses consumidores finais, qual é o movimento global e de onde vem a renda para o seu consumo. A existência de consumidores dentro da própria cadeia obscurece a percepção e esses precisam ser separados.

Há uma suposição de que os principais consumidores estão na classe média e rica do próprio Rio de Janeiro. São esses que desviariam parte dos seus salários ou da renda imobiliária ou mobiliária para o consumo de drogas.

É preciso conter o consumo e o mecanismo principal, do ponto de vista estratégico, é torná-lo mais caro. A repercussão inicial será negativa, pelo desvio maior de renda por parte dos viciados. Problemas particulares se agravarão. Mas haverá uma redução de consumo ao qual se seguirá a redução do volume de movimentação financeira.

A redução da atividade econômica da cadeia produtiva da droga, resultará - ao longo do processo - no aumento da violência. A disputa pelos consumidores remanescentes e pontos de distribição será sangrenta. O processo é de guerra.

Segundo as autoridades cariocas os embates de ontem já seria reflexo dessa contenção da atividade econômica dos negócios da droga. Até pode ser. Mas nesse caso, caracteriza-se o despreparo ou a incompetência policial no seu enfrentamento. O que teria sido reconhecido pelo próprio Secretario da Segurança.

Ao conter o consumo da droga, o objetivo estratégico poderia ser a geração ou ampliação de outros consumos, legais e mais saudáveis, capazes de absorver essa renda e movimentar outras cadeias produtivas.

 

Que cadeias produtivas poderiam ser essas? Como promover a substituição do consumo?

Não se pode ficar apenas no desejável. É preciso trabalhar com o possível. E segundo uma perspectiva estratégica.

Com um horizonte de longo prazo, mas com marcos em 2013 e 2015, um ano antes da Copa do Mundo e das Olimpiadas.

 
 

Olimpíadas 2016

A transformação de Barcelona

Retomando a questão de ontem, sobre o legado de Barcelona com as Olimpíadas de 1992, houve um processo pouco visível para os turistas, para os urbanistas e para a mídia, mas que explica a sua transformação.

A Catalunha se desenvolveu como um polo industrial, mas com separação física entre as áreas industriais e a cidade, onde se situavam os serviços, a administração pública, a moradia dos mais ricos e da classe média. Como em muitas outras cidades e regiões, a renda é gerada num ou mais espaços e o uso dela em outro, um centro.

No Brasil há inúmeros casos, como de Florianópolis, uma capital tipicamente administrativa, com atividades terciárias, mas cuja renda estadual é gerada em polos industriais do Vale do Itajai e outros e do agronegócio, situado no leste do Estado. Curitiba se desenvolveu urbanisticamente, com base no agronegócio situado fora da visão dos curitibanos e de seus visitantes.

Essa condição permitiu que Jaime Lerner emergisse como um grande urbanista, mas que é também o responsável pelo inchamento de Curitiba, ao promover a atração da indústria para a sua região metropolitana, quando Governador do Estado.

A indústria espanhola entrou em crise, na década de setenta, e a cidade de Barcelona vinha sofrendo uma degradação, pela redução do afluxo de renda para a cidade.

O planejamento estratégico formulado ainda nos anos oitenta, teve por objetivo revitalizar a economia espanhola, com o apoio da Comunidade Européia - com o objetivo de eliminar os bolsões de pobreza no oeste europeu, concentrados em Portugal e Espanha - substituindo a base industrial pelos serviços voltados tanto para a demanda interna, como para os turistas.

O turismo não se limita aos atrativos naturais, ao lazer, mas tem grande força nos negócios e no cultural, incluindo o educacional.

Esse foi a real grande transformação promovida pela Espanha e pela Catalunha com as Olimpiadas de 1992, que se refletiu na revitalização e renovação urbana. Essa não se sustentaria pós Olimpiadas se não mantivesse ou expandisse o afluxo de renda, agora dos serviços e do turismo, substituindo a renda industrial.

A visão focada sobre o urbano, a parte mais visível fisicamente, mostra os resultados, mas pouco explica dos seus fundamentos.

Muitos ficaram repetindo o caso - como nós mesmos - sem o conhecimento mais profundo do processo.

Sem a trasformação econômica, não há transformação urbanística.

 

 

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