Inteligência Estratégica - Jorge Hori


 
 

Copa 2014

Os atendimentos aos públicos

Há ainda uma grande preocupação com a construção dos estádios para a Copa 2014.  Irão ficar prontos ou não? Ficarão dentro os orçamentos ou haverá estouros de verbas?

Mas para abrigar a Copa e fazer a "melhor de todos os tempos", como alardeiam os panglossianos porta-vozes oficiais é preciso muito mais. Os quais deveriam ser objeto de um minucioso e seguro planejamento, o que parece não estar ocorrendo. Um dos pontos criticos é o atendimento dos espectadores que pretendem ir aos estádios, acompanhar os jogos.

É preciso, de um lado, caracterizar e segmentar os públicos, cada qual com as suas necessidades comuns e específicas. De outro os locais de atendimento.

Basicamente serão três públicos: o turista estrangeiro, o turista nacional e o público local.

O turista estrangeiro virá predominantmente em pacotes,  com tudo programado: hoteis, translados, passeios, ingressos etc. Todo atendimento será dado pelas agências de turismo que os trouxerem. Mas é preciso considerar os "desgarrados" que serão minoria, mas precisarão ser adequadamente atendidos, em situações aflitivas ou até mesmo de pânico. Uma parte dos turistas, provavelmente pequena, será de independentes, fora dos pacotes mas com conhecimentos da cidade ou vinculos com pessoas locais. Sozinhos, não estarão inteiramente perdidos. Alguns até se movimentarão com o transporte coletivo, podendo estranhar a má qualidade dos serviços de ônibus. Para eles a solução será o taxi, nem sempre disponível.

Os turistas nacionais deverão ser, na maioria, independentes, fora dos pacotes,  com escolhas pessoais sobre a movimentação, hospedagem e outras atividades. Não terão a barreira do idioma, mas uma parte poderá ficar perdida numa cidade que mal conhecem, principalmente nas grandes metrópoles, sem significativos marcos referenciais, como a orla marítima. Em São Paulo, a salvação é encontrar uma estação metro-ferroviária e dia se reorientar. Mas poderá estar longe de qualquer dessas.

Mesmo os locais podem precisar de orientações ou se perder, mas terão algumas referências locais para se situar.

A responsabilidade para estabelecer uma rede de orientação aos turistas será dos Municipios e dos Estados, podendo contar com o apoio federal. Um planejamento importante é preparar o conteúdo previamente e promover rapidamente a tradução e impressão, em função dos paises que irão jogar na cidade. A contratação prévia dos tradutores, principalmente os menos usuais poderá ser um dos principais apoios federais. A folhetagem deve ser prévia para dar suporte a campanhas de marketing nos paises selecionados.

A execução envolve incógnitas que somente serão superadas nas proximidades dos jogos: os paises selecionados e depois o sorteio para definir as chaves e os locais dos primeiros jogos. As novas incógnitas serão os que irão passar para as fases subsequentes. Os riscos da produção serão a carência ou o excesso. Os exercícios de probabilidade, com muita antecedência, serão confiáveis?

Com relação aos locais será preciso planejar o atendimento dentro dos estádios, no seu entorno, nos acessos e principais concentrações de origem (polo hoteleiro). Com as fan-fest haverá necessidade de cuidar dos públicos também nesses locais, que deverá receber predominantemente o público local, sendo um dos fatores críticos o estacionamento.

 



Categoria: Engenharia, Urbanismo
Escrito por Jorge Hori às 19h19
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O papel do projeto

O que especificar?

O projeto de arquitetura e/ou engenharia, num primeiro momento, concebe a solução, para atender a um programa de necessidades definida pelo propritário.

Numa fase subsequente especifica os materiais a serem aplicados na obra, o que atrai o interesse da cadeia de suprimento, com o interesse das empresas em fornecer o seu produto.

Nas obras privadas o proprietário tem interesse nessas especificações, em função da qualidade e dos custos. Já nas obras públicas, a seleção dos fornecedores deve ser feita mediante licitação, com impessoalidade, igualdade de condições e outras condições definidas constitucionalmente, não deixando uma decisão discricionária do Administrador Público contratante.

No entanto, o fornecimento pode ser direcionado em função das especificações dos materiais ou serviços a serem fornecidos, que limitam a quantidade dos fornecedores que as podem atender.

Nos estádios para a Copa a FIFA procura interferir e influir na escolha dos fornecedores impondo especificações que só um grupo de empresas, supostamente parceiras da entidade, podem atender.

Ela não é a proprietária dos estádios, mas a usuária principal e privilegiada e, nessa condição, impõe as especificações, mesmo que isso vá de encontro à legislação brasileira.

O proprietário pode reagir, mas depende do projetista. Esse pode aceitar as especificações impostas pela FIFA, ou por não querer contrariá-la, ou porque - entende que não há alternativas para atender aos padrões de qualidade ou desempenho. A quebra do direcionamento só irá ocorrer se o projetista definir especificações mais genéricas que atendam aos padrões, sem limitar - demasiadamente - a concorrência.

A FIFA está acostumada a mandar e ser obedecida. Tem inclusive o seu grupo de projetistas, mas esses tiveram que entrar consorciadamente com projetistas nacionais.

A sociedade e o Goveerno brasileiros irão aceitar as imposições da FIFA? Ficarão apenas na indignação e no "jus esperniandi". Ou reagirão ativamente. Nesse caso dependerão dos projetistas. E, esses, como reagirão?



Categoria: Engenharia, Urbanismo
Escrito por Jorge Hori às 13h06
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Organização da Copa 2014

Uma confusão inconveniente

Diante dos atrasos na execução das obras para a Copa 2014, os pessimistas vaticinam que iremos passar vergonha e os otimistas, principalmente governamentais, alardeiam que iremos fazer a melhor Copa de todos os tempos. O que seria apenas uma obrigação, pois cada Copa deveria ser melhor que a anterior.

Mas o que é realizar uma Copa do Mundo de Futebol. Há pelo menos três grandes grupos de atividades: a preparação da infraestrutura, a organização do evento esportivo e a organização da logística do evento.

 Cada grupo tem atribuições e responsabilidades.

Devem arcar com os respectivos custos.

Todos tem expectativa de que esses custos sejam ressarcidos, com participação na receita dos ingressos ou de pagamento dos serviços pelos organizadores.

A FIFA, como organizadora, quer se aproprir integralmente da receita dos ingressos e empurar para os Governos a cobertura dessas despesas.

O lema da FIFA é “todos os lucros são dela, todos os custos do país hospedeiro”, vale dizer de todos os contribuintes, pois essas despesas acabarão sendo cobertos com recursos dos impostos.

 

A infraestrutura pública é de responsabilidade dos Governos. No caso da mobilidade urbana o que importa é a movimentação dos turistas durante a Copa, principalmente nos dias de jogos. Isso será resolvido por operações especiais e a menos de grande catastrofe que emperre integralmente a circulação das pessoas durante a Copa,  nas cidades sede eventuais congestionamentos não abalarão a imagem de organização da Copa.

É preciso lembrar que os turistas estrangeiros irão se movimentar predominantemente por vans. O pessoal da mídia poderá ter até tratamento diferenciado, com o apoio de batedores para abrir os caminhos.

A falta ou atraso das obras de mobilidade urbana pouco afetará a imagem externa do pais como organizador da Copa, afetando mais a imagem interna.

Já os problemas de atendimento dos turistas nos aeroportos poderá afetar a imagem de organização da Copa.

Realizar a melhor Copa de todos os tempos não é uma questão intrínseca, mas de imagem perante o “mundo”. É o “mundo” – através da mídia internacional e da reação dos turistas estrangeiros que irá dizer se a Copa terá sido o maior sucesso, com os aplausos aos organizadores ou se terá sido um fracasso ou uma vergonha. Nesse caso o “mundo” colocará em dúvida a capacidade do país em sediar as Olimpiadas, dois anos após.

 

O Governo Federal, preocupado com os atrasos nas obras e com eventuais “vexames” na organização da Copa, resolveu assumir o comando do processo. Mas de que processo?

A organização do evento esportivo, com as suas regras, composição das tabelas, etc é da FIFA e ela não só não irá abrir mão dela, como recusará qualquer interferência governamental.

Se houver problemas com as regras ou sua aplicação, utilização de chip na bola, problemas com a arbitragens ou violência no campo, tudo será atribuição e responsabilidade da FIFA. E, se, do ponto de vista futebolístico, não for a melhor Copa de todos os tempos, a responsabilidade não será do país, mas inteiramente da FIFA. Sem qualquer condição de intervenção do Governo para evitar eventuais problemas nos campos ou para assegurar o sucesso.

Também não está vinculado ao eventual sucesso ou fracasso da seleção brasileira. Isso é atribuição e responsabilidade da CBF que, igualmente, não aceitará qualquer interferência governamental.

 

Resta a organização do atendimento aos participantes da Copa, sejam as delegações esportivas, os patrocinadores, a mídia, como os espectadores, esses desdobrados em comuns, VIPS e VVIPs.

Se forem todos bem atendidos, com o mínimo de reclamações e máximo de louvores, a orgnização da Copa terá sido um sucesso e poderá ser alardeada como a melhor Copa de todos os tempos.

Mas se houver muita reclamações e insatisfação o país passará por um vexame, como incapaz de organizar a contento um megaevento internacional.

Diante do risco do vexame o Governo Federal resolveu assumir o comando das operações que estariam a cargo do Comitê Organizador Local.

Poderá o Governo ser melhor sucedido?

Quais sãos riscos de “vexame” que preciam ser prevenidos?

Alguns são de grande monta e requerem a participação do Governo, mas a maioria são pequenos problemas que, no conjunto, podem comprometer a imagem.

O risco de maior monta é de um eventual ataque terrorista. Se vier a ocorrer, por maiores que tenham sido os cuidados sempre ficará a imagem da ineficiência. A Copa será marcada pelo evento, como até hoje as Olimpiadas de Munique são lembrados pelos atentados, contra os atletas israelenses.

Mas háquestões menores que se vierem a ocorrer poderão manchar a desejada imagem da “melhor Copa de todos os tempos”, ou –na pior das hipóteses – fazer o país passar vergonha.

O país terá que gerenciar o estigma do turismo sexual. As belas mulheres, os traseiros mais sedutores são uma atração, mas também um risco. Eventuais escândalos sexuais – particularmente os que venham a envolver menores – poderão manchar a imagem do país.

Queiram ou não, gostem ou não, o julgamento principal será feita pela mídia estrangeira, a principal formadora de opinião. Essa quer ser bem atendida seja profissionalmente, mas também como turistas.

Como profissionais querem ter todas as facilidades e segurança para realizar os seus trabalhos. Tanto a energia, como as telecomunicações não podem piscar. As suas acomodações nos estádios e nos centros de mídia deverão ser impecáveis.

Como turistas querem ser bem acomodados e ter facilidades de movimentação.

Os custos da hospitalidade são uma vidraça que já transparece no Rio+20. O que o governo pode fazer a respeito, se os serviços são privados. Esses logo reclamam dos tributos e pedem a sua redução ou eliminação para poderem baixar os preços.

O Governo quer substituir o COL, por achá-lo  ineficiente, mas terá condições de fazer melhor? Se tiver que contratar algum serviço o terá que fazer mediante licitação. Será mais eficiente que a contratação privada?

De quem será a responsabilidade de planejar e contratar a festa de abertura?  O Governo será mais eficaz e eficiente nessa contratação? E quem irá pagar?

Fazer a melhor copa de todos os tempos não pode ser apenas uma bravata, mas requer um planejamento detalhado, avaliando os riscos e prevendo todas as ações necessárias.

Vai muito além dos estádios e da preparação da seleção. As providências estão sendo tomadas? (não a cachaça).



Categoria: Futuro do Brasil
Escrito por Jorge Hori às 15h48
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setores de alta intensidade de engenharia

O que e quais são?

O Governo Federal, mediante a Medida Provisória 564 de abril de 2012 estendeu para os setores de alta intensidade de conhecimento e engenharia, os befeficios dos financiamentos com juros subsidiados.

O que não fica claro, para efeitos práticos, é o que são setores de alta intensidade de conhecimento e engenharia, começando com a dúvida se se trata de condições conjugadas (conhecimento e engenharia) ou isoladas, portanto envolvendo setores de alto conhecimento, ainda que não envolvendo a engenharia e setores de alta intensidade de engenharia. Nesse caso é duvidoso que possa haver alta intensidade de engenharia sem estar acoplada a alta intensidade de conhecimento.

Na perspectiva de condições conjugadas o setor de produção de software estaria indubitavelmente contemplada. Um segundo setor contemplado pelas condições da MP 564/2012 seria o da engenharia consultiva, também caracterizada como engenharia de projetos, ou - genericamernte - como o setor de engenharia, diferenciando-o do setor da construção e do setor industrial.

O segmento de TI é sem dúvida de alta intensidade de conhecimento, porém é também de engenharia? No caso de hardware sim, mas o seria também no software? A base desse é a matemática, elemento fundamental da engenharia, mas que não se fundem numa coisa só.  Um setor, ora emergente, com elevada intensidade de conhecimento e de engenharia é dos equipamentos médicos.



Categoria: Engenharia, Urbanismo
Escrito por Jorge Hori às 09h43
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O equivoco do RDC

O sucesso é o  indício do equivoco.

O Governo Federal tem alardeado o sucesso da aplicação do Regime Diferenciado de Contratações Públicas - RDC com base nos prazos do processos realizados pela INFRAERO, que chegam, em alguns casos, a menos de 40 dias.

Vale aqui o dito tradicional "a pressa é inimiga da perfeição". Os prazos excessivamente curtos prejudicam a qualidade e os custos finais. Priorizar demais os prazos é a base do equivoco.

Mas há um outro problema. O  curto prazo para apresentação da proposta, limita a concorrência, o que vai de encontro de um dos objetivos da licitação pública. Com prazos de apenas 15 dias, ainda que úteis, só estão preparadas para elaborar proposta discriminada consistente, aqueles que estão acompanhando - dia a dia - o movimento das licitações ou contam com informações privilegiadas.

Diferentemente de lcitação de produtos prontos, cujos preços já estão calculados e estabelecidos, no casos de obras - seja para o projeto, como construção ou gerenciamento - o produto ainda não existe. Precisa ser planejado, projetado e orçado,  com a formulação de uma planilha de custos. Para isso é preciso, em alguns casos, realizar serviços de campo, como sondagens. O prazo é muito curto para todas essas tarefas. Só estão adequadamente preparados os que contam com informações prévias, comprometendo a igualdade de condições, prevista constitucionalmente.



Categoria: Governo e Politica
Escrito por Jorge Hori às 22h07
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Copa 2014 na Espanha!!!

Seria uma solução para a crise européia?

O Brasil, aparentemente não está sabendo aproveitar a oportunidade histórica que é sediar a Copa 2014. Apesar dos alertas o Governo, tampouco a sociedade brasileira estariam percebendo a oportunidade que poderá ser perdida.

Então para reflexão e ação levanto uma hipótese que pode ajudar a perceber melhor a oportunidade: transferir a Copa 2014 para a Espanha. Por que para a Espanha? Porque esse país, juntamente com a Grécia e Portugal, é o que está em situação econômica mais dificil, com estagnação e desemprego. Entre os três paises, a Espanha é o que tem o maior potencial futebolistico, além da bem sucedida experiência com as Olimpiadas de Barcelona, em 92, enquanto a Grécia amarga o fracasso com as suas Olimpiadas em 2004, provavelmente uma das origens da sua crise.

Saberia a Espanha aproveitar melhor a oportunidade que o Brasil estaria desperdiçando?

Para sediar a Copa a Espanha teria que investir em novos estádios, digamos oito, em vez das doze que estão sendo constuidas no Brasil, assim como em investimentos em mobilidade urbana, aeroportos e outros setores de infraestrutura.

Com isso estariam (re)ativando a sua construção civil e melhorando os níveis de emprego. atualmente muito baixos.

Mas cabe indagar, de onde viriam os recursos para esses investimentos? Seria do já combalido Estado espanhol? Ai se pergunta se seria a melhor aplicação desses recursos públicos nesse momento? Seriam os de maior retorno, ou investimentos em elefantes brancos, deixando como legados apenas mais dívidas? Como teria ocorridos com a Grécia com as suas Olipiadas?

Poderia se supor que houvesse uma interesse de capitais de outros paises da própria comunidade européia em investir nesses estádios espanhois, aumentando - momentaneamente - a capacidade de investimento da economia espanhola.

No Brasil os estádios estão sendo todos construidos com recursos internos notadamente públicos. A maioria é financiada com recursos dos respectivos Tesouros Estaduais, com complementação de recursos providos pelo BNDES, que por sua vez é suprido por recursos doTesouro Nac ional.

Os empreendimentos privados no formato de PPPs tem parte de recursos p´róprios dos empreededores, sendo também complementados por recursos do BNDES. Não consta que nenhum dos empreendedores tenha recorrido a capitais estrangeiros. Resulta afinal que a maior parte, quase totalidade dos recursos para a construção dos estádios provêm do Tesouro Nacional, complementado por recursos públicos estaduais.

É evidente que a construção dos estádios movimenta toda cadeia produtiva da construção civil e gera múltiplos empregos. Mas seria de se indagar se os mesmos recursos públicos fossem aplicado em obras de mobilidade urbana ou de saneamento não teria o mesmo impacto de curto prazo, porém com melhores perspectivas de médio e longo prazos? Os investimentos na infraestyrutura melhoram a capacidade de atendimento às demandas, zumentariam a produçção dos serviços, com reflexo no PIB. Já allguns dos estádios irão se tornar "elefantes brancos" ociosos e sem aumentar a produção e o produto nacional. O que provavelmente não ocorreria na Espanha. Os novos estádios ou o aumento da capacidade dos atuais abrigaria maiores públicos, maior arrecadação, vale dizer maior produção de serviços. Um jogo de futebol digniica a produção de um serviço de entretenimento, de alto valor, que - no conjunto tem influência significativa no PIB.

Assim sendo, o que o Brasil não estaria fazendo o que a Espanha faria, para aproveitar melhor a oportunidade de sediar uma Copa do Mundo? Ou o que estaria fazendo de errado?

Em relação aos estádios não deveria estar constuindo 12 estádios, dentro dos quais 9 estatais e mesmo os privados, com recursos predominantemente do BNDES.

Lula, quando o Brasil foi anunciado como sede da Copa 2014 afirmou que não haveria recursos públicos para os estádios, mas não criou condições para que a iniciativa privada buscasse recursos privados, nacionais e internacionais para financiar a construção.

O que deveria ter sido feito? Além das três cidades com estádios de clubes, deveria ter apoiado um dos clubes do Recife, eventualmente os de Florianópolis para reformarem e ampliarem os seus estádios. No Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Fortaleza e Salvador a alternativa seria a privatização dos estádios estaduais, para um dos principais clubes ou para um consórcio delas. O mesmo modelo poderia ser adotado em Goiania e em Belém. Nesse modelo, estritamente privatista, a conformação das cidades seria inteiramente diversa da que prevaleceu. Manaus, Cuiabá e Brasília, que tem baixo potencial fetbolístico estariam fora. Dariam espaço para Belém, Goiania e eventualmente Florianópolis. Natal poderia permanecer dependo do interesse dos investidores.

A racionalidade econômica, no entanto, foi superada pela lógica política, e agora pouco mais de um ano da realização da Copa das Confederações e dois da Copa, com doze estádios em construção a situação é irrevesrsível e a hipótese da transferência para a Espanha apenas um exercicio teórico.

 O que pode ser feito com essa situação? Seguir com a construção dos estádios, mas eventualmente não completá-las, por exemplo, com a cobertura, naqueles que receberão apenas 4 jogos. Não pagar a mais por uma aceleração desnecessária. Excluir de pronto, o Maracanã da Copa das Confederações, deixando tempo para a sua conclusão para a Copa.

Buscar parcerias com empresas internacionais orgnizadoras de eventos para a transformação dos estádios em arenas multiuso, com o investimento desssas empresas para o equipamento das arenas.

Na construção dos estádios há capacidade nacional e o ingresso de capitais estrangeiros poderia deslocar as empresas nacionais, como ocorreu na África do Sul. Já para a organização de eventos internacionais a caoacidade nacional precisa ser complementada com a internacional e nesse caso deve vir com tecnologia e capital.

A Copa do Mundo de Futebol no Brasil não será apenas uma oportunidade para desenvolver o seu futebol, embora isso possa ser feito e vamos comentar em outra oportunidade. Deve também ser uma grande oportunidade para desenvolver o setor de entretenimento, tranformando-o numa grande fonte de trabsalho e renda.

 



Categoria: Futuro do Brasil
Escrito por Jorge Hori às 22h04
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Bom projeto

O que é!

Tem sido recorrente nas explicações das autoridades para justificar atrasos na execução das obras do PAC ou no não atendimento às metas, como as do saneamento, atribuir à falta de bons projetos a causa prinicipal dos problemas.

Isso surgiu novamente na entrevista do Secretário Nacional de Saneamento Ambiental, Leodegar Tiscoski, no jornal Valor Economico, de 2 de maio de 2012, em matéria sob o título "Falta de bons projetos afeta avanços no saneamento".

Segundo a matéria "além dos recursos governo e especialistas da área concordam que a falta de bons projetos é outro grave entrave para o setor".

Nem sempre fica claro se a referência é ao empreendimento ou ao projeto de engenharia, dadas as confusões semânticas decorrentes do uso inadequado de expressões estrangeiras. O empreendimento, em inglês, é project, e o projeto de engenharia, design. No Brasil usa-se indiscriminadamente o termo projeto para designar ambos.

A eventual falta de bons empreendimentos decorre de falhas no planejamento. É no planejamento que devem ser estudados e selecionados os empreendimentos. A lei nacional do Saneamento foi promulgado em janeiro de 2007, mas apesar de conter a exigência de elaboração dos planos nacional, estaduais ou regionais e municipais, há pouco planos efetivamente elaborados. O Plano Nacional continua sendo prometido e a matéria referida aponta o seu lançamento no segundo semestre do ano.

Mas o Plano Nacional não é um plano de empreendimentos, a não ser excepcionalmente. Os empreendimentos são definidos nos planos municipais, uma vez que a titularidade dos serviços é municipal. Há controvérsias em relação à titularidade nas regiões metropolitanas e aglomerados urbanos, mas a solução prática tem sido os planos regionais.

O primeiro dos problemas é que os Municipios e Estados (com exceções) não estão dispostos a arcar com os custos da elaboração dos planos e requerem o apoio federal, já que esse concentra os recursos tributários e de fundos como FGTS. Mesmo quando promove o apoio, a tendência centralista e burocrática do Governo Federal, atrasa a efetivação. Um programa de apoio aos Municipios e Estados para elaboração de planos, dentro de um conjunto maior de apio, lançado em maio de 2010 ainda tem casos não efetivados, dois anos após, por exigências burocráticas.

Então, a primeira questão que seria a falta de bons empreendimentos pode ser resolvida por ações de eficiência administrativa. O Secretário de Saneamento Ambiental, com o apoio do Ministro das Cidades, deve partir do levantamento da situação dos apoios financeiros aos Municipios e Estados iniciados em maio de 2010 e resolver os gargalos,as pendências. Uma das metas seria que todos os serviços previstos naquele edital estivessem em andamento, mediante contrato com terceiros ou executadas pelas próprias Prefeituras até o final do semestre.

O segundo problema é a elaboração dos projetos de engenharia dos empreendimentos selecionados pelo planejamento. Há duas situações distintas: uma em que os serviços são prestados pelos próprios Municipios ou por um conjunto deles, em consórcio. Outra em que os serviços são concedidos a empresas estaduais ou privadas. No primeiro caso, as Prefeituras relutam em investir previamente na elaboração dos projetos, o que deveria corresponder à contrapartida delas ao apoio federal.

A solução está num mecanismo de financiamento de projetos às Prefeituras Municipais, com um fundo garantidor para o caso de não ser efetivado o financiamento para a obra ou empreendimento. Essa possibilidade deveria ser mínima e excepcional, na medida em que os empreendimentos constariam do plano municipal de saneamento, com garantia de aporte federal. Para isso esses aportes não podem depender de emendas parlamentares.

Tais medidas resolvem o problema da elaboração dos projetos, mas não resolve o problema da qualidade, ou seja, de ser um bom projeto.

Isso requer duas condições básicas: o prazo adequado para a sua elaboração e a contratação por técnica e preço, não pelo menor preço.

O açodamento na contratação de projetos de engenharia, com prazos curtos é um dos principais problemas que resultam na má qualidade dos projetos. Decorre do fato de que as Prefeituras ou mesmo as concessionárias só começam a contratar o projeto quando tem assegurado o financiamento para a execução da obra. A contratação do projeto deve ser prévia e desvinculada operacionalmente do financiamento da obra. A dependência dos recursos das emendas parlamentares é uma das fontes do problema. Uma alternativa é prever emendas parlamentares para elaboração de projetos e não, do conjunto projeto-obra, como ocorre atualmente.

Um projeto que seja contratado mediante competição pelo menor preço, nunca será um projeto de qualidade. Para vencer uma concorrência pelo menor preço, o licitante terá que sacrificar a qualidade.

 

 



Categoria: Engenharia, Urbanismo
Escrito por Jorge Hori às 09h12
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Fora de controle

Não vai ser o pretendido

A estratégia prevista por Lula para a CPI de Cachoeira,  com o apoio da base aliada vai se implodido por testemunhas bombas. Como em casos anteriores. Só que não serão desconhecidos motoristas ou caseiros. A grande testemunha responde pelo nome de Luiz Antonio Pagot,defenestrado da direção geral do DNIT, segundo ele, por manobras da "orgnização criminosa de Carlinhos Cachoeira.

Mas porque um contraventor de jogos privados ilegais (no Brasil só é legal o jogo estatal) teria interesse em mudar a direção do DNIT, que nada tem a ver com os jogos?

A CPI quer desvendar os mistérios da tal organização criminosa e poderá chegar a revelações indesejadas, porque Cachoeira é apenas a face visivel dela, sendo apenas um apêndice de uma organização maior cuja chefia continua oculta.

O negócio da Cachoeira não é apenas manter a operação de "caça níqueis" ou a legalização dos bingos e outros jogos privados. O primeiro, como o próprio nome diz é uma questão de níqueis. A escala de Cachoeira é de bilhões e não de centavos. A legalização do jogo envolveria bilhões, mas porque Cachoeira seria o único a se movimentar gastando milhões com políticos para viabilizar a legalização no Congresso? Cadê os outros? Cachoeira seria o único contraventor? Só ele está interessado em legalizar o jogo no Brasil?

A movimentação econômica-financeira de Cachoeira indica que ele se envolveu em outros negócios de muito maior porte: obras públicas, incluindo as da Petrobras. Para isso fez parceria com uma construtora. Juntos elevaram substancialmente o volume dos negócios regionais. A indagação é se a parceria foi apenas regional ou nacional?

Diversamente do que propala a mídia, a Delta Construções não ampliou o seu faturamento em contrato com obras públicas, irregularmente. Com exceção de algumas obras conseguidas sem licitação - com o argumento da emergência - a Delta conquistou as obras, vencendo - legalmente - sempre com a proposta de menor valor. Ganhou as concorrências pelo menor preço. A irregularidade não está na licitação e no contrato inicial.

O mistério é como com preços vís, a construtora consegue lucrar e crescer. Pode se alegar que um contrato ruim é compensado por outro bom. Mas se em todas as licitações a Delta mergulha no preço, onde estão os contratos bons. Os obtidos sem licitação seriam suficientes? Aparentemente não.

Então onde está o segredo? Supostamente pela transformação de um contrato ruim em um contrato bom, mediante inexecução parcial, qualidade inferior, jogo de planilhas ou aditivos. Isso só se consegue com grande penetração e influência dentro da casa, com respaldo da direção.

Aparentemente Pagot quis brecar esse processo e caiu em desgraça. Irá desvendar o mistério? Se o fizer irá por abaixo toda estratégia de limitar a CPI a uma cachoeira regional.

 



Categoria: Governo e Politica
Escrito por Jorge Hori às 12h11
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Ambientalismo verde

 

Declinio do "verde"

O movimento ambientalista emergiu na defesa do patrimônio natural e por questões mercadológicas adotou a cor verde, representativa da vegetação natural.

Até na política adotou a cor, com os partidos verdes.

As posições originais eram de preservacionismo radical, abrandado pelo conceito de desenvolvimento sustentável, porém os movimentos permaneceram focado no ambiente natural, com a prevalência das visões românticas.

Hoje se sabe que as principais ameaças ao ambiente não estão no natural, mas no construido, no ambiente urbano.

O homem se concentra nas cidades onde produz e consome e dessas atividades urbanas saem as principais causas do aquecimento global, a maior ameaça à vda humana no planeta.

A aprovação do Código Florestal, com atenuação das exigências, não foi apenas uma derrota dos ambientalistas.

Foi uma derrota do Governo imposta pelo PMDB, como demonostração de que as novas lideranças designadas pela Presidente, não comandam a base.

Não foi uma vitória só dos ruralistas, porque apesar da sua força não o tem suficiente. Tiveram um grande apoio dos "urbanistas".

O movimento ambientalista para retomar a sua força terá que deixar de ser apenas "verde".

O Rio+20 será uma oportunidade para a "virada".

Um problema está em escolher uma cor adequada para substituir o verde.



Categoria: Desenvolvimento Sustentável
Escrito por Jorge Hori às 08h56
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Acompanhar a Copa

 

Por onde andar?

Tanto em St John's (no Canadá) ou em NY onde estive nessa duas últimas semanas me encontrei com pessoas interessadas em vir ao Brasil para acompanhar a Copa 2014, inteiramente perdidas com relação a que cidades visitar, como se hospedar, etc. Confesso que a única resposta que tinha era buscar os pacotes.

A logistica do turista da Copa é complexa, ainda com várias incógnitas que só se resolverão em 2013. Mesmo assim parcialmente.

O que está definido, por enquanto, são as cidades sede e a estrutura da tabela. A unica coisa certa são os jogos do Brasil, em São Paulo, na abertura no dia dos namorados de 2014 (que em outros paises é comemorado no dia 14 de fevereiro) com jogos subsequentes em Fortaleza e em Brasília. Se for o primeiro da chave jogará em Belo Horizonte e ainda vencedor poderá voltar a Fortaleza.

O interesse demonstrado é acompanhar uma seleção, como a alemã. Suponde que ela seja (o que é muito provável) classificada nas eliminatórias e seja cabeça de chave do grupo 1 (o que será definido por sorteio) jogará em Salvador, seguindo para o Rio de Janeiro e depois Curitiba. Vencedor, jogará em Fortaleza e Salvador.

Se a Espanha for a cabeça de chave do Grupo 2 terá uma vida mais fácil. Jogará inicialmente em Belo Horizonte e depois Brasilia e Cuiabá. Nas oitavas e quarta poderá jogar no Rio de Janeiro e em Salvador.

Em qualquer hipótese o turista terá que circular pelo Brasil e se quiser visitar outras atrações terá que programar adequadamente as suas viagens e estadias.

Foz do Iguaçu poderá ser um dos pontos mais críticos, com a concentração de visitantes. O problema de hotelaria em Foz poderá ser mais grave que nas cidades sede.

A FIFA se preocupa com a hotelaria nas cidades sede, mas o local onde poderá haver a maior concentração de turistas estrangeiros durante a Copa será Foz do Iguaçu. Os turistas poderão se distribuir entre as cidades-sede, com uma concentração inicial em São Paulo, por ser o jogo de abertura e o hub aeroportuário internacional.

Mas durante o mês da Copa, entre os intervalos dos jogos todos irão querer "dar um pulinho" em Foz do Iguaçu. E não haverá voos, tampouco leitos suficientes, para a frustração de muitos.

Quem se arriscar a vir de forma independente poderá sofrer mais que ter alegrias.



Categoria: Economia, Empresas, Administraçã
Escrito por Jorge Hori às 08h27
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RDC na Copa

 

Estender ou cancelar?

O Ministro do TCU, Valmir Campelo, quer acabar com o RDC para a Copa, porque acha que não dá mais tempo para concluir as obras ainda não contratadas antes de junho de 2014.

Com a única licitação de contratação integrada - o VLT de Cuiabá - adiada, com poucas chances do sistema ficar pronto antes da Copa, só ficam as licitações promovidas pela INFRAERO, com relativo sucesso.

O Governo, através da Ministra do Planejamento, Miriam Belchior, que estender o RDC para todas as obras do PAC, sob a alegação de que tem sido um sucesso em termos de prazos e de preços.

Aponta como explicação para os ganhos nos preços, ao sigilo do valor de referência, o que não daria margem a conluios.

Essa foi uma das razões apontadas pelo Governo para criar o RDC para as obras da Copa, mas a experiência efetiva das licitações da INFRAERO demostram que esse sigilo é um fator irrelevante.

O valor de referência aberto só é relevante quando o modelo licitatório é de proposta com envelope fechado. Nesse caso, não há negociações ou revisão do preço original proposto e vence quem tiver o menor preço, ou a melhor conjugação entre preço e técnica. A partir do conhecimento do valor de referência pode ocorrer o conluio entre os interessados, com todos apresentando um preço um pouco abaixo e o escolhido para vencer com o menor preço, dentro de um deságio pequeno.

O RDC tem como uma das modalidades, a mais utilizada pela INFRAERO, o leilão reverso, com o ajuste da proposta. É semelhante ao pregão, com lances sucessivos de redução de preços até que todos desistam de dar novos lances, prevalecendo o último de menor preço. A diferença é que o arrematante deve ajustar a sua proposta de preços e reapresentá-la. Nesse momento haverá a verificação da exequibilidade da proposta, principalmente no que diz respeito a consideração de todos os itens previstos no orçamento padrão, encargos sociais de acordo com a legislação, respeitos aos salários mínimos geral e profissional, etc.

Em alguns das licitações da INFRAERO os concorrentes com lances menores acabaram tendo a proposta desqualificada, com a convocação do segundo colocado. Num dos casos extremos, em Porto Alegre, todas as propostas acabaram sendo desqualificadas por inconsistências, resultando numa licitação fracassada (termo legal para os casos em que todos os concorrentes são desqualificados, não resultado na escolha de um).

De um lado, esse mecanismo faz com que os licitantes montem a sua proposta em duas versões: uma que representaria o preço mínimo ao que poderiam chegar. A outra que é para a aparesentação inicial, pois essa não tem qualquer significado real. Serve apenas para entrar no jogo, com qualquer preço. Com conhecimento ou não do valor de referência. Esse sempre pode ser estimado, no caso de obras, em função da planilha dos custos unitários.

Portanto, o menor preço não decorre do sigilo ou do conhecimento do valor de referência, mas do processso de leilão reverso. O avanço em relação ao pregão é a revisão e verificação da planilha.

A outra questão é se esse mecanismo propicia ou não o conluio? Como nos pregões o conluio é sempre possível e a revisão da planilha sempre propicia a utilização de "coelhos" para inviabilizar eventuais "outsiders" não pertencentes ao "cartel".

Na combinação, digamos entre 4 empresas, uma é escalada para vencer com um preço médio. Outra para ficar com o valor maior. Ai pode ser uma ou mais de uma. Pelo menos duas são escaladas para serem desclassificadas e promover a desclassificação dos eventuais "aventureiros".

Corre-se o risco de que a proposta do "aventureiro", mesmo forçada a reduzir substancialmente o seu preço seja habilitada.

A proposta selecionada para vencer será, no máximo o terceiro menor preço. Os dois coelhos entrarão com propostas para serem desqualificadas, mas gerar a impressão de disputa.

A experiência das licitações da INFRARERO demonstraram que ter ou não valor de referência previamente divulgado é irrelevante quando se adota o leilão reverso.



Categoria: Governo e Politica
Escrito por Jorge Hori às 21h49
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Retirada estratégica

Por que a Delta está saindo dos consórcios?

A Delta Construções já saiu de dois consórcios no Rio de Janeiro e deverá sair também dos que participa na Petrobras. Está pedindo para sair ou está sendo "expulsa"?

Tudo indica que está sendo impelida a sair, porque entrou forçando e agora é presença indesejável.

Nos contratos de obras públicas não basta ganhar o contrato. É preciso ter relações internas para aprovar as medições e receber as faturas. Quem não tem boas relações não consegue receber prontamente e, com taxas de juros elevados, representa redução de ganhos ou até prejuizos.  A Delta se especializou nessas boas relações e as usava para participar de consórcios com grupos maiores. Supostamente com a sua presença os processos andariam mais rápidos. Muitas vezes sem que os parcerios tivessem conhecimento de como e a que custo. Só sabiam que existiam e incluidos na participações.

Com o levantamento dos problemas e as relações da construtora com Carlinhos Cachoeira a situação se inverte. Todos terão o maior cuidado com as medições e faturas da Delta. A sua presença poderá retardar e não acelerar os processos. Agora melhor ela fora do que dentro, entendem os parceiros. A sua presença chama maior atenção da mídia e dos órgãos de controle.

O que ela levará saindo dos consórcios? Uma compensação ou um PNB?

De toda forma ela leva consigo o modelo que foi um sucesso nesses últimos oito anos mas está despencando cachoeira abaixo.



Categoria: Governo e Politica
Escrito por Jorge Hori às 09h06
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Perda de poder

Reformular as estratégias

O chamado movimento ambientalista aproveitou momentos em que a sociedade e o Congresso não acreditavam na necessidade de defesa do ambiente natural e conseguiram aprovar diversas leis impondo restrições e penalidades rigorosas, criando várias distorções.

Ao longo do tempo o movimento conseguiu a adesão da sociedade e dos governos, com uma grande conscientização mundial. Há vinte anos atrás um evento do Rio de Janeiro, marcou um grande momento em que, aparentemente, os Governos de todo o mundo parecia ter se engajado. Pela primeira vez parecia que a humanidade se reunia para defender o planeta.

Mas o seu crescimento e sua visibilidade teve a contrapartida das reações contrárias ao radicalismos ambiental, dai resultando derrotas como a de ontem na Câmara dos Deputados, na aprovação do projeto do novo Código Florestal. O resultado mostra que a maioria da Câmara não é ambientalista, nem mesmo com a pressão governamental.

O Rio +20 estará esvaziado como evento de governança da humanidade, restringindo-se a mais um evento dos ambientalistas, sem a presença marcante de chefes de Estado.

Rio+20 deverá ser aproveitado para um momento de reflexão e de realinhamento de estratégias, com um principal objetivo: integrar a pauta ambiental com a pauta econômica, abandonando o confronto.

Será necessário enfrentar a questâo principal, que continua sendo escamoteada: os pobres de todo o mundo querem viver melhor e nâo aceitam que aqueles que enriqueceram comprometendo o ambiente estabeleçam as restrições.

Ambientalismo é uma posição de elite.



Categoria: Desenvolvimento Sustentável
Escrito por Jorge Hori às 08h15
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Próximos passos

 

O que vai ficar no topo?

As provas contra Demóstenes Torres vão ser desqualificadas, por falhas processuais. Ele vai se livrar dos processos judiciais, mas não do processo político. A base aliada irá insistir na sua cassação, porém a prioridade e intensidade dessa ação vai depender dos demais pontos.

O objetivo principal de Lula é fazer prevalecer a versão de que o "mensalão" nada mais foi que a armação da quadrilha comandada por Cachoeira. A mídia vai tentar levantar toda a "linha do tempo" de Cachoeira, mas conhecidos os detalhes, irá perdendo relevância e impacto. A CPI e a base aliada tentarão fazer de Cachoeira o principal foco com as suas ligações com os politicos da oposição.

Ocorre que a principal atuação de Cachoeira não está na contravenção penal relacionado ao jogo do bicho e aos caça níqueis, porem no lobby e negócios com a Delta Construção, de onde sairão as maiores revelações de impactos políticos.

O grupo Delta Construção tem 4 grandes frentes, todas elas contaminadas: a maior frente é dos contratos com o DNIT, e notícias não são favoraveis a ela. Além do risco de perder os contratos, teria feito um grande inimigo: Luis Antonio Pagot, Presidente do DNIT, indicado pelo seu padrinho Blairo Maggi, e que denuncia um complô para a sua derrubada, tramada dentro do Palacio do Planalto, por ação da "turma do Cachoeira", por ter contrariado interesses da Delta. 

Essa é a parte que mais deve preocupar a Presidente Dilma. Ela pode se sentir enganada. Ela mandou demitir Pagot, baseada em informações que podem ter sido plantadas. E Pagot parece estar disposto a "abrir a boca". A CPI, a base aliada, seus padrinhos não terão condições de evitar se a trama transpirar na mídia.

A segunda frente de negócios da Delta está na Petrobras, com o apadrinhamento de José Dirceu, mas cujas desavenças com os ex-sócios da Sigma, empresa comprada para proporcionar o ingresso na estatal, deu margem a gravações que não tem qualquer valor juridico, mas de alto impacto político.

A terceira frente, a que tem levantado os maiores problemas refere-se aos contatos e contratos com os Governos Estaduais do Centro Oeste, além do Governo do Distrito Federal. Cachoeira era, de fato, sócio da construtora, envolvendo na sua atuação o Senador Demóstenes Torres.

A quarta frente, ainda incólume de escândalos contratuais, é da sua atuação no Estado do Rio de Janeiro. Nesse caso deverá ser blindado pelo PMDB, com ampla "coligação informal" pois envolve também César Maia e Anthony Garotinho.

O problema da CPI são os gregos.

 



Categoria: Governo e Politica
Escrito por Jorge Hori às 08h36
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Delta fora da Copa

 

A Delta Construções, ainda predominantemente uma "empreiteira rodoviária", dominando os contratos no DNIT, teve o seu crescimento a partir de obras no Rio de Janeiro, onde aplicando a mesma metodologia de "mergulhar nos preços" para vencer as concorrências e depois obter aditivos, tornou-se uma das principais contratadas da Prefeitura Municipal e do Governo do Estado.

Nos investimentos para os Jogos Panamericanos o maior escândalo foi a obra do Engenhão. O assunto voltará a tona porque o construtor inicial daquele foi a Delta. Obtendo o contrato a preços baixos não conseguiu completar a obra, alegando falta de tecnologia para a cobertura. A obra foi completada pelos mesmos parceiros no consórcio construtor do Maracanã. A obra orçada inicialmente em R$ 60 milhões teria custado R$ 380 milhões.

Em função de suas relações no Rio de Janeiro se impôs no consórcio construtor do Maracanã, obrigando duas das maiores construtoras brasileira, a Odebrecht e Andrade Guitierrez a "ter que engolir a sua presença". 

Com o seu infeliz comprometimento com a "Cachoeira Goiana" irá sair do consórcio, buscando o melhor acordo possível, quer dizer, com o menor prejuizo possível.

Vai ter que parar obras, desmobilizar canteiros, demitir pessoal e tentar sobreviver com o que tem a receber. Mas esses deverão ficar congelados em função de investigações ou auditorias, prejudicando o seu fluxo de caixa. Conforme já antecipou em entrevista à Folha irá "quebrar". Será inevitável, no quadro atual.

A inadagação é se irá quebrar sozinha, ou irá arrastar outras? A sua crise afetará as obras da Copa e dos Jogos Olimpicos? Os que estão a seu cargo no Rio de Janeiro sim. Mas contaminará outras obras e construtoras?

Provavelmente haverá intervenções abertas ou veladas de parte do Poder Público para evitar contaminações que coloquem em risco a conclusão dos estádios. Os da mobilidade urbana já estão irremediavelmente comprometidos, em termos de prazos.

A outra questão é se Fernando C. Soares irá afundar sozinho ou irá atirando? Contra quem?

Certamente não era o desfecho sonhado por seu pai Inaldo, quando criou a Delta, nos idos de 61.

 

 

 



Categoria: Engenharia, Urbanismo
Escrito por Jorge Hori às 06h32
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