Vale
Para quem os dois brigam?
O suposto conflito entre Lula e Agnelli (o Presidente da Cia. Vale do Rio Doce) é um grande teatro "pra inglês ver". A questão é saber quem são esses "ingleses".
Não é preciso fazer muito esforço. Lula faz o jogo para o eleitorado de 2010. Agnelli não conhece esse público e cai, juntamente com o seu público, nas armadilhas do espertalhão.
Lula é um animal político de primeira qualidade, que usa o marketing político magistramente para os seus fins, nem sempre evidentes. Mas a perspectiva é, sem dúvida, as eleições de 2010 e o seu público não é mídia, ou os empresários, mas o "povão". Aquele que detém a maioria dos votos e decide as eleições.
Agnelli é um excelente executivo empresarial, mas que cometeu equívocos estratégicos e é pautado por Lula. Trouxe a Vale para o tamanho e valor devido, como uma multinacional brasileira, aproveitando as oportunidades de mercado, mas com falhas estratégicas, em relação ao posicionamento da empresa no mercado mundial.
O que Lula quer?
Fundamentalmente, mostrar que a privatização da Vale não foi um bom negócio para o pais. E que a Vale privada não atende aos "interesses do povo brasileiro". Gera mais emprego fora do que dentro do país. Investe fora e não no país.
Por que?
Porque a Vale é o caso mais bem sucedido da privatização realizada dentro do Governo FHC e o tema privatização x estatização vai ser um dos temas principais da Campanha de 2010.´
A expectativa é que os "tucanos" defendam a privatização da Vale, mostrando que deu certo e foi um excelente negócio para o país.
É absolutamente evidente a lógica de Lula. "Todo mundo" percebe, mas não consegue escapar da armadilha que ele cria, com as suas tiradas, algumas imbecis, mas que os outros respondem.
De quebra, Lula poderá aparelhar a Vale e tirar da sua diretoria os remanescentes da "turma do FHC", principalmente "aquela mulher do Paulo Renato".
O jogo é primário mas eficaz. Com a ajuda da mídia que entra pesado no jogo. Apesar de, muitas vezes, ser contra Lula, faz o jogo dele.
No processo de privatização da siderurgia e da Vale o Governo FHC cometeu um grande erro estratégico. Vendeu as empresas quando deveria ter feito uma parceria, ficando com 49% das ações, com aumento de capital do(s) sócio(s) privado(s).
Na ocasião, eu ainda não contava com o blog para registrar essa posição, que foi ouvida por poucos e desconsiderada. A lógica era cobrir os buracos do Tesouro Nacional. Nem isso fez.
A siderurgia mundial tem capacidade ociosa e foi um dos setores que mais sofreu com a recente crise financeira internacional.
Isso é uma questão estatística que deve ser melhor considerada, do ponto de vista qualitativo.
As capacidades produtivas tem idade e produtividade. As mais antigas, em geral, são as menos produtivas e tem custos totais maiores, incluindo os custos logísticos.
Numa crise, as que tem maior custo saem do mercado e não voltam. As mais competitivas voltam, com preços maiores e se recuperam economica e financeiramente.
O Brasil tem condições de ter uma siderurgia altamente competitiva, em termos mundiais. Não pode (nem deve) se amedrontar diante de um suposto excesso de capacidade e com eventuais "dumping" de sobrevivência.
O grande e maior risco é a expansão da siderurgia chineses que não tem esse medo. O único que pode confrontá-lo é o Brasil.
Lula está certo - na sua excepcional capacidade de perceber para onde o rio corre (o que poderia parecer evidente, mas não é) - e aproveita a "bobagem" feita por Agnelli, demitindo empregados no início da crise, para torpedear o que foi "a mais bem sucedida privatização feita pelos tucanos".
E esses, mais uma vez reagem mal e deixam Lula fazer prevalecer a sua versão: "a privatização da Vale foi (e é) ruim para o país. Por isso o Estado precisar retomar o comando da Vale".
Ou essa versão não vale?
Escrito por Jorge Hori às 17h25
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