Índice da semana

Semana de 16 a 20 de novembro de 2009

20 de novembro de 2009

19 de novembro de 2009

18 de novembro de 2009

17 de novembro de 2009

16 de novembro de 2009

 
 

Brasil 2022

Socialmente Justo?

O Brasil de 2010 estará socialmente mais justo do que em 2003?

Pelos indicadores, sim. Mas e como realidade?

Um Brasil socialmente mais justo em 2010 é resultado do Governo Lula ou um legado dos governos anteriores? Qual será o legado que Lula deixará, nessa dimensão? Quais serão as diferenças de propostas entre os candidatos para fazer um Brasil Socialmente mais justo, em 2022?

O que caracteriza uma nação mais justa? Do ponto de vista global, usa-se o coeficiente de Gini que mediria a desigualdade. Capta a diferença de rendimentos entre as familias mais pobres e as mais ricas, variando entre 0 e 1. Quanto mais alto, maior a desigualdade: uma única família deteria a totalidade da renda, nada ficando para os demais e zero quando todos tivessem a mesma renda. O índice Gini é o coeficiente multiplicado por 100.

O último levantamento - referente a 2008 - indica um índice de 54, o que caracteriza um alto índice de concentração e, portanto, socialmente injusto.

A distribuição de renda é apenas um dos itens de um país socialmente mais justo. É também fundamental a igualdade de oportunidades de acesso que não dependam - exclusiva ou predominantemente - da renda. Principalmente à educação básica e à saude.

No caso da educação, as oportunidades existem, com exceção ainda da população infantil moradora em comunidades rurais, com dificuldades de acesso às escolas. O problema está na qualidade do ensino o que resulta em baixa produtividade e manutenção de um grande número de analfabetos, ainda que funcionais. Os quais tem menores oportunidades de trabalho.

Na saúde pública, os serviços ainda são precários. Um primeiro problema é a distância de uma unidade de saúde dos locais de moradia da população mais pobre. Em segundo, a oferta é insuficiente, gerando grandes filas e demoras para o atendimento.

O que será necessário fazer para que o Brasil em 2022 seja - efetivamente - socialmente mais justo? Que diferenças estratégicas ou programáticas podem ter PT e base aliada e PSDB/DEM ou o PV em 2010?

A tendência será dizer que fará melhor ou que destinará mais recursos para educação e saúde. Ou ainda, que esses setores são prioritários.

A trajetória das ações sociais nos Governos Lula, pouco diferem da gestão anterior (FHC) a não ser em intensidade.

O principal fator de melhoria social foi a estabilidade monetária, com a melhoria generalizada de renda. Dentro desse quadro, o Governo Lula acelerou a recuperação de valor do salário mínimo, a ampliação do Bolsa-Família (Bolsa-Escola na gestão anterior) e universalização de atendimento do LOAS (Lei Orgãnica da Assistência Social) que garante uma renda mínima para aqueles fora do Sistema Previdenciário.

Todas essas medidas podem passar para a discussão do "quem faz ou fez melhor", mas nenhum deles deixará de dar continuidade, apenas prometendo fazer melhor.

Fazer melhor o que já vem sendo feito será suficiente para que o Brasil seja socialmente mais justo em 2022?

Que outras novas medidas ou estratégias precisarão ser adotadas?

Há alguns pontos controversos com o das cotas para os "desfavorecidos", as mudanças nos benefícios previdenciários e na legislação trabalhista.

Em relação às cotas o que cabe avaliar - excluindo as distorções pontuais - qual o resultado efetivo de melhoria de oportunidades dos então "desfavorecidos" sejam os negros, estudantes de rede pública, indígenas e outros.

Já em relação às mudanças previdenciárias é preciso considerar que a melhoria para a base terá sempre um impacto social favorável, ainda que custe mais para o erário público e, em consequência para os contribuintes. O problema é que os "marajás" da previdência sempre usam a base para melhorar as suas aposentadorias milionárias. São essas que pesam mais.

O PT, junto com a base aliada, propõe um sistema mais distributivo. A resistência está dentro do próprio Governo Lula, segundo uma visão de futuro. As medidas vão impactar o caixa do Tesouro nos próximos governos, que poderão ser do próprio Lula ou do PT. O PT cometeu esse erro, ao recusar a aprovar a Reforma Previdenciária de FHC e teve que conviver com o déficit previdenciário (com sacrifício dos investimentos) minorado pelo fator previdenciário.

Com a eliminação desse, vai de encontro com a tendência universal, cada vez mais preocupada com o evelhecimento da população. Dentro da sistemática atual, agravada pelas alterações em curso, no futuro, cada vez mais jovens trabalhadores terão que arcar com a aposentadoria e pensão dos mais idosos, ociosos.

Nesse ponto está o principal risco do lulo-peronismo, com o fortalecimento das lideranças sindicais demagógicas: "quebrar" o Estado, com as concessões de benefícios sem geração de renda.

O lulo-peronismo irá engolir o próprio Lula.

 

 
 

Brasil 2022

Brasil 2010, resultado de um plano?

O Brasil de 2010 deverá ser um pais economicamente mais forte que o de 2000 e que o de 1995.

Será o resultado de um plano estratégico ou de um Projeto Nacional, formulado em 1995 com o Plano Real?

Seria o resultado de circunstâncias, ou de acaso?

Diversamente de planos de metas, com a definição de indicadores para um momento futuro, o Plano Real seria um plano de trajetória. Busca-se, num momento então presente, corrigir trajetórias que resultam em condições favoráveis, no futuro, independente de medidores fixos. No caso, o objetivo seria uma economia livre de inflação. Com isso estaria forte para crescer continuamente e superar as crises.

Essa trajetória, vem sendo cumprida desde então e o país já enfrentou duas grandes crises internacionais: uma em 1999 e outra em 2008-09. Não naufragou, manteve a sua trajetória de crescimento - ainda que mais lenta - e saiu mais forte da crise.

Diante disso, qual seria o plano estratégico para 2022? Ou a dimensão econômica de um Projeto Nacional, para esse marco temporal?

O Projeto BRASIL 2022, empreendido pelo PNBE - Pensamento Nacional das Bases Empresariais - do qual participo, define essa dimensão do Brasil que Queremos, como "Economicamente Forte".

Dentro que foi a trajetória dos últimos 15 anos, poderiamos dizer que não é preciso plano algum. Basta continuar a trajetória e manter o país, livre de inflação. Assegurada essa condição básica, continuará se fortalecendo e será em 2022, um país economicamente forte.

2010 é um ano de eleições gerais e poderia haver um confronto de propostas de trajetórias. A situação poderia propor a continuidade de uma trajetória que está dando certo. A oposição poderia criticar, se opor, mas não pode, porque essa trajetória foi definida por ela, quando Governo.

As diferenças seriam em detalhes ou em instrumentos, também sem maiores diferenças. Mesmo a questão da privatização, na realidade, apresenta poucas diferenças.

A disputa se faz entre "quem fez ou faz melhor". Um disputa quase infantil: "eu comecei, você está me copiando", dizem os "tucanos". "Eu fiz muito melhor que você", diz o atual Governo (que não pode ser caracterizado como petista, mas quando muito como lulista).

"Você está gastando demais e vai comprometer as contas públicas. Com isso a inflação vai voltar e a economia vai enfraquecer", acusa a oposição. "Inveja sua, porque estamos indo bem, muito melhor que vocês, quando Governo".

Não haverá, nesse sentido, uma disputa programática estrutural em 2010, com relação à economia. Será entre quem faz melhor.

A decisão não será dos economistas, dos analistas ou dos supostos "formadores de opinião". Será do eleitor, do povo e, nesse caso, o Governo leva vantagem. A imagem de uma economia mais forte mostrada pelo Governo atual é mais forte que a do governo anterior, já esmaecida.

Mas, do ponto de vista pessoal, o Governo leva desvantagem. Serra tem a imagem de quem começou (ainda que não corresponda aos fatos). Dilma é uma paraquedista dentro da dimensão econômica. Aécio tem pouco passado - perante o eleitor nacional (pois ainda é um político regional) - mas tem a possibilidade do futuro. Não entraria na disputa entre "quem fez", mas "quem fará".

Qualquer que seja o eleito dificilmente terá condições de mudar a trajetória e, com isso, o Brasil de 2022 será mais forte que o de 2010. A menos que o mundo acabe antes. Mas se o mundo vai acabar, qualquer plano não faz sentido.

O único risco é da incompetência. Das "barbeiragens".

 
 

Apagão

Faltam explicações

Não vieram a público os dados técnicos prometidos pelo Governo, que pudessem explicar o que houve, efetivamente, na noite de terça-feira passada, quando ocorreu um imenso e longo blecaute.

O Governo procura "vender" a versão de que foi apenas um incidente, imprevisível e incontrolável. Por decorrer de fatores climáticos que o homem não pode determinar.

Os acidentes climáticos podem ser "obra de Deus" e não pode ser controlado pelo homem. Porém para a continuidade de um sistema elétrico, o mesmo é planejado e implantado com salvaguardas para evitar que os mesmos sejam afetados. Ou quando afetados, prontamente restabelecidos.

O Governo tenta impingir a versão de raios, como se os sistemas não contassem com para-raios.

A oferta de energia elétrica no Brasil depende de Itaipu, cuja produção é transportada a longa distância por linhas de transmissão de alta tensão. Para dar maior segurança à transmissão essas linhas seguem por caminhos diferentes, mas voltam a se unir em determinados pontos, onde ocorrem as conversões para tensões menores, até chegar às subestações de distribuição, para o suprimento doméstico.

Por que seguem caminhos distintos? Para que todas não fiquem sujeitas aos mesmos "incidentes atmosféricos", como os ventos, chuvas e raios. Não seria econômico blindar inteiramente, todas as linhas com sistemas de proteção. Existem, mas são parciais. O que significa que podem ocorrer.

E porque se juntam de novo?

Por necessidade técnica. Mas para evitar os problemas climáticos, são ampliadas as proteções.

Ou seja, se houve - efetivamente - um raio que afetou uma das linhas, a eventual sobrecarga das outras linhas denota uma falha operacional. O "efeito" dominó teria ocorrido por falha operacional.

Isso porque as represas estão cheias, não havendo necessidade concentração de suprimento de usinas com maior capacidade para economizar a água dos reservatórios com menor disponibilidade.

Alguns anos atrás, ajudei a quebrar alguns paradigmas ou mitos do setor elétrico: "eletricidade não tem estoque". É fato, mas no sistema hidroelétrico se estoca a água.

Num sistema baseado em hidroeletricidade e interligado, um dos principais papéis do coordenador do sistema, o Operador Nacional do Sistema é gerenciar esses estoques.

Por outro lado, no período noturno, quando ocorreu o blecaute, a demanda era menor.

A lógica dentro do sistema interligado seria que no quadro existente, o suprimento preferencial de São Paulo - com sequência para o Rio de Janeiro e Espirito Santo - fosse pelas suas usinas, complementado por Itaipu. Esse deveria estar com um suprimento abaixo do diurno.

As informações preliminares dão conta do inverso. Itaipu estaria sendo utilizado a plena carga, com o desligamento momentâneo das demais usinas.

Essa é uma informação relevante que não pode ser escondida. Por que o Governo reluta em mostrar?

Confirmado esse dado - o que será inescondível - fica a pergunta que já está no artigo de hoje, do prof. José Goldemberg, no Valor Econômico: por que Itaipu estava gerando a plena carga à noite enquanto as usinas da Cesp estavam fora do sistema?

Uma resposta plausível é que o ONS buscava utilizar plenamente o contrato de suprimento de Itaipu que é pela disponibilidade e não pelo consumo efetivo. Ou seja, é preciso pagar Itaipu, use ou não use a sua energia, dentro do que está contratado.

Foram decisões de planejamento e operação de natureza técnica e comercial. Sem conotações políticas e explicáveis, ainda que não plenamente justificáveis.

A partir dessa opção de planejamento teria havido um conjunto de "barbeiragens".

Se esse foi o fato real que deu origem ao blecaute, afastado o impacto político-eleitoral, isso pode nos deixar mais tranquilos. As "barbeiragens" dificilmente se repetirão.

Seriam mais simples as explicações e correções não fossem os fatores político-eleitorais envolvidos.

 

 

 
 

Copenhague

Fracasso confirmado

Foi um aborto.

Mataram a Conferência antes mesmo dela começar.

O fracasso foi confirmado, como alguns - inclusive este blog - previram.

Não porque se desejasse que fracassasse, mas porque as negociações estavam sendo mal conduzidas, focando nas questões erradas.

A Conferência do Clima não é uma questão ambiental. É, acima de tudo, uma questão econômica. Sem essa consideração não haverá avanços.

A questão principal é a competitividade relativa dos paises desenvolvidos perante os emergentes. Aqueles querem que os emergentes sejam tratados como "novos ricos". Com as mesmas obrigações dos "velhos ricos".

O Brasil sucumbiu às pressões a anunciou as suas metas, ainda que de forma ambígua. E não conseguiu que China e EUA mostrassem as suas cartas.

Para os ambientalistas brasileiros será uma frustração. E também para muitos empreendedores que contavam - como certa - a aprovação do REED.

O Brasil mostrou as suas cartas, mas dificilmente vai "ganhar o jogo".

Vai receber promessas vagas de dinheiro para ajudar na redução do desmatamento.

Mas vai ser cobrado para demonstrar que as suas metas são viáveis e não apenas "vagas intenções".

Com a antecipação do fracasso, o Brasil e Dilma poderão se sair bem.

Por ter antecipadas as metas, antes do anúncio norteamericano-asiático, não poderá ser acusado de culpado pelo fracasso.

E poderá cobrar metas e recursos dos demais.

Para o Brasil, o jogo virou.

Teria sido, mais uma vez a intuição de Lula, ou a sua estrela?

 

 
 

Apagão

 

Os azares de Dilma

Lula é um sujeito de muita sorte. E consegue navegar com facildade as ondas das circunstancias. Mesmo quando diz bobagens e é desmentido pelos fatos, consegue contornar.

Dilma, ao contrário, parece carregar azar.

Fez uma plástica para melhorar o visual e em seguida teve que fazer um grande tratamento para combater um câncer.

Tinha absoluta segurança sobre o desempenho do setor elétrico que escolheu como o seu ponto principal para confrontar o Governo anterior e foi pega por um apagão maior que o do governo FHC.

Com a divulgação dos dados técnicos que vão mostrar melhor o que efetivamente houve na noite de terça feira, a situação dela poderá ficar melhor ou pior.

O melhor cenário para ela será um eventual ataque de hackers. O pior será a demonstração da "barbeiragem" do ONS - Operador Nacional do Sistema.

De qualquer forma ela perdeu um grande trunfo. Quando disse que o governo atual dava de 400 a zero. Levou 1000 "nas fuças" e ficou em desvantagem. Terá que ter maior cuidado em se vangloriar das conquistas. A maior delas, se perdeu na escuridão.

As consquistas e avanços são reais, porém a ansiedade em querer colocar tudo como comparação com o Governo FHC a leva a desgastar a credibilidade. E falta de credibilidade será fatal numa eleição midiática.

Se Lula não é autêntico, é - como afirmou Fernando Meirelles - o melhor ator brasileiro. Passa plenamente a imagem do Lula que interpreta. É uma interpretação crível.

Já Dilma é uma má atriz. Precisará ainda de muito treino para se tornar uma boa atriz e fazer com que a Dilma, que os marketeiros inventaram seja crível.

Ela não passa credibilidade. As suas colocações de afeto, como tratar jornalistas de "minha filha" ou os jornalistas de "meu querido" soa falso.

A verdadeira Dilma é raivosa, impaciente e incontrolável nas suas emoções.  Principalmente quando se trata de FHC, do qual tem total ojeriza.

As eleições são decididas pelos eleitores de menor renda e cultura. Os antigos "formadores de opinião" perderam o poder de influência. A relação de empatia entre esses eleitores e o(a) candidato(a) ocorre pelos programas de televisão.

Por mais que os supostos "formadores de opinião" insistam na necessidade de programas, o fato real é que a escolha se faz em relação à empatia com a imagem do candidato.

E o candidato não é o que ele é, mas a imagem produzida pelo marketing político. O candidato é uma personagem criada pelo "script" mercadológico.

E precisa ser interpretado com competência, muita competência de representação.

Lula é um ator nato. Dilma, precisará fazer um curso intensivo no "Actor Studio" para interpretar "Vilma - a mulher do Lula".

~Indice da Semana

Semana de 9 a 13 de novembro de 2009

13 de novembro de 2009

12 de novembro de 2009

11 de novembro de 2009

10 de novembro de 2009

09 de novembro de 2009

 
 

Apagão

Politização, midiatização e desinformação do apagão

A mídia, na suposição de simplificar a informação e compreensão, cria ou difunde "expressões midiáticas" que podem misturar coisas diferentes, tratadas como se fossem iguais.

"Apagão" foi uma tradução midiática do "blackout", que é uma interrupção do suprimento de energia elétrica. Pode ser inesperada, decorrente de alguma falha ou acidente. Pode ser programada, como corte do suprimento para manutenção ou outros fatores. Em tempos de guerra, o blackout era utilizado para evitar a identificação de cidades como alvo de bombardeios. A tradução técnica, anteriormente utilizada à midiatização é blecaute.

Blecaute ou apagão é diferente de racionamento. Racionamento é uma redução de voluntária ou compulsória no consumo, para evitar interrupções no suprimento de serviços, ou seja, de blecautes.

O que houve em 2001 não foi blecaute nem "apagão", mas racionamento diante do risco de um excesso de consumo em relação à oferta, uma vez que as represesas que abastecem as turbinas para geração de energia estavam muito baixas. O racionamento foi preventivo e nem teria sido necessário, pois depois choveu bastante. Mas nenhum governo poderia deixar de ter feito o racionamento. Porque não investiu suficientemente antes. No caso, dentro do próprio governo FHC.

Eventuais comparações entre blacautes tem que ser feita com a de 1999, ocorrida dentro do governo FHC. Esse foi de menor intensidade, decorreu de eventual acidente climático (ainda contestado) teve menor propagação e o sistema ainda estava vulnerárvel, por falta de investimentos.

O fornecimento da energia de Itaipu era feito por dois circuitos e depois do blecaute de 99 foi implantado um terceiro, para dar maior segurança e confiabilidade.

Com a politização dos "apagões" petistas e tucanos se degladiam para dizer qual desses (99 ou 09) foi o pior. E entra na discussão o racionamento de 2001, também caracterizado como "apagão", o que não foi.

Do ponto de vista técnico, sem dúvida a de 2009 foi pior, levando a um desligamento de Itaipu, o que não havia ocorrido em 99. A propagação também foi maior.

Do ponto de vista político isso pouco interessa. Na prática o jogo ficou empatado, com um gol contra do Governo Lula.

Não vai poder usar os "apagões" como passivo político de FHC e dos tucanos, com um ativo que agora perdeu.

A questão principal é como evitar uma nova ocorrência, principalmente tendo em vista a Copa 2014 e as Olimpiadas 2016.

Se for confiar em Deus (ou São Pedro) podemos ficar tranquilos. Ele só se enfurece a cada dez anos. O próximo apagão só será em 2019.

Nem o governo, tampouco a oposição ainda vieram para dizer o que deverá ser feito. O governo diz apenas que é preciso melhorar. A oposição ainda está apenas na crítica.

 
 

Apagão

Vitrine ou vidraça?

Com a escolha do Brasil para sediar jogos da Copa 2014, participei de uma "caravana rolidei" que visitou 16 das cidades candidatas para conhecer o que essas cidades ofereciam e, também, os seus problemas e desafios. O que resultou, entre outros produtos, numa publicação com o título "Vitrine ou Vidraça - Desafios do Brasil para a Copa 2014".

O que se procurou mostrar nesse processo é que a Copa 2014 (e posteriormente as Olimpiadas 2016, no Rio de Janeiro) passaria a dar uma grande visibilidade ao Brasil no exterior. E que isso poderia ampliar o fluxo turístico, assim como o de investimentos.

Efetivamente o Brasil passou, depois da escolha do Rio para as Olimpiadas de 2016 a ter mais espaço e destaque na mídia internacional. Mais com as suas vidraças do que com as suas vitrines.

No mês passado foram os violentos confrontos entre quarilhas e com a polícia, no Rio de Janeiro. Agora com o enorme e imenso apagão.

A versão do Governo pode até estar certa, quanto à origem, mas foi a pior das alternativas, do ponto de vista do marketing de um país que quer sediar a Copa e as Olimpiadas.

Se um apagão que afetou 18 estados brasileiros, entre esses os principais e mais a Capital Federal, e durou mais de quatro horas, foi causado por raios e ventos, "raios que te partam", então só há uma conclusão: o sistema é vulnerável. O sistema é frágil.

Haveriam duas sequências imediatas: é preciso fazer investimentos e interligar o sistema.

A questão é que depois do apagão de 99 foram feitos investimentos no sistema de transmissão e interligados os sistemas. O Brasil tem um sistema interligado de energia elétrica, que nem os EUA tem.

Houve um grande volume de investimentos, com a privatização dos sistemas de transmissão. As novas linhas foram objeto de concessões. A CTEEP a maior rede de transmissão estadual foi privatizada. Mas a ligação de Itaipu ao Sistema, permaneceu estatal, sob controle de Furnas. Foi nessa que iniciou-se o processo.

Acidentes climáticos podem afetar o sistema apesar desse estar "blindado", com pararraios e estruturas mais fortes para suportar temporais e até tornados.

E, uma das razões para o sistema interligado é limitar o efeito dominó. Quando ocorre uma sobrecarga os circuitos são automaticamente desligados, mas a intervenção humana promove o imediato restabelecimento com o uso das fontes alternativas.

Apesar de todas as salvaguardas, a interrupção de uma das linhas, por fatores climáticos, pode ocorrer, sobrecarregando as demais, que vão sendo automaticamente desligadas, até chegar a pontos onde já não existe a sobrecarga. Ai são promovidas as redistribuições de carga, dentro do sistema interligado. O que envolve a ação humana.

A incompetência humana, no caso, foi a demora no restabelecimento. Essa é a grande vidraça que foi mostrada ao Mundo, no dia de ontem e continuará ainda no dia de hoje.

Identificar a "origem inicial" do apagão é o menos importante. O importante é saber por que se espalhou tão amplamente e por que demorou tanto para restabelecer.

O Governo está querendo vender a versão de que a culpa é do sistema interligado, quando o objetivo desse é exatamente o oposto. Com o sistema interligado busca-se conter o efeito dominó e não propagá-lo.

 

 
 

Apagão

Despreparo ou incompetência?

As autoridades virão logo com inúmeras explicações desencontradas, mas vão todas achar um grande culpado: Deus.

A culpa pelo imenso "apagão" que afetou grande parte do país, será de tempestades, de mudanças climáticas, de fenômenos não humanos.

Mas a pergunta que os leigos logo farão é: estamos tão sujeitos a esses apagões, por conta de tempestades?

Imaginem se isso viesse a ocorrer durante a Copa 2014 ou as Olimpiadas 2016?

O problema foi no sistema de transmissão de energia de Itaipu, a principal fonte de energia para o país.

Esse sistema opera em duplicidade, para que na eventualidade do desligamento de uma das linhas a outra garanta o suprimento. Um apagão só ocorre quando as duas linhas são desligadas.

Em outros casos houve uma conjugação desfavorável. Uma das linhas estava em manutenção e fatores climáticos desligaram a outra. Pode ter se repetido o mesmo problema.

Atualmente as previsões metereológicas são mais precisas e podem se programar manutenções em períodos com menores probabilidades de turbulências climáticas.

A outra hipótese é a sobrecarga na segunda linha. O que leva a desligamentos sucessivos e automáticos.

O sistema tem também as suas salvaguardas. E o religamento se faz por partes e usando também outras fontes diversas da principal.

Para esse gerenciamento existe um Operador Nacional do Sistema. Que, talvez estivesse dormindo.

Por a culpa no "aparelhamento sindical ou político da administração" será a primeira da oposição.

Uma hipótese adicional é que o apagão tenha sido obra de "hacker". O que não pode ser descartado. Mas se foi é também despreparo porque essa hipótese já foi levantada em relação a um apagão menor, ocorrido no Espirito Santo.

A amplitude do "apagão" e a demora no restabelecimento são indicadores claros de má gestão do sistema elétrico. De um despreparo inadmissível diante dos antecedentes.

Estaria havendo, então, uma degradação dessa gestão.

Em outras circunstâncias, com uma ocorrência dessas, o Ministro de Minas e Energia deveria ser sumariamente demitido. Por incompetência no tempo de restabelecimento.

Em vez de soluções, o que houve foi uma briga entre Itaipu e Furnas para achar o culpado. Obrigando a intervenção direta do presidente Lula.

Embora seja uma mera suposição, se Dilma fosse a Ministra de Minas e Energia ou se tivesse efetivamente na Chefia da Casa Civil, esse apagão não ocorreria ou se ocorresse, teria sido restabelecido em menor tempo na maior parte do Brasil. Principalmente em Brasília.

A boa prática da engenharia recomenda que primeiro se solucione e depois se busquem os culpados. No modelo gerencial atual, a primeira preocupação é buscar os culpados.

O fato real é que o Brasil não está preparado para a Copa 2014. Nesse caso não seria por falta de investimentos, mas por falhas de gestão. E o Brasil não está preparado do ponto de vista da Segurança Institucional.

Numa eventual suposição de guerra, o inimigo já sabe como parar o país.

A indagação é o quanto esse apagão poderá influir em 2010.

Lula insiste numa eleição plebiscitária comparando o seu governo com o de FHC. E esse, no setor elétrico, tem a imagem do quase apagão, de 2001. Muito explorado pelo PT, como demonstração de incompetência.

Grande parte do eleitorado não se lembra. Mas o apagão de ontem ainda estará mais vivo na memória dos eleitores em 2010.

Se em outubro de 2010 a comparação fora entre os apagões de FHC ou de Lula, quem será considerado pior?

 
 

Agoverno Lula

O custo financeiro do Brasil potência

A autoestima brasileira está em alta com as escolhas do país como sede da Copa 2014 e das Olimpiadas 2016. Também pelo enfrentamento da crise financeira internacional, da retomada rápida do crescimento econômico e pelo tratamento dado ao país e ao seu presidente Lula pela comunidade internacional. Entenda-se como tal as autoridades dos demais países e das respectívas mídias.

Lula ficou eufórico quando de devedor do FMI passou a ser credor. O FMI sempre foi o símbolo da dependência dos paises menos desenvolvidos aos mais desenvolvidos. Dos "pobres" perante os "ricos". Aos com DNAs (data de nascimento antiga) há uma foto famosa de JK na pose do "mê dá um dinheiro aí". ?

Ao abrigar o Brasil como um país "rico" os membros tradicionais querem que o novato passe a pagar as quotas de apoio aos mais pobres.

O Brasil só vai perceber - mais claramente - o significado de ter se tornado um país rico, em Copenhague, agora em dezembro.

O Brasil teve um papel importante em Quioto, quando foram estabelecidas as bases do Mecanismo de Desenvolvimento Limpo e o país um credor de carbono.

Agora os paises ricos tradicionais estão "exigindo" que o novato seja também um devedor de carbono. E, mais, passe a contribuir com os créditos de carbono, dos paises - efetivamente pobres.

No G20 o Brasil posa de país rico, estando no meio deles. Na reunião prévia de Barcelona, fica ao lado dos pobres, querendo receber pelos seus créditos e "chantageando" o mundo para não desmatar.

Lula sabe muito bem trabalhar com essa ambiguidade e negociar uma posição de equilibrio. Mercê da sua personalidade ímpar e experiência negocial.

Diversamente do que interpretam os professores Fernando Henrique Cardoso e Carlos Guilherme Motta não há no Brasil um autoritarismo, mas um arbitramento competente do jogo das forças sociais (no seu sentido mais amplo). Lula não impõe mas arbitra entre o jogo de forças que, inclusive, se instaura dentro do Governo.

Ele reconhece que não há (nem pode haver) unanimidade dentro do Governo, com Ministérios e Ministros defendendo posições e interesses setoriais, em geral, contraditórios.

Ele não determina uma linha de conduta, mas deixa o "pau qubrar" para assumir uma posição ou outra. Em geral, de forma circunstancial.

Por isso, escrevo aqui, que não há um governo Lula, mas um agoverno Lula, cujos resultados práticos são favoráveis e dão sustentação à sua popularidade.

E "ai é que mora o perigo".

Lula resolveu "jogar o jogo" em Copenhague, sem antecipar a posição do Brasil. Vai para a mesa de negociações, com as cartas fechadas. Quer ver o jogo dos outros, antes de abrir o seu.

O problema é que ele não pretende ir. A menos que Obama vá. Caso contrário, a chefia da delegação será de Dilma.

Vai ser jogada num jogo de "gente grande" ao qual ela não foi treinada, tamouco tem experiência prévia. Pode sair chamuscada.

Dilma não é um Lula. Não tem o mesmo perfil de negociadora. De árbitra, com paciência para ouvir as partes contrárias, principalmente às contrárias às suas convicções.

Então, porque Lula vai colocar Dilma "no fogo"?

 

 

 
 

Lulaperonismo

Evita Dilma

Após a publicação do artigo do sociólogo Fernando Henrique Cardoso, há no meio acadêmico e na mídia uma discussão sobre as semelhanças entre o lulismo e o peronismo.

Na Argentina, depois de muitos anos da morte do caudilho, permanece o peronismo como uma marca política. Sem uma definição clara do que seja, mas o governo atual, dos Kirschners, é peronista.

No Brasil, Lula tornou-se maior que o PT. O PT carregará o legado lulista?

Lula pretende eleger Dilma e retornar em 2014, para mais dois mandatos, completando 20 anos de lulismo, em 2022, junto com o bicentenário da independência brasileira. Que poderá ainda ter continuidade, eventualmente, com José Dirceu.

Segundo a Helen, o lulismo está à busca da sua "Evita". Dai o título. Ou seria Isabelita?

Lula está absolutamente convicto que com a sua popularidade, elege até um "poste".

Maluf, em São Paulo, tinha a mesma convicção e conseguiu. Elegeu um "poste" o que ajudou a acabar com as pretensões de retornar à Prefeitura.

Eleger Dilma, em 2010 é um grande risco para retornar em 2014.

Por uma razão simples: o modelo de agoverno de Lula é estritamente pessoal e não há como transferir para outra pessoa. Que, ademais não tem a negociação no seu DNA.

Para consolidar o lulismo, estratégica e dialeticamente, o melhor para Lula é a eleição de Serra, em 2010 e o retorno triunfal em 2014.

Índice da semana

Semana de 2 a 6 de novembro de 2009

6 de novembro de 2009

5 de novembro de 2009

4 de novembro de 2009

3 de novembro de 2009

2 de novembro de 2009

 

 
 

Três poderes

Degradação da Praça dos Três Poderes

No momento, o Poder Executivo não está na Praça dos Três Poderes, em Brasília, mas há uma nítida degradação, com o Congresso desrespeitando o Judiciário e "pagando para ver".

Os "infiéis" mudaram de partidos e desafiando o TSE a cassar os seus mandatos. Estão confiantes que com a demora do Judiciário se houver a cassação essa poderá ocorrer quando o respectivo mandato já estiver extinto.

Agora a mesa do Senado, por razões corporativas, contesta a máxima "decisão judicial suprema não se discute, cumpre-se". E desafia o STF a mandar prendê-los por não cumprimento imediato da sentença.

A democracia brasileira está em risco e culpa maior está no eleitorado.

Ainda que a classe média não reconheça, o Congresso é um lídimo representante do povo brasileiro. É esse povo que elege os Sarneys, os Expeditos e outros.

Pode se alegar que é com compra de votos. Mas, do outro lado do comprador existe o vendedor. Se o eleitor deixa-se comprar há quem compre e se elege.

A classe média fala para si mesmo e acha que está falando com o povão. E, esse, continua elegendo os "mesmos", ainda que outros nomes. A renovação no Congresso não altera o quadro. Porque os novos que chegam, logo são contaminados.

Do ponto vista numérico é preciso renovar, pelo menos dois terços. Para isso será necessária uma forte e ampla campanha nacional contra a reeleição. Mesmo que isso atinja alguns que - pelo seu trabalho e seriedade - mereça ser reeleito.

A mensagem para o "povão" deve ser simples e genérica: "não vote em ninguém que está hoje no Congresso". Mesmo assim, 1/3 do Senado fica sem necessidade de reeleição.

Qual seria o resultado de uma campanha dessas?

Vamos tentar refletir e avaliar na próxima semana.

 

 

 
 

Copenhague

Uma aposta de alto risco (ou de risco certo)

Lula, na sua onipotência, embalado pela imensa popularidade interna, parece ter certeza que irá salvar a Conferência do Clima em Copenhague, a ser realizada em dezembro p.f.

Mantém a estratégia de responsabilizar os paises ricos pelo aquecimento global e vai fazer coro junto aos paises menos desenvolvidos para exigir fortes reduções das emissões dos paises ricos, sem oferecer - de pronto - qualquer contrapartida. Essa terá que ser paga pelos paises ricos para compensar o que fizeram no passado. É um conceito de "dívida" ambiental.

E mais: se o mundo quer que o Brasil preserve a floresta amazônica, deve pagar por essa preservação. Para que a floresta em pé, valha mais que derrubada.

Por estar convencido da validade da sua concepção e estratégias, não vai definir previamente qualquer meta e mandar Dilma Rousseff como chefe da Delegação Brasileira. Com isso pretende fazer com que o mundo, que o admira, conheça a sua sucessora.

Num ambiente repleto de ambientalistas, se a mulher que representa o Brasil fosse Marina Silva, Lula poderia ganhar mais respeito. Ao mandar uma adversária de Marina Silva, já quebra expectativas, e corre risco. Dilma será pressionada a responder - pela mídia ambientalista - sobre Marina, provavelmente, mais que sobre os temas ambientais.

A Conferência redundará em fracasso - já previsto por muitos - e será tomado pela "busca dos culpados". O Brasil é candidato a ser um dos principais culpados.

Como a cobertura da Conferência será - predominantemente - pela mídia ambientalista, a repercussão negativa da posição brasileira poderá afetar o quadro interno para 2010.

Dilma poderá sair da Copenhague, para o público interno, como alguém não preparada para o cargo de Presidente da República. Poderá sair com a imagem arranhada, pelas versões negativas, da mídia ambientalista.

Se tudo isso parece óbvio, só Lula não percebe, ou ele, na sua infinita perspicácia política, consegue enxergar o que os outros não veem.

Não se pode esquecer que a popularidade de Lula não é apenas interna, mas goza de uma imensa popularidade externa. Alcançada pelo seu carisma pessoal. Conseguirá transferir a sua imagem a Dilma?

Qual é a carta que ela levará escondida na manga do seu terninho?

 

 

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